Trocas de mensagens entre Lulinha e ex-assessor abalam Planalto, e PT arma reação contra Flávio Bolsonaro

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    O Palácio do Planalto atravessa mais uma crise doméstica. Conversas recém-divulgadas entre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, o ex-chefe de gabinete Marcelo Andrade — conhecido como Marcola — e a lobista Roberta Luchsinger colocaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na defensiva. As mensagens mostram pedidos de nota fiscal, fotos de joias e até um contrato de venda de canabidiol para o Ministério da Saúde circulando entre os três.

    Irritado, Lula afirma a auxiliares não ter sido informado de nada e insiste que não tentará barrar a investigação da Polícia Federal. Ao mesmo tempo, o Partido dos Trabalhadores prepara um contra-ataque: vai explorar a aproximação entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), suspeita de envolver R$ 61 milhões destinados ao filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

    Mal-estar no núcleo presidencial

    Segundo assessores, o presidente se diz “muito contrariado” com o conteúdo das conversas. Embora a equipe jurídica do governo ressalte não haver, até agora, “ato de ofício” que comprove favorecimento à lobista dentro do Executivo, o simples teor das trocas é visto como politicamente danoso. Entre os trechos mais sensíveis estão:

    • Envio, por Marcola, de um contrato para fornecimento de canabidiol ao Ministério da Saúde;
    • Orientação de Lulinha para que a empresária emitisse nota fiscal a um cliente;
    • Troca de fotografias de joias entre Roberta Luchsinger e o ex-assessor.

    Diante da repercussão, Lula decidiu pressionar o filho a comparecer à Polícia Federal assim que for intimado. Hoje vivendo na Espanha, Lulinha já comunicou que viajará ao Brasil quando o depoimento for marcado. A PF aguarda concluir a análise do material apreendido em três inquéritos abertos no Supremo Tribunal Federal relacionados a ele antes de formalizar a oitiva.

    “Se houver culpa, que pague”, repete Lula

    Em conversas internas, o presidente tem repetido o mesmo mantra adotado desde a eclosão dos primeiros escândalos envolvendo familiares: “Confio no meu filho, mas, se algo ficar comprovado, ele responderá perante a Justiça”. O discurso visa afastar qualquer suspeita de interferência política, mas não esconde o desconforto com o momento em que o caso ressurgiu — a poucos meses do início efetivo da pré-campanha eleitoral.

    Estratégia petista mira Flávio Bolsonaro

    Para conter o desgaste, a cúpula do PT avalia que a melhor defesa é o ataque. Dirigentes do partido planejam focar na relação entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário da verba que financiou “Dark Horse”, filme que pretende contar a trajetória política de Jair Bolsonaro.

    Nas conversas que chegaram à Polícia Federal, Flávio teria solicitado recursos a Vorcaro para bancar a produção. O montante liberado — R$ 61 milhões — está sob lupa dos investigadores, que tentam rastrear se parte desse dinheiro custeou, na verdade, despesas do deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. O parlamentar nega irregularidades.

    Filme vira munição de campanha

    No cálculo eleitoral petista, colocar o foco sobre o suposto desvio no financiamento cultural serviria para:

    1. Desviar a atenção da crise envolvendo Lulinha;
    2. Fragilizar a imagem de Flávio, potencial coordenador de campanha do pai;
    3. Alimentar o discurso de que acusações de corrupção não atingem apenas o atual governo.

    A ordem é mobilizar parlamentares, militância digital e interlocutores na imprensa para lembrar que, enquanto se investigam as mensagens de Lulinha, também há perguntas sem resposta sobre o destino dos milhões investidos no longa pró-Bolsonaro.

    Próximos passos das investigações

    No campo jurídico, a Polícia Federal concentra esforços na perícia de celulares, computadores e documentos apreendidos em inquéritos que, de maneira conexa, envolvem Lulinha. Só depois dessa etapa o filho do presidente será intimado. O mesmo vale para Marcola e Roberta Luchsinger.

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    Imagem: Valdo Cruz

    Investigadores ainda tentam determinar se o contrato de canabidiol enviado por Marcola ao grupo chegou a tramitar oficialmente no Ministério da Saúde, ou se permaneceu apenas no plano das conversas particulares. Técnicos da pasta afirmam, de forma preliminar, não ter encontrado registro de assinatura ou encaminhamento formal.

    Dispositivo de contenção política

    Para evitar rupturas internas, Lula orientou ministros a não tecer comentários públicos sobre o caso. As manifestações oficiais devem limitar-se a reafirmar confiança no trabalho da PF e a defender que tudo seja esclarecido “com transparência e rapidez”.

    No Congresso, deputados governistas admitem que a oposição usará cada avanço da investigação para desgastar o Planalto em CPIs e audiências. Como antídoto, a bancada petista deve reforçar requerimentos pedindo detalhes sobre o financiamento de “Dark Horse” e sobre eventuais gastos do clã Bolsonaro no exterior.

    Cenário eleitoral fica mais turvo

    A poucos meses do início formal do calendário eleitoral, tanto PT quanto PL enxergam risco de contaminação em seus principais nomes. Um aliado de Lula resume a situação: “Temos de administrar o problema de casa sem perder de vista que o adversário também tem telhado de vidro”.

    Do outro lado, a campanha bolsonarista prepara peças publicitárias para explorar as mensagens que envolvem Lulinha. A ideia é reforçar o discurso de que “nada mudou” com a volta do PT ao poder. O contra-ataque petista, por sua vez, vai martelar a suspeita de que o filme sobre Bolsonaro serviu a interesses privados e eventuais viagens custeadas com recursos não declarados.

    Expectativa de depoimentos

    A agenda de oitivas deve ser definida nas próximas semanas. Caso o cronograma da PF se confirme, Lulinha, Marcola e Roberta Luchsinger serão chamados quase simultaneamente. Flávio Bolsonaro, por enquanto, não é alvo de convocação, mas petistas prometem pressionar por seu depoimento, defendendo que ele esclareça detalhes da negociação com Vorcaro.

    Risco de novas revelações

    Integrantes do governo temem que, à medida que mais dados dos aparelhos apreendidos sejam decifrados, surjam novas mensagens capazes de alimentar o escândalo. A avaliação é que cada vazamento pode prolongar o desgaste e atrapalhar pautas prioritárias no Congresso, como a votação do arcabouço fiscal e projetos de infraestrutura.

    Até lá, Lula pretende manter a palavra final: confiança pessoal em Lulinha, mas total liberdade para a PF investigar. Se o roteiro dessa crise se manter fiel às declarações do presidente, a próxima cena decisiva será o depoimento do filho mais velho — e a repercussão política que se seguirá dentro e fora da Esplanada.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.