Flávio Bolsonaro troca equipe de comunicação pela segunda vez e traz Duda Lima para chefiar estratégia de 2026

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    Menos de uma semana após a convenção que marcou oficialmente sua entrada na corrida presidencial de 2026, o senador Flávio Bolsonaro (PL) decidiu fazer nova mudança no comando da sua comunicação. O publicitário Duda Lima, conhecido por ter dirigido a campanha de Jair Bolsonaro em 2022, assume o posto que esteve, nos últimos 35 dias, nas mãos de Alexandre Oltramari e Eduardo Fischer.

    A substituição, confirmada na manhã desta quinta-feira (30), responde à turbulência provocada pela exibição de um vídeo gerado por inteligência artificial que retratava o ex-presidente Jair Bolsonaro em prisão domiciliar. A peça publicitária levou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, a exigir explicações do partido e intensificou pressões internas por mudanças na estratégia.

    Troca relâmpago expõe tensões dentro do PL

    Oltramari e Fischer ficaram pouco mais de um mês no comando da campanha. Eles haviam sido chamados em maio, logo depois de Marcello Lopes — o “Marcellão” — desistir do cargo antes mesmo de oficializar a contratação. O motivo da saída do primeiro escolhido foi, segundo ele próprio, o desejo de se dedicar à sua agência de publicidade, mas dirigentes do PL relatam que divergências sobre o tom da campanha já se faziam sentir.

    A investida mais recente — o polêmico vídeo em que um avatar de Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar — escancarou a disputa entre núcleos bolsonaristas sobre como equilibrar ataques ao Supremo e a busca por votos fora da base ideológica. A leitura majoritária dentro do partido é de que a peça expôs o candidato a novos confrontos jurídicos e ampliou o desgaste junto a eleitores moderados.

    Nota de agradecimento e bastidores do convite

    Em comunicado, a equipe de Flávio Bolsonaro agradeceu “as contribuições importantíssimas” de Oltramari e Fischer e desejou que ambos “continuem colaborando para o aperfeiçoamento de nossa democracia”. Nos bastidores, dirigentes relatam que Valdemar Costa Neto, presidente da legenda, foi decisivo para convencer Duda Lima a aceitar a missão. O marqueteiro, que mantinha contrato de consultoria com o PL, teria pedido autonomia para formatar a comunicação sem ingerências diretas dos filhos do ex-presidente.

    Quem é Duda Lima

    Com mais de duas décadas de atuação em campanhas eleitorais, Duda Lima ganhou projeção nacional em 2022, quando assumiu, já no segundo turno, a comunicação da tentativa de reeleição de Jair Bolsonaro. Na ocasião, recebeu a tarefa de “suavizar” a imagem do então presidente, alvo de críticas por discursos considerados radicais. Ele desenvolveu vídeos que enfatizavam a família, a fé e o discurso econômico, tentando afastar o foco das polêmicas sobre vacinas e ataques a instituições.

    Dois anos depois, em 2024, o publicitário surpreendeu o mercado ao anunciar, no programa “Roda Viva”, que não assinaria mais campanhas. “Nunca me vi sendo marqueteiro, as coisas foram acontecendo”, declarou na entrevista. A promessa de aposentadoria, porém, durou pouco: logo ele se envolveu na disputa pela Prefeitura de São Paulo, onde comandou a vitoriosa campanha de Ricardo Nunes (MDB).

    Episódio do soco em debate

    A passagem pela eleição paulistana também rendeu manchetes menos favoráveis. Num debate organizado pelo grupo Flow, Duda Lima trocou provocações com Nahuel Medina, assessor do candidato Pablo Marçal (União). O bate-boca terminou em agressão física contra o marqueteiro, que precisou prestar depoimento à polícia e registrou boletim de ocorrência por lesão corporal. O episódio reforçou a imagem de um profissional combativo, disposto a atuar na linha de frente.

    Histórico recente de idas e vindas

    Desde que confirmou a intenção de disputar a Presidência, em março, Flávio Bolsonaro acumula trocas de pessoal na área de comunicação. Primeiro, o publicitário Marcello Lopes saiu alegando razões pessoais; depois, Oltramari e Fischer assumiram em meio a outra crise: a revelação da relação comercial entre o senador e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O caso rendeu questionamentos sobre possível conflito de interesses e motivou ajustes na linha de comunicação.

    A chegada de Duda Lima, portanto, representa a terceira tentativa de blindar o candidato de novos desgastes e, simultaneamente, imprimir narrativa capaz de furar a bolha conservadora. Auxiliares relatam que o principal desafio do marqueteiro será calibrar o discurso para segurar a base bolsonarista — sensível a pautas como revisão das urnas eletrônicas e críticas ao STF — sem afastar segmentos que rejeitam confrontos institucionais.

    Peso de Valdemar Costa Neto na decisão

    Presidente do PL, Valdemar Costa Neto tem atuado como fiador da campanha de Flávio Bolsonaro. Ele foi o principal interlocutor junto a Duda Lima e participou das conversas que resultaram no convite. Dentro do partido, a aposta é de que a credibilidade do publicitário junto ao núcleo bolsonarista e a boa relação com o mercado podem pacificar disputas internas e aproximar doadores privados, fundamentais para a fase inicial da corrida presidencial.

    Próximos passos da campanha

    A primeira missão de Duda Lima será redesenhar o cronograma de inserções em rádio e televisão, previsto para começar em agosto, além de revisar todas as peças digitais que estavam em produção. Dirigentes do PL afirmam que o marqueteiro já recebeu sinal verde para montar equipe própria e contratar criativos especializados em inteligência artificial — ferramenta que seguirá, segundo fontes, sendo explorada, mas com “freios de segurança jurídica”.

    Embora aliados considerem improvável uma nova mudança de comando antes do início oficial da campanha, o histórico de substituições reforça a percepção de instabilidade. Integrantes da bancada do partido no Congresso, consultados pela reportagem, avaliam que o senador precisará demonstrar capacidade de unificar discursos díspares dentro da direita para se manter competitivo contra adversários que já vêm construindo pontes ao centro.

    No curto prazo, a campanha pretende concentrar esforços em eventos regionais no Sul e no Centro-Oeste, regiões onde Flávio Bolsonaro herda parte do capital político do pai e detém índices mais altos de intenção de voto. Duda Lima também estuda retomar o formato de lives semanais, marca da comunicação digital de Jair Bolsonaro, mas com linguagem menos beligerante e participação de convidados do agronegócio, da segurança pública e de movimentos religiosos.

    Se a estratégia surtirá efeito, só as próximas pesquisas indicarão. No QG do PL, contudo, a aposta é de que a chegada do novo marqueteiro encerre — ao menos por ora — a dança das cadeiras que vinha corroendo tempo, recursos e paciência de quem tenta emplacar Flávio Bolsonaro como herdeiro político direto do ex-presidente. {internal_links}

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.