Déficit primário alcança R$ 55,3 bilhões em junho e pressiona dívida para 10% do PIB em doze meses

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    O setor público brasileiro voltou a registrar forte deterioração em junho: o Banco Central calculou déficit primário de R$ 55,3 bilhões no mês, valor que agrava a trajetória da dívida e afasta o governo da meta positiva fixada para 2026. Quando se somam os juros da dívida, o rombo salta para R$ 166 bilhões apenas em junho e acumula R$ 1,32 trilhão em doze meses – montante equivalente a 10% do Produto Interno Bruto (PIB).

    O resultado de junho é pior do que o observado no mesmo mês de 2025, quando o déficit primário ficou em R$ 47,1 bilhões. A sequência de números negativos tem elevado a dívida bruta, que já avança dez pontos percentuais do PIB desde o início do atual mandato presidencial.

    Situação fiscal em junho

    O desempenho ruim foi generalizado entre os entes federativos:

    • Governo federal: saldo negativo de R$ 47,2 bilhões;
    • Estados e municípios: déficit de R$ 6,6 bilhões;
    • Empresas estatais: rombo de R$ 1,47 bilhão.

    Contas primárias x resultado nominal

    O déficit primário mede a diferença entre receitas e despesas, excluindo o gasto com juros. Já o resultado nominal – principal referência internacional para avaliação de risco – incorpora os juros pagos sobre a dívida pública. Em junho, esse custo financeiro foi determinante para que o déficit nominal atingisse R$ 166 bilhões. Nos doze meses encerrados no mês, as despesas com juros somaram R$ 1,16 trilhão, ou 8,8% do PIB, segundo o BC.

    Semestre fecha com rombo de R$ 80,2 bilhões

    Entre janeiro e junho, o setor público acumulou déficit primário de R$ 80,2 bilhões, o equivalente a 1,2% do PIB. No mesmo intervalo do ano passado havia superávit de R$ 22 bilhões (0,35% do PIB). No governo central, o recuo foi ainda mais acentuado: déficit de R$ 93,4 bilhões este ano contra R$ 12,3 bilhões negativos em igual período anterior.

    Impacto dos precatórios

    Parte da piora decorre da antecipação do pagamento de precatórios promovida pela Secretaria do Tesouro Nacional. A quitação dessas sentenças judiciais elevou as despesas já no primeiro semestre, pressionando o saldo primário.

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    Meta fiscal ameaçada

    O arcabouço fiscal aprovado em 2023 estabelece, para 2026, meta de superávit primário de 0,25% do PIB (aproximadamente R$ 34,3 bilhões), com banda de tolerância de 0,25 ponto percentual. Dessa forma, o objetivo será considerado cumprido se o resultado ficar entre zero e 0,5% de superávit – ou seja, de saldo neutro até cerca de R$ 68,6 bilhões positivos.

    Déficit primário alcança R$ 55,3 bilhões em junho e pressiona dívida para 10% do PIB em doze meses - Imagem do artigo original

    Imagem: Internet

    O texto autoriza ainda o abatimento de até R$ 63,5 bilhões em determinadas despesas, como precatórios, do cálculo da meta. Mesmo com essa margem, a projeção oficial divulgada pelo governo aponta para déficit próximo de R$ 52 bilhões este ano. Caso se confirme, significa que as contas permanecerão no vermelho durante todo o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

    Juros elevam rombo para R$ 1,3 trilhão em 12 meses

    Com a taxa Selic mantida em 14,25% ao ano, os gastos com juros seguem em patamar elevado. O resultado nominal negativo de R$ 1,32 trilhão em doze meses é acompanhado de perto por agências de classificação de risco e investidores, pois indica maior necessidade de financiamento e pressiona o custo de rolagem da dívida.

    Sinal de alerta para o mercado

    Analistas consideram que, sem ajuste consistente nas despesas, o país corre o risco de ver sua dívida crescer de forma acelerada. A economista-chefe do Banco Inter, Rafaela Vitória, comentou em rede social que a falta de urgência para enfrentar o gasto com juros “só aumenta o custo do ajuste” futuro, destacando o peso de um déficit nominal equivalente a 10% do PIB.

    Enquanto as atenções se voltam para a tramitação de medidas de ajuste no Congresso e para a definição do próximo passo da política monetária, o desempenho das contas públicas continuará no radar dos agentes econômicos. O governo aposta em melhora da arrecadação e em contenção de gastos para tentar reduzir o rombo e preservar a nota de crédito do país.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.