Lula lamenta morte de Laura Cardoso e ressalta contribuição da atriz para a dramaturgia brasileira

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    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou, na manhã desta terça-feira (18), uma nota de pesar pela morte da atriz Laura Cardoso, 98 anos, sublinhando que o talento da artista “ajudou a construir o nosso teatro e a nossa televisão” e permanecerá vivo “na memória de gerações”. O comunicado foi divulgado nas redes sociais do chefe do Executivo menos de 12 horas depois do falecimento da veterana, ocorrido na noite de segunda (17), em São Paulo.

    Laura Cardoso sentiu-se mal em casa, no bairro do Sumaré, Zona Oeste da capital paulista, e não resistiu. O corpo foi velado nesta terça, das 9h às 15h, em cerimônia restrita na região da Bela Vista, Centro de São Paulo. A filha da atriz, Fátima Cardoso, confirmou que a despedida reuniu parentes, amigos próximos e colegas de profissão.

    Despedida em São Paulo

    Segundo Fátima, a mãe passou a tarde de segunda-feira tranquila, mas apresentou indisposição por volta das 20h. Equipes de emergência foram acionadas, porém a atriz não respondeu às manobras de socorro. O óbito foi atestado no próprio domicílio, onde Laura vivia havia mais de quatro décadas.

    A manhã seguinte foi marcada por fila de fãs em frente ao local do velório, apesar do caráter reservado da cerimônia. No interior do salão, coroas de flores enviadas por grupos de teatro, emissoras de televisão e representantes do governo federal cercavam o caixão. Pouco depois das 15h, o corpo seguiu para cremação, a pedido expresso da atriz.

    Reconhecimento oficial à trajetória

    Ordem do Mérito Cultural

    No comunicado de luto, Lula rememorou a entrega da Ordem do Mérito Cultural (OMC) a Laura Cardoso em 2007, durante seu segundo mandato. A honraria é concedida pelo Ministério da Cultura a personalidades que se destacam na promoção das artes e da identidade nacional. “Tive a honra de agraciá-la com a Ordem do Mérito Cultural em 2007”, escreveu o presidente.

    Promoção a Grã-Cruz

    O texto presidencial também citou a promoção da artista, em 2025, ao grau máximo da OMC, a Grã-Cruz. Lula destacou que a elevação de categoria reconheceu oficialmente “a importância dessa grande atriz para a cultura brasileira”. No Palácio do Planalto, à época, Laura emocionou-se ao receber a faixa simbólica da condecoração: “Nunca trabalhei pensando em medalha, mas em tocar o público”, disse ela no breve discurso de agradecimento.

    Pioneira da televisão e do teatro

    Nascida Laurinda de Jesus Cardoso em São Paulo, em 1927, Laura iniciou a carreira artística ainda adolescente em companhias de rádio-teatro. A estreia na televisão ocorreu em 1952, na então recém-inaugurada TV Tupi, quando o país experimentava as primeiras transmissões ao vivo. Ao longo de mais de oito décadas de atividade, acumulou participação em mais de 60 novelas, tornando-se a intérprete com o maior número de títulos na teledramaturgia nacional.

    A atriz transitou com naturalidade por todos os gêneros, do drama à comédia, passando pela teledramaturgia rural e pela fase das grandes produções de época. Em 2016, ganhou destaque entre o público mais jovem ao viver Dona Sinhá em “Sol Nascente”, da TV Globo. O último trabalho foi o longa-metragem “Dona Rosinha”, lançado em 2025, no qual interpretou a protagonista que dá nome ao filme.

    Nos palcos, Laura integrou elencos históricos, colaborando com autores como Gianfrancesco Guarnieri, Plínio Marcos e Maria Adelaide Amaral. Em entrevistas, gostava de ressaltar que a TV popularizou seu rosto, mas foi o teatro que forjou sua disciplina. “A câmera capta o que o palco me ensinou: verdade”, costumava repetir.

    Legado preservado na memória popular

    Ao encerrar a nota de pesar, Lula enviou “um caloroso abraço” aos familiares, amigos e colegas da atriz. A mensagem presidencial somou-se a centenas de homenagens nas redes sociais, destacando a elegância de Laura em cena e a capacidade de dialogar com diferentes gerações de telespectadores. Muitos internautas relembraram momentos marcantes de suas novelas noturnas, que, nas palavras de Lula, “embalaram as noites das famílias brasileiras”.

    Laura Cardoso deixa duas filhas, quatro netos e um legado que atravessa a história da arte cênica do país. Sua trajetória, coroada por prêmios oficiais e pelo carinho popular, confirma o diagnóstico feito pelo próprio presidente na manhã de luto: “Sua imagem estará sempre na memória de gerações”.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.