Eleições 2026 têm 28 candidatos que pegam carona nos sobrenomes Lula e Bolsonaro

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    O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) recebeu, para as eleições municipais de 2026, 28 registros de candidatura em que os postulantes acrescentaram “Lula” ou “Bolsonaro” ao nome de urna sem deter parentesco nem direito legal ao sobrenome. O movimento, que já existia em pleitos anteriores, atingiu em 2026 o maior patamar desde 2018, puxado sobretudo pelo crescimento do número de “Bolsonaros”.

    Ao todo, 41 concorrentes aparecem com um dos dois sobrenomes na urna. Desses, 13 têm o registro civil, o apelido tradicional ou algum grau de parentesco com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Os demais 28 enxergam na associação direta a esses líderes políticos uma estratégia para atrair eleitores — ainda que, em um dos casos, um candidato pró-Bolsonaro se apresente como “o Lula do Bem”.

    Explosão de “Bolsonaros” nas urnas

    O fenômeno é visível nos números históricos do TSE. Em 2018, apenas dois candidatos sem laços familiares usaram o sobrenome Bolsonaro. Quatro anos depois, já eram 15. Em 2026, o contingente atinge 20, um salto de dez vezes em oito anos. O ritmo de crescimento contrasta com a trajetória dos “Lulas”, que caíram de dez em 2018 para sete em 2022 e subiram levemente para oito em 2026.

    Entre os 20 que recorrem ao nome do ex-presidente:

    • 16 são homens e 4 são mulheres;
    • 12 filiaram-se ao PL, legenda de Bolsonaro;
    • os demais repartem-se entre Podemos (2), Agir (1), Progressistas (1), Democrata (1), Democracia Cristã (1) e Novo (1).

    Quanto aos cargos pleiteados, a maioria mira o Legislativo: oito buscam vaga de deputado estadual no Ceará, em São Paulo, Sergipe, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Paraná; sete tentam a Câmara dos Deputados por Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo e Mato Grosso. Há ainda três candidaturas ao Senado (Roraima, Rondônia e Tocantins), uma para deputado distrital no Distrito Federal e uma ao governo do Rio Grande do Norte.

    Perfil dos “Lulas” eleitorais

    Dos oito postulantes que adicionaram “Lula” sem relação de sangue, cinco são homens e duas, mulheres; o oitavo — que se apresenta como “o Lula do Bem” — apoia Bolsonaro e diz aproveitar a semelhança física com o presidente petista para “combater o Lula de verdade”.

    Partidariamente, a lista é dominada pelo PT, que abriga seis desses candidatos. O Avante completa o grupo com um filiado. Três disputam assembleias legislativas (Alagoas, Maranhão e Rio de Janeiro) e dois querem mandato federal por Minas Gerais. No Rio Grande do Norte, há um “Lula” concorrendo ao Senado e outro ao Executivo estadual.

    Motivações e regras para o uso de sobrenomes

    Os dados enviados ao TSE mostram que a adoção de Lula ou Bolsonaro por parte de candidatos sem ligação familiar ocorre, em geral, como “referência política” — justificativa registrada oficialmente junto à Justiça Eleitoral. Na prática, trata-se de uma tentativa de transferir parte do capital eleitoral dos líderes nacionais para campanhas locais.

    A legislação permite que o candidato escolha um nome de urna, desde que não haja intenção de fraude ou confusão com outro concorrente do mesmo pleito. A aprovação final cabe ao juiz eleitoral, que analisa cada caso individualmente. Por isso, mesmo sem sobrenome no registro civil, o postulante pode aparecer nas urnas como “Fulano Bolsonaro” ou “Ciclana Lula” se o juiz entender que não há impedimento legal.

    Os 13 nomes “de raiz”

    Além dos 28 que adotaram os sobrenomes por afinidade política, outras 13 candidaturas apresentam Lula ou Bolsonaro por direito de batismo, parentesco ou tradição. Nesse grupo estão, por exemplo, filhos, sobrinhos e netos de Jair Bolsonaro, além de políticos chamados Luiz que utilizam “Lula” como apelido histórico. Esses casos não entram na estatística de uso estratégico analisada pelo TSE, porque o sobrenome ou alcunha já consta do registro civil.

    Evolução comparativa 2018-2026

    1. 2018: 12 candidaturas sem parentesco (10 “Lulas” e 2 “Bolsonaros”)
    2. 2022: 22 candidaturas sem parentesco (7 “Lulas” e 15 “Bolsonaros”)
    3. 2026: 28 candidaturas sem parentesco (8 “Lulas” e 20 “Bolsonaros”)

    Os números confirmam que a popularidade do ex-presidente impulsiona uma corrida para incorporar seu nome, enquanto o petista mantém uma base mais estável de admiradores dispostos a seguir o mesmo caminho.

    Mapa das candidaturas

    Apesar de espalhados pelo país, alguns estados concentram mais “Bolsonaros” eleitorais. São Paulo, por exemplo, tem candidatos tanto à Assembleia Legislativa quanto à Câmara Federal. Já Minas Gerais aparece com três nomes na corrida pela Câmara dos Deputados — todos ligados ao ex-mandatário.

    No lado petista, o Nordeste reúne metade dos “Lulas” sem parentesco, reflexo da força eleitoral do presidente na região. Alagoas, Maranhão e Rio Grande do Norte somam quatro candidaturas com o sobrenome do chefe do Executivo.

    Impacto na propaganda eleitoral

    Embora o uso do sobrenome possa facilitar a identificação junto ao eleitorado, analistas consultados pelo TSE alertam que a estratégia não garante sucesso nas urnas. Em pleitos passados, vários candidatos que recorreram a Lula ou Bolsonaro obtiveram votações irrisórias. Ainda assim, a presença maciça dessas marcas pessoais no horário de rádio, TV e nas redes sociais tende a reforçar a polarização que marcou os últimos ciclos eleitorais.

    Com o início oficial da campanha, o tribunal manterá fiscalização sobre possíveis usos indevidos dos nomes, sobretudo em peças que induzam o eleitor a pensar que o candidato tem apoio direto do presidente ou do ex-presidente. Qualquer material publicitário que ultrapasse o limite da referência política para a tentativa de enganar o voto pode resultar em multa ou cassação de candidatura.

    O que vem a seguir

    O TSE encerra o prazo para substituição de candidatos poucas semanas antes do primeiro turno. Até lá, eventuais impugnações e contestações judiciais ainda podem alterar o quadro de “Lulas” e “Bolsonaros” espalhados pelo país. Caso todos se mantenham na disputa, 2026 terá o maior número já registrado de postulantes sem parentesco ostentando os dois sobrenomes mais influentes da política nacional recente.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.