Nova Quaest mostra Lula na frente, Flávio encosta e segundo turno fica mais provável

    0

    O primeiro levantamento da Quaest depois do fim do recesso parlamentar confirma a polarização entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio (PL), mas revela que a distância entre os dois diminuiu. O petista lidera com 38% na intenção de voto estimulada, enquanto o ex-governador do Rio reúne 31% — diferença de sete pontos, menor que a registrada em junho. Nenhum outro nome ultrapassa 4%, o que consolida Flávio como principal aposta da direita neste início de campanha.

    A mesma pesquisa indica que, somados, os demais pré-candidatos chegam a 44%. Como Lula não atinge metade dos votos válidos, o cenário mais provável hoje é um segundo turno. Nesse confronto direto, o presidente tem 43% contra 40% de Flávio, empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos.

    Retrato do primeiro turno

    Geografia do voto

    • Lula mantém hegemonia no Nordeste, onde alcança 57%.
    • Flávio supera o adversário no Sul (40%) e empata no Sudeste.
    • Ronaldo Caiado (União) aparece com 10% no agregado Norte/Centro-Oeste, seu melhor desempenho regional.

    Faixa etária e recorte religioso

    • Entre jovens de 16 a 34 anos, Lula e Flávio estão praticamente colados (34% x 31%); Renan Santos (Novo) surge com 10% nesse segmento.
    • No eleitorado acima de 60 anos, a vantagem do presidente sobe para sete pontos.
    • Católicos declaram preferência por Lula (47%); evangélicos, por Flávio (43%), repetindo a clivagem observada desde 2018.

    Força e elasticidade do voto

    A fidelidade também favorece os dois protagonistas. Segundo a Quaest, 77% dos entrevistados que escolhem Lula dizem não mudar de ideia “de jeito nenhum”, ante 70% de Flávio. Abaixo deles, Caiado (55%) e Renan (57%) exibem maior volatilidade, enquanto Romeu Zema (23%) tem o apoio mais frágil. O dado sugere espaço para “voto útil” na reta final, sobretudo entre os nomes menos competitivos.

    Simulações de segundo turno

    Lula x Flávio: volta do equilíbrio

    Depois de oscilar para baixo no trimestre anterior, Flávio reduz novamente a diferença para três pontos (43% x 40%). É a menor margem desde junho de 2026 e recoloca incerteza sobre quem chega à maioria absoluta em 27 de outubro.

    Outros cenários

    1. Lula x Caiado: 44% contra 37%, sete pontos de vantagem para o petista. O ex-governador goiano, porém, já dobrou sua força no Sul: de 36% em maio para 50% agora.
    2. Lula x Renan Santos: diferença de oito pontos (44% x 36%). Renan encostou entre os jovens: no grupo de 16 a 34 anos saltou de 32% para 41% desde maio.
    3. Lula x Zema: 45% a 34%. O mineiro perdeu fôlego após choques iniciais com o STF e não repete o desempenho do primeiro trimestre.

    Conhecimento, rejeição e potencial de crescimento

    Lula e Flávio compartilham índices semelhantes de rejeição e de intenção firme de voto, mas a distância entre eles e os demais é explicada pelo grau de conhecimento popular. Quase metade dos eleitores ainda não sabe quem é Caiado (43%) ou Zema (47%); no caso de Renan, o desconhecimento chega a 65%. Esse obstáculo reduz a chance de esses nomes se tornarem competitivos no curto prazo.

    Avaliação do governo e humor econômico

    Aprovação estagna

    A aprovação da administração Lula recuou de 48% para 46% desde junho, variação dentro da margem, mas suficiente para interromper a tendência de alta iniciada após o programa Desenrola. O desgaste foi maior entre eleitores independentes, grupo considerado decisivo num quadro binário.

    Pessimismo volta à economia

    O indicador de percepção econômica, que havia mostrado “despiora” no primeiro semestre, tornou-se novamente negativo. Para analistas, o retorno de temores inflacionários e a desaceleração do mercado de trabalho explicam parte dessa reversão, que pode impactar a intenção de voto se persistir até os debates televisivos.

    O que fica no radar

    Pontos de atenção para cada campo

    • Lula: precisa converter liderança no Nordeste em vantagem nacional suficiente para liquidar a fatura no primeiro turno ou ampliar margem de segurança no segundo. Manter a popularidade do governo acima de 45% é considerado estratégico.
    • Flávio: aposta na unificação do voto anti-PT e no apoio maciço do eleitorado evangélico. Se crescer dois pontos no Sudeste, colará de vez no líder.
    • Terceira via: depende de aumentar notoriedade rapidamente. Caiado avança no Sul, Renan conquista jovens, Zema fala a empresários, mas nenhum deles rompeu a barreira dos 10% nacionais.

    Calendário e margens

    Faltam pouco mais de dois meses para a votação. A margem de erro de dois pontos sugere que qualquer variação mínima nos próximos levantamentos será examinada com lupa por campanhas e mercados. As próximas pesquisas devem captar o efeito dos primeiros programas de rádio e TV, que começam em setembro.

    Em síntese, a Quaest de 14 de agosto aponta Lula à frente, Flávio consolidado como principal desafiante e uma disputa ainda aberta. A vantagem do presidente convive com uma avaliação de governo que deixou de subir e com alternativas que, embora pouco conhecidas, podem atrair eleitores voláteis. O segundo turno, hoje, é o cenário mais provável.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.