Mesmo separados por ideologia e estratégia de campanha, os seis candidatos mais bem posicionados para a eleição presidencial de 2026 divulgam programas que se tocam em pontos decisivos da agenda pública. Levantamento feito a partir dos planos entregues ao Tribunal Superior Eleitoral mostra consenso em cinco frentes: expansão do ensino em tempo integral, criação de um prontuário eletrônico único no Sistema Único de Saúde (SUS), ampliação da malha ferroviária, universalização do saneamento básico e combate às facções criminosas.
Na prática, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e os oposicionistas Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo) falam a mesma língua nessas áreas, ainda que cada um lance mão de caminhos e ênfases distintas para chegar lá. A seguir, os pontos de convergência e as nuances de cada proposta.
Educação em tempo integral
Os programas reconhecem que apenas um quarto das matrículas da educação básica é integral e fazem da expansão dessa modalidade uma prioridade absoluta.
- Lula classifica o tema como “absoluta prioridade” e promete acelerar obras do Novo PAC para apoiar estados e municípios.
- Flávio Bolsonaro defende mais horas de aula, reforço escolar e atividades culturais, com escolas abertas também nas férias.
- Ronaldo Caiado quer ensino integral que inclua esporte, cultura, ciência e projeto de vida, focando em territórios vulneráveis.
- Renan Santos propõe replicar nacionalmente o modelo cearense, cuja rede já beira 90% de escolas integrais.
- Augusto Cury planeja “clubes de desenvolvimento humano” nas unidades, com espaços para teatro, música e práticas de convivência.
- Romeu Zema aposta em financiamento e parcerias privadas condicionadas a resultados de aprendizagem.
Prontuário eletrônico único no SUS
A digitalização de informações de saúde entrou na pauta de todos os presidenciáveis. A meta comum é integrar dados de pacientes em uma só plataforma, acessível a profissionais e usuários.
- Lula fala em consolidar o prontuário único pela Rede Nacional de Dados em Saúde, unindo sistemas federal e estaduais.
- Flávio Bolsonaro vincula o registro ao CPF e ao portal gov.br, com abertura para a rede privada.
- Ronaldo Caiado propõe o “SUS Digital” até 2030, incluindo telemedicina e acompanhamento de filas cirúrgicas.
- Renan Santos sugere o Prontuário Eletrônico Nacional Interoperável, inspirado em modelo salvadorenho e apoiado por inteligência artificial.
- Augusto Cury prioriza indicadores de eficiência e redução de filas via integração de sistemas.
- Romeu Zema defende histórico clínico nacional e internet em todas as unidades para atualizar dados em tempo real.
Indústria sobre trilhos: a volta das ferrovias
Hoje responsável por cerca de 5% do escoamento da produção, a malha ferroviária reaparece como aposta para baratear fretes e reduzir a dependência das rodovias.

Imagem: Internet
- Lula pretende intensificar concessões ferroviárias dentro do Novo PAC.
- Flávio Bolsonaro fala em investir R$ 900 bilhões em logística e cita Ferrogrão e Transnordestina como símbolos do plano.
- Ronaldo Caiado prioriza Ferrogrão, Norte–Sul, Fiol e Transnordestina por meio de concessões privadas.
- Renan Santos estabelece meta de 10 mil km adicionais com auxílio de um novo regime de autorizações.
- Augusto Cury sugere cinco corredores ferroviários estratégicos nas regiões Nordeste, Sudeste e Sul.
- Romeu Zema reforça a importância de integrar trilhos a portos e rodovias para reduzir custos de transporte.
Saneamento básico e a corrida rumo a 2033
Com apenas 6% dos municípios já universalizados, o setor reúne o maior grau de concordância entre os candidatos, todos favoráveis às metas do Marco Legal do Saneamento.
- Lula fala em “reforma urbana” e investimentos contínuos, incluindo soluções ecológicas para áreas rurais.
- Flávio Bolsonaro defende a plena aplicação do marco sancionado em 2020, acelerando concessões privadas.
- Ronaldo Caiado promete leilões de parcerias público-privadas e inclusão de resíduos sólidos e drenagem urbana.
- Renan Santos condiciona repasses federais ao cumprimento de metas de universalização.
- Augusto Cury inclui saneamento no programa “Comunidade 4.0”, que engloba pavimentação e contenção de encostas.
- Romeu Zema quer fortalecer a Agência Nacional de Águas e Saneamento para padronizar a regulação do setor.
Facções criminosas sob mira nacional
Embora divirjam sobre a dureza das medidas, os seis postulantes reconhecem a urgência de conter o avanço das facções, presentes em dois terços da população da Amazônia Legal, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Enquadramento legal e força policial
- Lula sustenta a Lei Antifacção aprovada em 2026 e promete agilizar processos contra líderes do crime organizado, além de barrar candidaturas ligadas às quadrilhas.
- Flávio Bolsonaro quer classificar facções e milícias como organizações narcoterroristas e autorizar o abate de criminosos armados com fuzil.
- Ronaldo Caiado propõe lei para rotular os grupos como “terroristas domésticos” e recorrer às Forças Armadas.
- Romeu Zema segue linha semelhante, com uso da Força Nacional, isolamento de lideranças e combate à lavagem de dinheiro.
Asfixia financeira e ações estruturantes
- Renan Santos declara “guerra ao crime”, prevê estados de defesa em áreas dominadas e defende inversão do ônus da prova no confisco de bens.
- Augusto Cury aposta na efetivação do Sistema Único de Segurança Pública com compartilhamento de inteligência e corte de vias de financiamento.
Em suma, embora se acusem mutuamente na arena eleitoral, Lula e seus cinco rivais identificam prioridades semelhantes em temas que afetam o cotidiano de milhões de brasileiros. As diferenças repousam menos sobre “o quê” fazer e mais sobre “como” ‑ e com qual velocidade ‑ cada um pretende entregar resultados a partir de 2027.
