Lula busca 4º mandato e pode se tornar o segundo presidente mais longevo do país

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    A oficialização da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva pelo PT, neste domingo (2), abre caminho para que o atual presidente, hoje com 81 anos, tente um quarto mandato consecutivo e alcance 16 anos no comando do Palácio do Planalto. Caso confirme a vitória em 2026, ele ficará atrás apenas de Getúlio Vargas em tempo total à frente do Executivo federal.

    Amparado por uma coalizão que reúne velhos aliados e antigos adversários, Lula repete a fórmula que o reconduziu ao cargo em 2022: o ex-governador Geraldo Alckmin, do PSB, segue como vice. A pretensão de permanecer no poder esbarra em crises internas, problemas de saúde e disputas com o Congresso, mas também se apoia em avanços sociais e na retomada de programas que marcaram seus primeiros governos.

    O plano para chegar a 16 anos de mandato

    Na prática, Lula precisará superar um ambiente político fragmentado e um Congresso mais conservador do que em mandatos anteriores. A manutenção de Alckmin na chapa sinaliza tentativa de manter pontes com o centro, enquanto a presença do PT à frente de 38 ministérios garante capilaridade no Legislativo. Entre prioridades que o presidente apresenta para um eventual quarto mandato estão:

    • Consolidar a reforma tributária com regras complementares;
    • Aprofundar programas de transferência de renda e habitação popular;
    • Destravar investimentos em infraestrutura por meio de parcerias público-privadas;
    • Indicar até três novos ministros ao Supremo Tribunal Federal, definindo a orientação da Corte para a próxima década.

    Saúde como fator de risco

    O calendário até 2026 prevê atenção redobrada ao estado físico do presidente. Entre 2023 e 2026, Lula passou por cirurgia no quadril, sofreu queda que motivou cancelamentos de agendas externas, tratou quadro de labirintite e removeu lesão cancerígena no couro cabeludo, seguida de radioterapia. A recordação do câncer de laringe superado em 2011 reforça o monitoramento médico constante no Palácio da Alvorada.

    Terceiro mandato marcado por feitos e turbulências

    No retorno ao Planalto após 12 anos, Lula reativou pastas como Cultura, Igualdade Racial e Povos Indígenas, elevando o número de ministérios a 38. Conseguiu aprovar a reforma tributária e ampliar a faixa de isenção do Imposto de Renda, além de recolocar o Brasil fora do Mapa da Fome. Também relançou o Minha Casa, Minha Vida e retomou o PAC, vitrine de obras públicas.

    Crises administrativas

    Nem todos os movimentos renderam dividendos políticos. O escândalo de descontos indevidos no INSS, investigado pela Polícia Federal, resultou na troca de comando do instituto e no desgaste do ministro Carlos Lupi. Já o indiciamento de ex-dirigentes da Dataprev e a apuração sobre suposto tráfico de influência de Fábio Luís, o Lulinha, atingiram o núcleo familiar do presidente.

    No Senado, Lula precisou substituir o líder Jaques Wagner depois de a Operação Compliance Zero atingir negócios ligados ao Banco Master. Em plenário, o governo sofreu derrotas que incluem a derrubada de vetos a leis penais relacionadas aos ataques de 8 de janeiro.

    Choques econômicos e pressão sobre o Banco Central

    As tensões com o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, viraram manchete ao longo de 2024, quando Lula criticou abertamente a manutenção da taxa Selic acima de dois dígitos. A insistência na redução do juro colidiu com a estratégia de controle da inflação e alimentou incertezas do mercado. Paralelamente, o governo enfrentou retaliações tarifárias dos Estados Unidos e precisou negociar uma resposta junto ao Mercosul e à Organização Mundial do Comércio.

    Repercussão internacional

    Mesmo sob críticas, Lula manteve protagonismo externo. Mediou debates em foros sobre crise climática, defendeu reforma do Conselho de Segurança da ONU e voltou a se encontrar com Barack Obama, agora em eventos de filantropia. A escalada de conflitos no Oriente Médio, porém, cobrou ambiguidade do Itamaraty: o presidente condenou ataques a civis, mas resistiu a romper relações com países considerados estratégicos para o agronegócio brasileiro.

    Das greves do ABC ao Planalto

    Nascido em Garanhuns (PE) em 27 de outubro de 1945, Lula é o sétimo filho de lavradores. Chegou a São Paulo aos sete anos num caminhão pau de arara, trabalhou como engraxate e office-boy, formou-se torneiro mecânico no Senai e aderiu ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. As greves que liderou entre 1978 e 1980, ainda sob ditadura, mobilizaram milhares de operários e o levaram à prisão por 31 dias, com base na antiga Lei de Segurança Nacional.

    Fundação do PT e primeiras urnas

    Em fevereiro de 1980, Lula ajudou a fundar o Partido dos Trabalhadores, cuja primeira bandeira foi costurada por Marisa Letícia, então esposa do líder sindical. Dois anos depois, disputou sem sucesso o governo paulista. Eleito deputado federal em 1986, participou da Assembleia Constituinte que redigiu a Constituição de 1988. A primeira tentativa ao Planalto, em 1989, terminou em segundo lugar, atrás de Fernando Collor. Derrotas se repetiram em 1994 e 1998, quando o Plano Real garantiu vantagem a Fernando Henrique Cardoso.

    Primeiros governos e legado social

    Durante a quarta tentativa, em 2002, Lula divulgou a “Carta ao Povo Brasileiro”, acenando a compromisso fiscal que tranquilizou o mercado. O mandato iniciado em 2003 implantou Fome Zero, Bolsa Família e ProUni, símbolos do objetivo de reduzir pobreza e desigualdade. Mesmo com o escândalo do Mensalão em 2005, o petista foi reeleito em 2006, embalado por crescimento do PIB e expansão da classe média. No segundo governo, lançou o PAC e o Minha Casa, Minha Vida; deixou o cargo em 2010 com aprovação de 87%.

    Da Lava Jato à anulação de condenações

    A partir de 2014, a Operação Lava Jato atingiu o coração do PT. Em 2017, o então juiz Sergio Moro condenou Lula por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá. A prisão ocorreu em abril de 2018, após confirmação em segunda instância, e durou 580 dias. Em 2019, o STF mudou entendimento sobre execução provisória da pena e determinou a soltura do ex-presidente. Dois anos depois, o ministro Edson Fachin anulou as condenações da Lava Jato, devolvendo-lhe os direitos políticos.

    Eleição de 2022 e o 8 de Janeiro

    Reabilitado, Lula formou frente ampla contra Jair Bolsonaro e venceu o pleito de 2022. Na posse, a faixa presidencial foi entregue por representantes da sociedade civil, já que o antecessor se ausentou. O clima de tensão desembocou na invasão e depredação das sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023. A resposta do governo incluiu intervenção na segurança do Distrito Federal e abertura de comissões parlamentares de inquérito.

    Desafios legislativos

    Apesar de vitórias pontuais, o Planalto não conseguiu aprovar todas as pautas prioritárias. A rejeição pelo Senado do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo, expôs limites da articulação política. A base governista tenta recuperar fôlego para garantir apoio à nova meta fiscal e ao marco regulatório do hidrogênio verde, apostas de Lula para manter a atração de capitais estrangeiros.

    Perspectivas eleitorais

    Pesquisas internas do PT indicam que, no início do ciclo de 2026, Lula mantém capital político expressivo no Nordeste e em grandes centros urbanos, mas enfrenta resistência no agronegócio e em faixas evangélicas. A disputa promete repetir o embate ideológico com correntes de direita, agora fragmentadas entre bolsonaristas e nomes como Romeu Zema e Ronaldo Caiado.

    Caso obtenha nova vitória, Lula alcançará 16 anos de Presidência, feito sem precedentes na Nova República. O desafio será equilibrar a herança de popularidade com a longevidade no poder, sem repetir os erros que marcaram a crise política e econômica da década passada.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.