O Partido dos Trabalhadores pediu ao Tribunal Superior Eleitoral que responsabilize o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por supostamente amplificar uma rede de perfis anônimos que produz e dissemina conteúdos contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo a legenda, os ataques utilizam recursos de inteligência artificial para criar e remodelar narrativas negativas, configurando, na avaliação do PT, uma ação coordenada que fere a integridade do processo eleitoral de 2026.
A petição, protocolada nesta quinta-feira (30), ficou sob relatoria do presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques. Assinada pela Federação Brasil da Esperança — que reúne PT, PCdoB e PV —, a peça pede aplicação de multas individuais aos responsáveis pelas publicações e a retirada imediata do material das redes.
O que motivou a ação
De acordo com o documento entregue ao tribunal, Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência, teria dado “alcance orgânico e institucional” a dezenas de postagens produzidas por perfis sem identificação clara. O PT argumenta que o senador não apenas compartilhou o conteúdo, mas articulou sua reprodução sistemática, ampliando o efetivo de seguidores expostos às mensagens.
A legenda sustenta que a conduta caracteriza abuso do poder político e uso indevido dos meios de comunicação digital. “O volume de publicações e a multiplicação de alcance fazem com que narrativas ofensivas se repitam até se impregnarem no imaginário coletivo”, diz trecho da representação.
Como funciona a rede descrita pelo PT
O mapeamento apresentado ao TSE aponta que a estrutura virtual seria integrada, entre outros, por:
- Léo Índio, primo dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro;
- os deputados federais Mário Frias (PL-SP), Gustavo Gayer (PL-GO) e Gilvan da Federal (PL-ES);
- o empresário André Marinho (Novo), pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro.
Estatísticas da suposta operação
A federação partidária reuniu números para demonstrar o alcance potencial da rede:
- 31 perfis identificados em dinâmica colaborativa;
- 1.464.245 seguidores somados entre essas contas;
- 23.828 publicações monitoradas;
- 67 postagens em formato “collab” analisadas individualmente e alvo de pedido de remoção;
- universo estimado superior a 10 milhões de usuários quando consideradas as republicações por figuras públicas.
Para o PT, o uso de ferramentas de inteligência artificial permitiria criar variações sutis de um mesmo ataque, dificultando a detecção por sistemas de moderação automática das plataformas e reforçando a percepção de que a rejeição ao presidente Lula seria “espontânea e generalizada”.

Imagem: Internet
Possíveis punições e próximos passos no TSE
Além das multas, o partido pede que o tribunal determine a exclusão imediata dos conteúdos considerados difamatórios, bem como a identificação dos administradores dos perfis envolvidos. Caso a responsabilidade de Flávio Bolsonaro fique comprovada, ele poderá enfrentar sanções que vão da advertência à inelegibilidade, conforme a legislação eleitoral.
Com a relatoria de Kassio Nunes Marques definida por sorteio, a ação seguirá para manifestação da Procuradoria-Geral Eleitoral. Em seguida, o ministro decidirá se concede ou não liminar para retirada dos conteúdos. O mérito será analisado pelos sete integrantes do TSE, em data ainda a ser marcada.
Manifestações públicas
Até a publicação desta reportagem, não havia registro de posicionamento público de Flávio Bolsonaro ou dos demais citados sobre as acusações. O g1 tentou contato com as assessorias dos envolvidos, mas não obteve retorno.
O PT, por sua vez, afirmou que continuará monitorando a atividade da rede e poderá apresentar novas representações caso outras peças de desinformação sejam identificadas durante a pré-campanha.
