O próximo fim de semana marca a largada oficial da corrida presidencial de 2026. No sábado (1º) e no domingo (2), o empresário Renan Santos, do recém-criado Missão, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, realizam em São Paulo as convenções que colocam seus nomes – já conhecidos como pré-candidatos – na condição de candidatos registrados pelos partidos. Os dois eventos acontecem dentro do prazo legal para deliberação interna das siglas, iniciado em 20 de julho.
Para Lula, o encontro petista deste domingo sacramenta a tentativa de um quarto mandato no Palácio do Planalto, mais uma vez com Geraldo Alckmin (PSB) na vice. Já Renan Santos ocupa as atenções do sábado ao oficializar a primeira disputa nacional do Missão, legenda formada há pouco mais de um ano e que estreia também no teste das urnas.
Lula busca o quarto mandato consecutivo do PT no Planalto
O diretório nacional do Partido dos Trabalhadores convidou militância, aliados e movimentos sociais para a manhã de domingo, em um centro de convenções na zona oeste paulistana. No palco, Lula deve reforçar a aliança com o PSB – única chapa presidencial até agora fechada entre partidos – e apresentar as principais linhas do programa de governo para o período 2027-2030.
Eleito pela primeira vez em 2002, reeleito em 2006 e vitorioso novamente em 2022, o petista entra na disputa tentando consolidar seu legado social e econômico ao mesmo tempo em que promete acelerar a pauta de transição energética e o enfrentamento à crise climática. A presença de Alckmin repete a fórmula considerada bem-sucedida na última eleição: o governador paulista por quatro mandatos agrega votos ao centro e sinaliza diálogo com o mercado.
Dirigentes petistas avaliam que a convenção deste ano terá papel simbólico semelhante ao de 2022, quando Lula retornou oficialmente ao jogo político após a restauração de seus direitos eleitorais. Desta vez, no entanto, a sigla busca demonstrar unidade desde o primeiro minuto da campanha. O evento também servirá para divulgar o número que a coligação usará na urna – costuma-se manter o 13, tradicional do PT, mas a decisão precisa ser aprovada pela federação formada com PV e PCdoB.
A estreia de Renan Santos e do Missão na arena nacional
Um dia antes, no mesmo município de São Paulo, o empresário Renan Santos reúne filiados e simpatizantes para formalizar a candidatura que apareceu pela primeira vez em um encontro virtual no último 20 de julho. A executiva nacional optou por antecipar a convenção em relação a outras datas disponíveis para, segundo a própria sigla, “garantir planejamento de segurança” com apoio da Polícia Federal durante a campanha.
Renan, que construiu carreira no setor de tecnologia e se projetou em iniciativas filantrópicas ligadas à educação, aposta no discurso de renovação política. Seu partido, o Missão, conseguiu registro definitivo no Tribunal Superior Eleitoral apenas no fim de 2025 e estreia em 2026 não só na disputa presidencial, mas também nas eleições para Câmara e Senado.
Desde janeiro, a legenda vem percorrendo capitais para coletar assinaturas e montar diretórios estaduais – exigência que precisa estar cumprida e anotada na Justiça Eleitoral no dia da convenção. A etapa foi concluída na primeira quinzena de julho, abrindo caminho para a candidatura.
Calendário eleitoral e etapas seguintes
As convenções partidárias ocorrem, por lei, entre 20 de julho e 5 de agosto. Depois disso, cada sigla tem até 15 de agosto para registrar oficialmente as chapas majoritárias e as nominatas proporcionais junto ao TSE. Somente após esse protocolo os candidatos podem aparecer em propaganda oficial, pedir voto explicitamente e iniciar a contagem dos gastos de campanha.

Imagem: Internet
O que acontece na prática
- Ata da convenção: deve listar todos os nomes aprovados, cargos pretendidos e o número que cada candidato utilizará na urna. O documento precisa ser encaminhado à Justiça Eleitoral até o dia seguinte à reunião e ficará disponível no sistema DivulgaCandContas.
- Lista de presença: também publicada no TSE, confirma o quórum exigido pelos estatutos partidários para validar as escolhas.
- Regularidade partidária: o diretório responsável pela convenção precisa estar com a situação jurídica regular. No caso de federações, basta que ao menos um dos partidos cumpra a exigência.
- Uso de prédios públicos: autorizado sem custo, desde que haja comunicação prévia de, no mínimo, sete dias e garantia de ressarcimento por eventuais danos.
Quem já confirmou a candidatura
Além de Lula e Renan Santos, outros pré-candidatos cumpriram o rito convencional antes de agosto ou têm data marcada até o encerramento do prazo:
- Flávio Bolsonaro – convenção realizada em 25/7;
- Ronaldo Caiado – 26/7;
- Samara Martins – 26/7;
- Romeu Zema – 27/7;
- Leonardo Avalanche – 28/7;
- Hertz Dias – 31/7;
- Rui Costa Pimenta – 1º/8;
- Edmilson Costa – 1º/8.
Com a maioria das legendas concentrando suas decisões na última quinzena, a expectativa é de que o quadro de alianças se defina nas próximas semanas. O PT ainda negocia apoio formal de partidos do chamado “campo progressista”, enquanto o Missão trabalha para atrair siglas sem candidato próprio que desejam usar o tempo de TV para divulgar suas bandeiras.
Próximos passos de cada campanha
Encerradas as convenções, tanto Lula quanto Renan Santos darão início a caravanas pelo país. O presidente deve repetir a estratégia de “circuleite” adotada em 2022, com agendas simultâneas em capitais do Nordeste e cidades do interior de São Paulo. Fontes próximas ao comitê petista informam que o foco inicial será apresentar resultados do terceiro mandato e prometer a continuidade de programas sociais.
Já Renan Santos pretende concentrar a primeira fase da campanha na região Sul, onde, segundo pesquisas internas, seu discurso liberal encontra terreno fértil. O candidato afirmou em entrevista recente que planeja priorizar debates econômicos, especialmente a reforma tributária e incentivos a startups, para marcar contraste com o projeto petista.
O horário eleitoral gratuito começa em 30 de agosto. Até lá, redes sociais e encontros regionais serão os principais palcos de disputa. A primeira pesquisa nacional com todos os nomes já formalizados deverá ser divulgada no início de setembro, oferecendo sinal mais confiável sobre as posições de largada.
Com o cronômetro oficialmente disparado após este fim de semana, o país entra na fase decisiva que antecede o registro de candidaturas. A partir de agora, qualquer passo em falso pode custar tempo de TV, alianças estratégicas – e votos preciosos que decidirão quem comandará o Brasil a partir de 2027.
