Aldo Rebelo é escalado para comandar articulação política da campanha de Ronaldo Caiado

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    O ex-presidente da Câmara dos Deputados e ex-ministro Aldo Rebelo foi oficializado, nesta quinta-feira (30), como coordenador político da campanha de Ronaldo Caiado (PSD) à Presidência da República em 2026. O convite partiu do próprio governador goiano e de seu vice na chapa, Gilberto Kassab, durante encontro com o articulador nacional do PSD, Heráclito Fortes.

    Com a escolha, a legenda pretende reforçar a ponte com diferentes setores da sociedade e exibir um quadro com experiência nos três Poderes para elaborar propostas de governo e costurar alianças regionais.

    Estratégia eleitoral do PSD

    A nomeação de Rebelo acompanha o esforço do partido em ampliar seu arco de diálogo, sobretudo após a convenção nacional realizada no último domingo, em São Paulo, que homologou a candidatura de Caiado. Na ocasião, o alagoano já havia ganhado holofotes ao discursar antes do próprio presidenciável, elogiando sua “ficha limpa” e defendendo a necessidade de reunificar o país em torno da retomada do crescimento econômico.

    Papel de Aldo Rebelo na campanha

    Na função de coordenador político, Rebelo terá a missão de articular apoios de legendas pequenas e médias, negociar palanques estaduais e aproximar a chapa de segmentos empresariais, sociais e regionais que ainda resistem a Caiado. A previsão é que ele também lidere a elaboração do programa de governo, contando com a colaboração de economistas e especialistas em infraestrutura e meio ambiente.

    Internamente, sua chegada é vista como um contrapeso à imagem conservadora do governador goiano, sobretudo no Nordeste, onde Rebelo construiu capital político ao longo de três décadas. Dirigentes do PSD apontam que a troca de sinais à esquerda e à direita faz parte da estratégia de ocupar o espaço de candidatura considerada “de centro” nas eleições de 2026.

    Trajetória política de Aldo Rebelo

    Nascido em Viçosa (AL), o jornalista e escritor cresceu no movimento estudantil, chegando à presidência da União Nacional dos Estudantes (UNE) durante a campanha das Diretas Já. Em 1991, elegeu-se deputado federal e permaneceu na Câmara por cinco mandatos consecutivos.

    Do movimento estudantil ao Congresso

    Ao longo de sua atuação parlamentar, destacou-se por pautas ligadas à identidade nacional. É dele a lei que transformou 20 de novembro em Dia Nacional de Zumbi dos Palmares e o relatório que deu origem ao atual Código Florestal. Entre 2005 e 2007, comandou a Casa Baixa, adquirindo experiência no xadrez legislativo que agora pretende replicar na montagem da base de apoio de Caiado.

    Passagem pelo Executivo

    Rebelo acumulou cargos no primeiro escalão dos governos petistas. No mandato inaugural de Luiz Inácio Lula da Silva, chefiou a Secretaria de Coordenação Política e Relações Institucionais. Na gestão Dilma Rousseff, ocupou três pastas: Esporte, Ciência, Tecnologia e Inovação, e Defesa. O trânsito em áreas tão distintas ampliou seu leque de interlocutores, algo valorizado pelo PSD.

    Relação com diferentes espectros ideológicos

    Filiado por quatro décadas ao PCdoB, o ex-ministro passou nas últimas duas décadas por PSB, MDB e PDT. Nos últimos anos, aproximou-se de figuras da direita, colecionando inclusive elogios públicos do ex-presidente Jair Bolsonaro. A trajetória sinuosa não é vista como obstáculo dentro do partido de Kassab, conhecido por agregar quadros de variados matizes.

    Aproximação com a direita e controvérsias recentes

    Em 2025, Rebelo depôs como testemunha de defesa do almirante Almir Garnier, investigado por suposta participação em plano de golpe de Estado. Durante a oitiva, foi advertido pelo ministro Alexandre de Moraes, que cogitou sua prisão por desacato. O episódio elevou seu protagonismo junto a grupos militares e conservadores.

    Já em 2026, protagonizou atrito público com a Democracia Cristã, partido ao qual estava filiado como pré-candidato ao Planalto. A sigla decidiu lançar o ex-ministro do STF Joaquim Barbosa, e Rebelo ameaçou judicializar a escolha. A crise levou à sua desfiliação e pavimentou a aproximação com o PSD, fechada nos últimos dias.

    Próximos passos da chapa Caiado-Kassab

    Com o time de coordenação definido, a campanha deve intensificar viagens regionais a partir de agosto, priorizando o Nordeste e o Sudeste, onde Caiado aparece estagnado em pesquisas internas. A largada simbólica será em Goiânia, reduto do governador, antes de caravanas que percorrerão capitais nordestinas sob liderança de Rebelo.

    Dentro do calendário, a equipe ainda pretende anunciar nas próximas semanas grupos temáticos para discutir infraestrutura, segurança alimentar, transição energética e participação popular. A expectativa é levar um esboço de plano de governo ao registro de candidatura, marcado pelo Tribunal Superior Eleitoral para meados de agosto.

    Até lá, Aldo Rebelo tentará traduzir sua vivência parlamentar e ministerial em pontes capazes de ajudar Caiado a compor uma coligação robusta, condição vista pelo PSD como essencial para quebrar a polarização e chegar competitivo ao segundo turno de 2026.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.