Pablo Marçal, indicado pelo PRTB para disputar o Planalto em 2026, entregou neste sábado (15) ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um inventário de R$ 7,4 bilhões em bens. A cifra o coloca entre os políticos mais ricos a oficializar candidatura desde a redemocratização, mas seu nome permanece sob contestação: ele está impedido de concorrer até 2032 por decisão da Justiça Eleitoral paulista.
A mesma chapa traz o empresário Leonardo Avalanche como vice. Presidente nacional do partido, Avalanche registrou R$ 495 milhões de patrimônio e assumiu a segunda posição depois de ter sido anunciado inicialmente como cabeça de chapa. O pedido de ambos ainda será analisado pelo TSE, que poderá indeferir a dupla caso a inelegibilidade de Marçal seja mantida.
Bilionário no papel
Segundo os dados disponibilizados no sistema DivulgaCand, a maior parte do patrimônio de Marçal — aproximadamente R$ 6,7 bilhões — está aplicada em títulos de renda fixa, principalmente certificados de depósito bancário (CDB) e letras imobiliárias garantidas mantidos no Banco Itaú. Há, ainda, aplicações em fundos multimercado e de infraestrutura, além de pouco mais de R$ 4,6 milhões em cotas de fundos imobiliários.
Outro bem que chama atenção é um terreno urbano na cidade de Santana de Parnaíba, na Grande São Paulo, avaliado em R$ 490 milhões. O documento lista também participações societárias em nove empresas, com destaque para:
- Marçal Holding Ltda (50% de participação);
- Aviation Participações Ltda (80%);
- Marçal Participações Ltda (90%);
- Integralização Contratual, empresa registrada sob CNPJ 58.088.630/0001-40 (75%).
Somadas, essas fatias societárias superam R$ 111 milhões. Há ainda contas correntes com saldos modestos para o volume total — cerca de R$ 256 mil distribuídos entre Genial e XP Investimentos. Pequenas posições em poupança, fundos com vocação imobiliária e um terreno em Pirenópolis (GO) completam a lista.
Registro pode naufragar antes da largada
Apesar da fortuna declarada, Marçal carrega um obstáculo jurídico robusto. Em 5 de agosto, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo rejeitou por unanimidade os embargos de declaração apresentados por sua defesa, mantendo a decisão que o torna inelegível por oito anos. A condenação foi imposta por “uso indevido dos meios de comunicação” durante a campanha municipal de 2024.
O que ainda falta para a candidatura ser validada
- Exame de admissibilidade: técnicos do TSE verificam dados cadastrais, cumprimento de cotas e documentação contábil.
- Impugnações: partidos, Ministério Público Eleitoral ou qualquer cidadão podem contestar o registro em até cinco dias.
- Julgamento no plenário: se houver questionamentos, o processo segue para um dos ministros relatores e depois para decisão colegiada.
- Prazo final: a Corte tem até 20 dias antes da eleição para decidir sobre a candidatura.
Caso os ministros confirmem a inelegibilidade, o PRTB poderá substituir o candidato até 20 dias antes do primeiro turno. Se o partido optar por não recorrer, Avalanche poderia ser efetivado como titular, mas isso dependeria de novo pedido de registro.
Entenda a condenação
A punição que tirou Marçal do páreo até 2032 refere-se à veiculação, em rede nacional, de conteúdos promocionais disfarçados de entrevistas e reportagens. O TRE-SP entendeu que houve desequilíbrio na disputa municipal porque o empresário teria recebido espaço privilegiado, sem custos, para apresentar propostas eleitorais. A defesa alegou tratar-se de cobertura jornalística legítima, mas os juízes consideraram a prática abusiva.
Vice bilionário?
Leonardo Avalanche, que preside o PRTB e acabou deslocado para a vice-presidência, informou possuir R$ 495 milhões em bens. As principais rubricas são participações empresariais e aplicações financeiras de médio e longo prazos. Ao contrário de Marçal, Avalanche não enfrenta processos de inelegibilidade, o que o torna opção imediata caso a cabeça de chapa seja declarada nula.

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Como a escolha foi feita
Nos bastidores, dirigentes do PRTB afirmam que a mudança na ordem dos candidatos foi uma tentativa de turbinar a exposição do partido com o nome mais popular de suas fileiras. A legenda aposta no discurso de renovação política e na promessa de levar práticas empresariais para a administração pública. Apesar disso, correligionários admitem que já trabalham em “plano B” para o caso de o TSE barrar Marçal.
Impacto na corrida eleitoral
O anúncio do patrimônio bilionário teve repercussão imediata entre adversários. Dirigentes de siglas de esquerda classificaram a cifra como “demonstração de distanciamento da realidade da maioria da população”. Aliados de Marçal retrucaram dizendo que a fortuna reflete “sucesso empresarial” e não deveria ser motivo para questionar comprometimento social do candidato.
Analistas jurídicos, por sua vez, destacam que o volume patrimonial não interfere no julgamento da inelegibilidade, mas pode influenciar os ânimos políticos. Uma campanha com recursos próprios robustos tende a ter maior autonomia financeira, o que pode preocupar concorrentes que dependem de doações públicas e privadas limitadas.
Transparência e debate público
Especialistas em direito eleitoral lembram que a declaração de bens é um dos poucos instrumentos objetivos de transparência disponíveis ao eleitor. A prestação de contas final, que detalha receitas e despesas de campanha, só será conhecida após o pleito. Até lá, a sociedade conviverá com a dúvida se a fortuna de Marçal será efetivamente utilizada na corrida presidencial ou preservada em investimentos.
Próximos passos
Marçal e Avalanche devem intensificar a agenda de atos políticos nas próximas semanas, mesmo sem confirmação do registro. A estratégia é pressionar o TSE com demonstrações de apoio popular e, simultaneamente, acelerar nos bastidores a coleta de documentos que possam rebater a condenação de 2024. Já o Ministério Público Eleitoral estuda entrar com pedido de impugnação assim que o prazo processual for aberto.
Enquanto a batalha jurídica se desenrola, os números bilionários divulgados neste fim de semana colocam holofotes sobre a chapa do PRTB e adicionam um ingrediente financeiro à disputa de 2026. Se permanecer na corrida, Marçal chegará ao horário eleitoral com a marca de maior patrimônio declarado entre os presidenciáveis — um status que tanto pode atrair curiosidade quanto intensificar críticas a respeito de concentração de riqueza no topo da política brasileira.
