Endividamento público bate 81,9% do PIB e já soma alta de 10 pontos na gestão Lula

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    A dívida bruta do setor público brasileiro alcançou 81,9% do Produto Interno Bruto em junho, o equivalente a R$ 10,8 trilhões. O patamar, divulgado pelo Banco Central, é o mais alto em mais de cinco anos e representa um salto de 10,2 pontos percentuais desde o fim de 2022, início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

    Com o avanço, o endividamento se aproxima do recorde registrado em 2020, no auge das despesas extraordinárias da pandemia, quando chegou a 87,7% do PIB. O crescimento reacende preocupações sobre a capacidade de pagamento do país e pressiona a taxa de juros cobrada de famílias e empresas.

    Escalada do endividamento em números

    O que é a dívida do setor público consolidado

    O indicador reúne as obrigações financeiras da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios. É considerado um termômetro de solvência: quanto maior a proporção da dívida em relação ao PIB, maior o risco percebido de calote em cenários de estresse econômico.

    Salto recente e comparação histórica

    Em dezembro de 2022, a dívida representava 71,7% do PIB. Desde então, cresceu 10,2 pontos percentuais. O avanço repete um movimento que não ocorria desde 2015, primeiro ano do segundo mandato de Dilma Rousseff, quando o endividamento também deu salto de dois dígitos.

    O dado de junho supera todos os números verificados depois de abril de 2021, mês em que o índice atingiu 82,6% em meio à crise sanitária. O pico histórico, 87,7% do PIB, permanece como referência de risco para o mercado.

    Impactos sobre juros e economia real

    Pressão sobre a Selic e o crédito

    Quanto maior a dívida, maior a taxa de retorno exigida por quem compra títulos públicos, o que se reflete na Selic. O ex-presidente do BC Roberto Campos Neto resumiu a lógica em 2023: “O juro é alto porque a dívida é alta”. O encarecimento do crédito alcança empresas e consumidores, restringindo o crescimento econômico.

    A opinião do mercado financeiro

    Analistas veem dificuldade na redução dos juros enquanto o governo não demonstrar capacidade de estabilizar o endividamento. A leitura dominante é que arrecadação extra, sozinha, não basta sem limitação de despesas.

    Brasil no espelho internacional

    Critério do FMI eleva o número para 95,8% do PIB

    Ao adotar o padrão do Fundo Monetário Internacional — que inclui na conta títulos em carteira do Banco Central — a dívida brasileira salta para 95,8% do PIB, aproximando-se do pico de 96,7% registrado em fevereiro de 2021.

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    Imagem: Internet

    Distância para outras economias emergentes

    Mesmo pelo critério do FMI, o Brasil termina 2025 estimado em 93,4% do PIB, bem acima da média dos emergentes (73,6%) e da América Latina (71,1%). Ainda fica abaixo de economias avançadas e do G7, mas supera o bloco da zona do euro.

    Por que a dívida cresceu tanto

    Gastos aprovados desde 2022

    • PEC da Transição: liberou cerca de R$ 170 bilhões anuais adicionais para despesas sociais.
    • Reajuste real do salário mínimo: volta a conceder aumento acima da inflação, elevando benefícios previdenciários atrelados ao piso.
    • Pisos de saúde e educação: gastos mínimos voltaram a ser vinculados à receita, saindo do antigo teto de gastos.
    • Pagamento de precatórios atrasados: injetou R$ 92,3 bilhões no fim de 2023 e início de 2024.
    • Reajustes a servidores: retomada das negociações salariais para cerca de 100 categorias.

    Trajetória por mandatos presidenciais

    Pelo conceito do FMI, a dívida recuou nos dois primeiros governos Lula (2003-2010), subiu de forma acentuada no segundo mandato de Dilma, continuou avançando sob Michel Temer e atingiu o pico na gestão Jair Bolsonaro, quando gastos emergenciais da pandemia foram decisivos. Entre 2019 e 2022, contudo, houve leve queda de 0,8 ponto. No atual mandato, o índice já subiu 10,2 pontos.

    O que governo e especialistas propõem

    Arcabouço fiscal e metas de superávit

    A equipe econômica aposta no arcabouço fiscal aprovado em 2023, que limita o crescimento real das despesas a 70% da variação da arrecadação e impõe teto de 2,5% ao aumento anual dos gastos. A intenção é conter a expansão da dívida ao longo do tempo.

    Para a Instituição Fiscal Independente, ligada ao Senado, seria necessário um superávit primário acima de 2% do PIB para reverter a trajetória. O governo ainda não saiu do déficit, mesmo após elevar a carga tributária a recordes recentes.

    Cobrança por corte de gastos

    O mercado financeiro, enquanto isso, cobra ênfase maior na contenção das despesas obrigatórias. Sem isso, avaliam analistas, a dívida pode se aproximar novamente do pico observado na pandemia, limitando o espaço para a queda sustentada dos juros.

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    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.