De rival a parceiro: Alckmin consolida status de “companheiro” e volta à chapa de Lula em 2026

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    Geraldo Alckmin atravessou mais de três décadas no PSDB, enfrentou Lula nas urnas em 2006 e chegou a ser chamado de “picolé de chuchu” por rivais políticos. Hoje, porém, o médico de Pindamonhangaba tornou-se peça-chave do governo petista e foi oficialmente mantido como candidato a vice na chapa de reeleição anunciada pelo PSB em convenção nacional em Brasília. O ato sacramenta o arranjo que já havia sido antecipado por Lula em março e enterra de vez rumores sobre a substituição do vice em 2026.

    Ao garantir o lugar de Alckmin, o presidente exibe para dentro e fora do PT a consolidação de uma aliança improvável, forjada em meio à necessidade de ampliar a base de apoio ao centro e, sobretudo, a São Paulo. O gesto mostra ainda que o ex-governador superou a desconfiança de setores petistas e ganhou voz própria no Planalto, acumulando a vice-presidência com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) até abril deste ano.

    Chancela do PSB sela repetição da chapa

    A convenção do PSB, realizada na quarta-feira (29), referendou por aclamação o nome de Alckmin. A decisão era protocolar: quatro meses antes, Lula já havia declarado que reeditaria a “chapa Lula com chuchu”, alusão ao apelido dado ao vice. Dentro do partido, a permanência foi entendida como reconhecimento ao desempenho de Alckmin à frente do MDIC e na coordenação política com o setor produtivo.

    Silêncio sobre rumores de troca

    Desde o fim de 2025 circulavam especulações sobre pressões internas do PT para colocar um quadro histórico na vice. O anúncio antecipado do presidente, feito em reunião ministerial, desmobilizou qualquer articulação e reforçou a mensagem de estabilidade.

    De adversário a “companheiro Alckmin”

    Lula e Alckmin mediram forças no segundo turno de 2006. Dezesseis anos depois, Fernando Haddad e Márcio França costuraram a aproximação que culminou na filiação do ex-tucano ao PSB, abrindo espaço para a inédita dobradinha com o PT. À época, a cena dos dois ouvindo juntos a “Internacional Socialista” expôs o contraste entre a trajetória conservadora de Alckmin e o ambiente de esquerda que passava a frequentar.

    Votos de centro e força em São Paulo

    A presença do ex-governador na campanha de 2022 foi considerada decisiva para reduzir resistências em segmentos do eleitorado que se afastaram do PT, principalmente empresários, agronegócio e grupos religiosos paulistas. Lula reedita agora a mesma lógica que, em 2002 e 2006, o levou a escolher o empresário José Alencar para a vice.

    Atuação no governo Lula 3

    Resposta ao tarifaço dos EUA

    À frente do MDIC, Alckmin coordenou a reação brasileira às sobretaxas impostas pelo governo Donald Trump a produtos nacionais. Ele articulou com empresários afetados, montou grupos de trabalho interministeriais e levou o tema à Organização Mundial do Comércio, ganhando elogios de Lula pela capacidade de diálogo.

    Pacote industrial e apoio ao RS

    • Nova Indústria Brasil (NIB) – programa de crédito para modernização de fábricas;
    • Mover – estímulo à produção de veículos elétricos e híbridos;
    • Desconto temporário para veículos populares – incentivos que aqueceram vendas internas em 2023.

    Em 2023 e 2024, o vice também liderou medidas emergenciais destinadas a empresas gaúchas atingidas por enchentes, viabilizando linhas especiais do BNDES e prorrogação de impostos.

    Choques e polêmicas

    Nem todas as iniciativas tiveram aval unânime. A defesa de Alckmin da chamada “taxa das blusinhas” – imposto sobre compras internacionais de baixo valor – contrariou Lula e parte da Esplanada. Diante da pressão social e do calendário eleitoral, o presidente determinou a revogação da cobrança.

    Trajetória política consolidada

    Carreira em São Paulo

    Aos 24 anos, Alckmin virou o prefeito mais jovem da história de Pindamonhangaba. Foi deputado estadual, federal e constituinte em 1988. No Palácio dos Bandeirantes, governou São Paulo por 14 anos somados, seja na sucessão de Mário Covas (2001-2006) ou em mandatos próprios (2011-2018). Durante esse período enfrentou a crise hídrica de 2014, greves de professores e denúncias sobre contratos do Metrô.

    Disputas nacionais e investigações

    Fora do estado, concorreu à Presidência em 2006, quando perdeu para Lula no segundo turno, e em 2018, ficando em quarto lugar. Em 2020 foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo por suspeita de caixa dois, corrupção passiva e lavagem de dinheiro ligadas às campanhas de 2010 e 2014; a defesa do ex-governador nega irregularidades e afirma que as doações seguiram a legislação.

    Perfil pessoal

    Filho de Geraldo Alckmin e Miriam Rodrigues, o vice nasceu em 7 de novembro de 1952. Formado em Medicina pela Universidade de Taubaté, especializou-se em anestesiologia e ainda hoje exerce o ofício em emergências pontuais: foi dele a primeira assistência a um homem que desmaiou em evento em Manaus, em 2024, e foi ele quem aplicou em Lula a dose da vacina contra a gripe, no lançamento da campanha de imunização de 2023.

    Casado desde 1974 com a professora Maria Lúcia Alckmin, a “Lu”, ele teve três filhos – Sophia, Geraldo e Thomaz, este último morto em um acidente de helicóptero em 2015. O casal tem sete netos.

    Ao transitar do conservadorismo tucano para o pragmatismo socialista, Alckmin reduziu a distância ideológica que o separava do PT e hoje carrega o título de “companheiro” concedido por Lula. A convenção do PSB apenas formaliza um arranjo que, pelos cálculos do Planalto, pode ser decisivo para manter a coalizão no poder em 2026.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.