Em Osasco, Tarcísio dá largada à campanha pela reeleição cercado por 14 prefeitos e promessa de obras

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    O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), escolheu Osasco para o primeiro ato oficial de campanha pela reeleição, na manhã deste domingo (16). No palco montado no clube dos metalúrgicos da cidade, ele apareceu ladeado por 14 prefeitos, entre eles Ricardo Nunes (MDB), da capital, além de presidentes partidários e três postulantes ao Senado.

    A movimentação, que também marcou o lançamento da candidatura do ex-prefeito Rogério Lins (Podemos) a deputado estadual, serviu de vitrine para a robusta aliança de Tarcísio: dez legendas que, somadas, representam 336 dos 513 deputados federais e deverão garantir ao governador tempo recorde de propaganda no rádio e na TV.

    Demostração de força em um dos maiores redutos econômicos do estado

    Osasco foi escolhida por peso político e simbólico. Sexta cidade mais populosa de São Paulo e dona do segundo maior PIB paulista, o município é governado há quase uma década pelo Podemos, partido que apoia Tarcísio mas não integra formalmente a coligação por lançar chapa própria ao Senado. Mesmo assim, tanto o atual prefeito, Gerson Pessoa, quanto seu antecessor, Rogério Lins, dividiram o palanque com o governador.

    Do lado de fora do clube, representantes de comunidades locais protestaram contra Tarcísio e Lins, atrasando em cerca de uma hora o início do ato. Dentro, o clima era de festa — Lins chegou a garantir “vitória em primeiro turno” ao aliado. Vídeos no telão exibiam conquistas do governo estadual e reforçavam o discurso de “São Paulo modelo para o Brasil”.

    Promessas regionais e obras estruturantes

    • Implantação de um Corpo de Bombeiros na zona norte osasquense;
    • Integração de serviços municipais ao sistema Poupatempo;
    • Abertura de uma unidade do Bom Prato na mesma região;
    • Criação de um Ambulatório Médico de Especialidades (AME);
    • Avanço no projeto da futura Linha 22 do Metrô, que ligará Cotia ao centro paulistano com estações em Osasco.

    As promessas, apresentadas como “pacote de investimento na qualidade de vida”, driblaram críticas sobre gargalos de saúde e mobilidade na região. O AME, por exemplo, foi classificado pelo governador como “urgência histórica” da cidade.

    Quem subiu ao palanque

    Além dos prefeitos, desfilaram no evento:

    • Renata Abreu, deputada federal e presidente nacional do Podemos;
    • André do Prado (PL), presidente da Assembleia Legislativa e candidato ao Senado;
    • Guilherme Derrite (PP), ex-secretário de Segurança Pública e também candidato ao Senado;
    • Geraldo Rufino (Podemos), empresário e terceiro nome ao Senado presente;
    • Celso Russomano (Republicanos), deputado federal.

    Dos 14 prefeitos que deram o rosto à campanha, destacam-se ainda Gilvan Ferreira (Santo André), Taka Yamauchi (Diadema) e outros gestores do ABC e da Grande São Paulo, região considerada vital para o tabuleiro eleitoral.

    Estrutura partidária garante tempo de TV

    A coligação batizada “Coragem para Seguir Avançando” reúne Republicanos, PL, União Brasil, PP, PSD, MDB, PRD, Solidariedade, Avante e Democrata. Mesmo sem Podemos, Novo e a federação PSDB-Cidadania — que apenas apoiam a reeleição —, o arco de alianças soma 65% da Câmara dos Deputados. Na prática, Tarcísio deve ficar com mais que o dobro do tempo de exposição do principal adversário, Fernando Haddad (PT), na propaganda obrigatória.

    Nos bastidores, dirigentes calculam que a vantagem em rádio e TV pode consolidar a imagem de “gestor técnico” construída em 2022 e impulsionar candidaturas parlamentares que orbitam o governador, como a própria chapa ao Senado dividida entre André do Prado e Guilherme Derrite.

    Disputa no Senado gera fissuras pontuais

    Nem tudo, porém, é consenso. Podemos, Novo e a federação PSDB-Cidadania decidiram lançar nomes próprios ao Senado — Geraldo Rufino, Ricardo Salles e Soninha Francine, respectivamente —, o que os impede de entrar formalmente na coligação majoritária. A manobra evita bloqueio legal, mas expõe pequenas rachaduras que Tarcísio tenta minimizar com foto coletiva e discursos de unidade.

    O governador elogiou o “espírito cívico” dos aliados, mas frisou que a escolha de senadores será “livre e democrática”, sinalizando que não deve interferir na disputa entre as três chapas que orbitam seu grupo político.

    Próximos passos da agenda

    Depois de Osasco, Tarcísio seguiu para Itaquera, na zona leste da capital, onde participou da largada de campanha da vereadora Sandra Tadeu (PL) a deputada federal. O roteiro desta primeira semana de mobilização inclui visitas ao Vale do Ribeira, Sorocaba e Presidente Prudente, regiões onde o governador pretende repetir estratégia: combinar anúncio de obras regionais com demonstrações de musculatura política.

    Oposição monitora, mas evita confronto direto

    A equipe de Fernando Haddad, segundo interlocutores, avalia que a força exibida em Osasco é “relevante” mas ainda “concentrada na região metropolitana”. A campanha petista aposta em desgastes de gestão, sobretudo em saúde e segurança pública, para reduzir a vantagem de Tarcísio no interior e no litoral.

    Apesar do tom crítico, nenhum adversário compareceu ou enviou representantes ao ato em Osasco. A avaliação geral é que confrontar a largada do governador apenas ampliaria a visibilidade do evento. Haddad, por exemplo, focou o fim de semana em agendas fechadas com movimentos sociais na periferia sul da capital.

    Calendário oficial começa em 20 de agosto

    Esta fase de mobilização segue até 19 de agosto, véspera do início formal da campanha, quando passam a valer restrições de propaganda e uso da máquina pública. Até lá, Tarcísio pretende visitar ao menos 30 cidades e consolidar, sobretudo entre prefeitos e vereadores, os apoios que assegurem palanques locais para a propaganda na internet.

    Com a coalizão robusta, a missão imediata passa a ser harmonizar interesses regionais e evitar conflitos internos — desafio que se torna mais delicado à medida que disputas proporcionais ganham temperatura. Pelo volume de partidos e candidaturas em torno do governador, o risco de fogo amigo não é descartado; unir todos sob o mesmo guarda-chuva sem gerar ressentimentos será teste-chave das próximas semanas.

    Panorama rápido da disputa paulista

    Além de Tarcísio e Haddad, outros pré-candidatos já confirmaram intenção de concorrer ao Palácio dos Bandeirantes: o ex-governador Márcio França (PSB), a senadora Mara Gabrilli (PSDB) e o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL). Pesquisas internas circulam com vantagem do atual governador, mas analistas lembram que grande parte do eleitorado ainda se declara indecisa.

    Enquanto a oposição busca consolidar um campo comum à esquerda, Tarcísio mira consolidar a base de centro-direita e usar o arsenal de comunicação oficial para apresentar entregas de governo como “retomada de obras paradas” e “combate efetivo ao crime organizado”.

    Peso da máquina estadual

    Com orçamento anual superior a R$ 320 bilhões, o governo de São Paulo detém a maior estrutura administrativa do país fora da União. Alinhado a aliados no Congresso e em prefeituras, Tarcísio foca em inaugurações de escolas, hospitais e obras viárias para reforçar a narrativa de eficiência. O lançamento em Osasco, portanto, foi menos sobre apresentar propostas inéditas e mais sobre mostrar que a engrenagem política já está a pleno vapor.

    Nas próximas semanas, a expectativa é de que o governador intensifique viagens ao interior, onde venceu em 2022, e fortaleça a presença digital para ampliar diálogo com eleitores que rejeitam eventos presenciais. O desempenho nessas frentes definirá se a arrancada festiva em Osasco traduzirá, de fato, vantagem nas urnas de outubro.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.