Augusto Cury promete reforma administrativa com corte de 15 mil cargos e redução de ministérios

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    O presidenciável Augusto Cury (Avante) declarou que, se eleito em 2026, fará uma ampla reforma administrativa que incluirá avaliação de desempenho para servidores, corte de ao menos 15 mil funções comissionadas e enxugamento do número de ministérios. Em entrevista ao SBT News na noite de terça-feira (18), o escritor e psiquiatra sustentou que a máquina pública “opera muito acima do tamanho necessário” e que o enxugamento será condição para enfrentar o que chamou de “bomba fiscal” prevista para o próximo ano.

    Cury disse não ter condições de prometer déficit zero já no primeiro ano de mandato, mas afirmou que trabalhará para aproximar as contas públicas desse patamar. Segundo ele, prometer equilíbrio imediato seria “irresponsável”, porém o ajuste virá gradualmente com a economia gerada pelos cortes e pela reavaliação de despesas.

    Revisão profunda na estrutura federal

    Avaliação contínua e redução de ministérios

    O candidato pretende implantar um modelo permanente de avaliação de desempenho no funcionalismo, medida que, segundo ele, permitirá premiar servidores eficientes e afastar quem não atingir resultados mínimos. Paralelamente, quer enxugar ministérios — sem cravar número exato — a fim de eliminar sobreposições e agilizar a tomada de decisões.

    Corte de cargos comissionados

    Hoje, estima-se que existam cerca de 50 mil cargos de livre nomeação no Executivo federal. A proposta de Cury é extinguir pelo menos 15 mil desses postos. Ele argumenta que muitos são “moeda de troca” política e que o Estado deve basear a ocupação de funções em critérios técnicos.

    Agenda econômica: BNDES fatiado e microcrédito turbinado

    Dois bancos em um

    Na seara do desenvolvimento, o presidenciável defende dividir o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em duas instituições: uma focada em grandes empreendimentos e outra dedicada exclusivamente a micro e pequenas empresas. O objetivo, diz, é evitar que recursos destinados à base da economia sejam drenados por projetos de alto valor.

    Petrobras como fonte de financiamento

    Para irrigar o novo braço de microcrédito, Cury sugere direcionar parte dos dividendos pagos pela Petrobras à União. A meta é bancar até um milhão de microempresas, ampliando acesso a capital de giro e estimulando geração de empregos.

    Pacto institucional: fim da reeleição e Supremo mais enxuto

    Mandato único para presidente

    Cury se diz contrário à possibilidade de segundo mandato consecutivo no Executivo federal. Para ele, a chance de reeleição teria se tornado um “incentivo à corrupção”, pois governantes gastariam energia e recursos públicos na própria campanha em vez de focar em políticas de Estado.

    STF com nove ministros

    Outra bandeira é reduzir de 11 para 9 o número de integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF). A nomeação deixaria de ser prerrogativa do presidente da República e passaria a entidades de classe. Pela fórmula defendida, dois terços das vagas ficariam com magistrados de carreira, outras duas ou três seriam preenchidas por membros do Ministério Público e uma por representante da advocacia.

    Crise institucional e 8 de Janeiro

    Ao comentar a tensão entre Poderes, o candidato afirmou que pretende “pacificar o país”, classificado por ele como “dividido, polarizado e radicalizado”. Nesse contexto, prometeu revisar, com um grupo de juristas, as sentenças aplicadas aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023. Cury admite conceder perdão presidencial a quem, na sua visão, tenha recebido penas desproporcionais, mas garante que a análise será “criteriosa e caso a caso”.

    Impacto fiscal e desafios imediatos

    O presidenciável reconhece que o próximo chefe do Executivo herdará forte pressão sobre as contas públicas, e calcula que a combinação de despesas obrigatórias e renúncias fiscais criará um cenário de alto déficit. Por isso, além do corte de cargos e ministérios, sinaliza revisão em subsídios e incentivos, sem detalhar quais. “Não se pode tapar o sol com a peneira”, afirmou, ao justificar a meta de levar o déficit “para perto de zero” antes de tentar zerá-lo.

    Próximos passos da campanha

    A entrevista que trouxe à tona esse conjunto de propostas ocorreu um dia após o lançamento oficial da pré-campanha em Manaus. Cury agora planeja percorrer capitais e cidades médias com enfoque em temas de gestão pública, saúde mental e empreendedorismo — áreas em que construiu sua trajetória como escritor e palestrante. A expectativa de sua equipe é que a pauta anticorrupção, associada ao corte de gastos, atraia eleitores descontentes com o tamanho do Estado e com a escalada da dívida.

    Até a definição das alianças partidárias, o Avante trabalha para ampliar palanques regionais e apresentar estudos que sustentem as teses de reforma administrativa e desburocratização. Segundo correligionários, essas iniciativas poderão servir como base de negociação com legendas interessadas em aderir ao projeto que quer “um governo mais leve, porém mais eficiente”.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.