O calendário oficial das eleições 2026 abriu neste domingo (16) com movimentação intensa em Fortaleza. Cinco dos oito candidatos que disputam o Palácio da Abolição aproveitaram as primeiras horas permitidas pela legislação para ir às ruas, conversar com eleitores e apresentar prioridades de governo. Os eventos ocorreram em pontos distintos da capital, mas todos tiveram em comum o corpo a corpo, a distribuição de material de campanha e discursos que buscaram demarcar diferenças logo na largada.
Enquanto Ciro Gomes (PSDB) percorreu o Mercado Central exaltando microempreendedores, o atual governador Elmano de Freitas (PT) caminhou pelo Pirambu reiterando que deseja “concluir o que começou”. Serley Leal (UP) optou pelo Curió, Vera Lúcia (Novo) escolheu a Serrinha e Zé Batista (PSTU) foi à Parangaba. Já Delegado Huggo (Missão), Danilo Soares (Democrata) e Ieri Braga (PCO) não registraram atos públicos neste primeiro dia.
Um domingo de corpo a corpo em Fortaleza
A preferência pela capital não é fortuita: Fortaleza concentra quase 30% do eleitorado cearense e costuma influenciar o debate político regional. Logo nas primeiras horas da manhã, a cidade recebeu carreatas, pequenas caminhadas, visitas a feiras e distribuição de panfletos. A seguir, veja como cada postulante atuou.
Ciro Gomes (PSDB) aposta em economia popular e segurança
O ex-ministro e ex-prefeito de Fortaleza chegou pouco depois das 8h ao Mercado Central, tradicional polo de artesanato e comércio popular no Centro. Acompanhado do vice na chapa, o ex-prefeito Roberto Cláudio (União), e dos candidatos ao Senado Capitão Wagner (União) e Alcides Fernandes (PL), Ciro conversou com lojistas, posou para fotos e apresentou três eixos que, segundo ele, nortearão seu plano de governo: apoio ampliado ao microempreendedor, um novo modelo de policiamento voltado a dados e inteligência e a reformulação da gestão hospitalar. “Precisamos sustentar quem gera emprego de verdade e enfrentar a violência com método”, disse, em breve pronunciamento diante de apoiadores.
Encerrada a visita, a comitiva seguiu para Acarape e Redenção, cidades que compõem o chamado maciço do Baturité. Ainda neste domingo estavam previstas paradas em Juazeiro do Norte e Sobral, berço político da família Ferreira Gomes. O gesto foi lido nos bastidores como tentativa de consolidar apoios fora da Região Metropolitana logo no início da campanha.
Elmano de Freitas (PT) prioriza continuidade e interiorização da saúde
Também nas primeiras horas da manhã, o governador e candidato à reeleição Elmano de Freitas reuniu correligionários no Pirambu, bairro de forte tradição comunitária. Ao lado da vice na chapa, Gabriella Aguiar (PSD), e dos candidatos ao Senado Cid Gomes (PSB) e Luizianne Lins (Rede), Elmano atravessou ruas estreitas, visitou uma Unidade Básica de Saúde e falou sobre números de geração de emprego no estado. “Colocamos o Ceará entre os que mais abrem vagas formais, mas ainda há muito a fazer, especialmente no interior”, declarou.
Depois da caminhada, o petista seguiu para Canindé, onde participou de evento religioso. A agenda previa, ainda neste primeiro ciclo, passagens por Juazeiro do Norte, Crato, Barbalha, Sobral e Itarema, numa estratégia de manter a musculatura do mandato nos principais polos regionais.
Serley Leal (UP) critica “abandono” e defende socialismo popular
Estreante em disputas majoritárias, Serley Leal, da União Popular pelo Socialismo, reuniu militantes no Curió, zona sul da capital, em caminhada que durou cerca de duas horas. Em rápido comício improvisado, acusou governos passados e presentes de “abandonarem o povo brasileiro e os cearenses”. O candidato prometeu implantar conselhos populares deliberativos, ampliar a oferta de transporte público gratuito e estatizar serviços estratégicos. O ato serviu ainda para apresentar demais nomes do partido a cargos proporcionais.
Vera Lúcia (Novo) privilegia diálogo com moradores da Serrinha
A administradora de empresas Vera Lúcia iniciou a campanha em formato intimista: uma roda de conversa na rua Montevidéu, no bairro Serrinha. Acompanhada de uma candidata a deputada federal, ela ouviu demandas sobre segurança, creches e saneamento. Vera defendeu redução de impostos estaduais, parcerias público-privadas para infraestrutura e metas de eficiência na gestão. “É possível ter menos Estado na burocracia e mais Estado onde o cidadão precisa”, afirmou.

Imagem: Internet
Zé Batista (PSTU) faz panfletagem e ataca “ultradireita”
No Terminal da Parangaba, um dos mais movimentados da cidade, o metalúrgico Zé Batista distribuiu folhetos pedindo o voto de trabalhadores do transporte. Durante o ato, criticou a “ultradireita” e os dois principais nomes da disputa — Ciro e Elmano —, classificando-os como representantes do “mesmo projeto neoliberal”. Defendeu o fim da jornada 6×1, reajuste imediato do salário mínimo estadual e oposição frontal a privatizações. “Nossa campanha vai estar onde o povo pega ônibus, não em camarotes”, apontou.
Quem ficou de fora do primeiro dia
Embora tenham registros aprovados pela Justiça Eleitoral, Delegado Huggo (Missão), Danilo Soares (Democrata) e Ieri Braga (PCO) não divulgaram compromissos públicos para o domingo. As assessorias limitaram-se a informar que as agendas seriam divulgadas “ao longo da semana”. A ausência foi notada sobretudo nas redes sociais, que fervilharam com imagens dos concorrentes presentes em Fortaleza.
Por que o início é decisivo
O primeiro dia de campanha costuma dar o tom sobre recursos, organização de militância e mensagens chaves. A exibição de apoios — como fizeram Ciro e Elmano ao lado de companheiros de chapa — serve para sinalizar unidade, enquanto ações de menor porte podem evidenciar foco em nichos específicos do eleitorado. A dinâmica também ajuda a captar doações, já que fotos e vídeos divulgados neste domingo são usados em plataformas de financiamento coletivo.
Além disso, a Lei das Eleições permite a partir de agora pedidos explícitos de voto, distribuição de material gráfico, uso de bandeiras em vias públicas e divulgação de jingles. Programas em rádio e televisão, porém, só começarão em setembro. Até lá, caminhadas, visitas e atos de rua continuarão sendo o principal instrumento de visibilidade dos candidatos.
Próximos passos da disputa
A batalha pelo comando do Ceará seguirá intensa nas próximas semanas. Pesquisas internas indicam que o eleitor ainda está pouco atento ao pleito, o que leva as campanhas a priorizar agendas presenciais em grandes centros urbanos. Eventos como Expoece, Bienal do Livro e romarias religiosas já estão no radar dos coordenadores. Ao mesmo tempo, o interior deve ganhar protagonismo: cidades-polo como Sobral, Juazeiro do Norte e Quixadá deverão receber encontros regionais e debates temáticos até o final de agosto.
Com pouco mais de 6,8 milhões de eleitores, o estado terá segundo turno caso nenhum candidato alcance 50% dos votos válidos em 4 de outubro. As chapas já montaram war rooms para monitorar índices de intenção de voto, repercussão de promessas e eventual desgaste de opositores. A largada deste domingo indicou as prioridades de cada concorrente e estabeleceu o tom de uma campanha que promete ser marcada por agendas simultâneas, polarização e, principalmente, muita presença nas ruas de Fortaleza.
