O Tribunal Superior Eleitoral recebeu o programa de 25 páginas da candidata Luciana Amorim (Unidade Popular) ao governo de Goiás. Ancorado em diagnósticos de movimentos sociais e entidades populares, o documento prevê forte expansão da participação do Estado na economia, a reversão de privatizações e um pacote de medidas que prioriza trabalhadores, população de baixa renda, mulheres, negros, indígenas, quilombolas e pessoas com deficiência.
A chapa formada por Luciana Amorim e o vice Caymmi Henrique, caso eleita em outubro, pretende executar as diretrizes entre 2027 e 2030. Reestatizar a Celg, sustar a venda de ações da Saneago e criar um salário mínimo estadual equivalente ao dobro do piso nacional aparecem entre os compromissos centrais.
Estado mais presente na economia
Reestatizações e transportes
A candidata propõe devolver ao controle público a distribuidora de energia Celg e retomar, na esfera estadual, a gestão do transporte coletivo, que hoje envolve consórcios privados. O texto também prevê barrar processos de privatização já iniciados na Saneago, mantendo saneamento e abastecimento sob tutela governamental.
Salário mínimo e frentes de trabalho
Para enfrentar o desemprego, o plano defende a criação de frentes emergenciais de obras de saneamento, postos de saúde e moradias populares. Trabalhadores dessas frentes seriam contratados diretamente pelo Estado. Além disso, está prevista a instituição de um salário mínimo estadual equivalente ao dobro do salário mínimo nacional, acompanhado de auxílio emergencial contínuo a pessoas sem ocupação formal.
Educação: tempo integral, concursos e fim do modelo militar
Ampliação da escola em tempo integral
Um dos pilares do programa é estender a jornada escolar para tempo integral em toda a rede estadual, priorizando regiões com maior vulnerabilidade socioeconômica. Para suprir a demanda, a UP promete novos concursos públicos para professores e servidores administrativos.
Desmilitarização dos colégios
O documento determina o fim do modelo militar nos colégios estaduais. Segundo a candidata, a gestão pedagógica deve voltar a ser civil, com grêmios e conselhos escolares participando das decisões.
Planos de carreira e ensino superior
O plano prevê recomposição salarial, valorização dos planos de carreira da categoria e expansão da Universidade Estadual de Goiás (UEG), com novos campi e cursos voltados a demandas regionais. Há ainda metas de erradicar o analfabetismo, ampliar vagas em creches públicas e expandir a oferta de ensino técnico.
Saúde pública fortalecida e menos OSs
Rede própria em primeiro lugar
Luciana Amorim declara intenção de reduzir a participação de organizações sociais na gestão hospitalar. Para isso, o Estado passaria a administrar diretamente unidades estratégicas ao mesmo tempo em que criaria Centros Regionais de Especialização Médica.
UPAs no interior e atenção primária
Outra medida é ampliar Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) em cidades do interior, reforçando a capacidade de resposta fora da capital. A expansão da Rede de Centros de Saúde da Família é apontada como instrumento para aliviar emergências hospitalares.

Imagem: Internet
Segurança pública e direitos sociais
Desmilitarização da polícia
O programa sustenta que a polícia deve ser desmilitarizada para adotar uma lógica de segurança cidadã. A proposta abrange formação em direitos humanos, controle externo das corporações e participação comunitária na definição de prioridades.
Políticas para mulheres e população LGBTQIA+
Entre as ações está a criação de delegacias especializadas em violência contra a mulher com funcionamento 24 horas, além de centros de referência para acolhimento, assistência jurídica gratuita e programas de prevenção. O texto defende também o combate institucional à LGBTfobia e o reconhecimento do aborto como questão de saúde pública a ser legalizada no âmbito nacional.
Reparação histórica para a população negra
A candidata propõe medidas de ação afirmativa, incluindo cotas em concursos estaduais, linhas de crédito específicas para empreendedores negros e apoio a territórios quilombolas.
Urbanismo, infraestrutura e moradia
Reforma urbana e periferias
Com foco em requalificar periferias, o plano prioriza obras de saneamento, pavimentação, iluminação pública e equipamentos de lazer. A intenção é melhorar a infraestrutura onde vivem majoritariamente trabalhadores de baixa renda.
Habitação popular e equipamentos comunitários
A UP quer implantar projetos de habitação popular a partir de imóveis ociosos ou desocupados. O texto menciona a instalação de lavanderias e restaurantes comunitários, além de hortas urbanas para fortalecer a segurança alimentar.
Mulheres na disputa pelo Palácio das Esmeraldas
Luciana Amorim, que em 2022 concorreu a vice-governadora, tenta agora ser a primeira mulher a comandar o Executivo goiano. O partido afirma que a construção coletiva do programa, ao lado de sindicatos, associações de bairro e coletivos de juventude, é um diferencial na campanha. A candidata defende, ainda, a participação social na formulação do orçamento estadual, com conselhos populares deliberando sobre alocação de recursos.
Próximos passos
Com o registro do programa no TSE, a campanha inicia a fase de debates e apresentação detalhada das propostas. Caso vença, a equipe de transição deverá priorizar, segundo o documento, a elaboração de projetos de lei para reestatizar serviços e criar o salário mínimo estadual já no primeiro ano de mandato.
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