Em meio a críticas pelo desempenho do governo na área de segurança, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou neste sábado (22) que, caso conquiste um quarto mandato, “tirará os bandidos do território” e devolverá o controle de comunidades do Rio de Janeiro aos moradores. O compromisso foi firmado durante um ato de campanha no estádio do Bangu, na Zona Oeste da capital fluminense, reduto onde milícias e facções disputam espaço.
Diante de milhares de simpatizantes e de aliados locais, Lula afirmou que não recorrerá a “pirotecnia” nem a operações letais, mas pretende reforçar prisões, ocupar áreas dominadas e recriar o Ministério da Segurança Pública assim que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que amplia a participação da União no setor for aprovada pelo Senado.
Plano de segurança pública reforçado
A PEC já passou pela Câmara dos Deputados e prevê a transferência de parte da responsabilidade hoje exclusiva dos estados para a esfera federal, abrindo espaço para maior atuação da Polícia Federal (PF) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF) em ações coordenadas. “Não é a escola, a mercearia ou a vila que deve pertencer ao crime. Vamos dizer que o território é do povo”, discursou Lula, arrancando aplausos.
Estrutura federal ampliada
Segundo o presidente, a recriação do Ministério da Segurança Pública garantirá orçamento próprio, formação continuada e logística compartilhada entre forças estaduais e federais. A proposta surge num momento em que pesquisas mostram insatisfação do eleitorado com os índices de violência, ponto explorado pelo adversário Flávio Bolsonaro (PL), que lidera a ofensiva oposicionista no Rio.
Alfinetada em Flávio Bolsonaro
No palco, Lula não poupou o senador do PL. Referindo-se à PEC relatada por Flávio que autoriza a venda de terrenos de marinha já ocupados, ironizou: “O povo vai escolher entre quem quer cuidar da segurança do Rio e quem quer vender praias”. A plateia reagiu com gritos de “não vai ter venda”.
Educação como antídoto à violência
Boa parte do discurso foi dedicada a propostas educacionais. Lula garantiu escola em tempo integral para toda a rede pública e prometeu ampliar a rede de Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia. Ele defendeu que “investir em sala de aula sai mais barato do que abrir presídios” e lembrou que, de 2003 a 2026, o número de trabalhadores com diploma universitário saltou de cinco para 25 milhões.
Mais tempo na escola
O petista quer que as crianças fiquem o dia todo na unidade de ensino, com reforço pedagógico, atividades culturais e esportivas. A meta é usar parte do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) para financiar infraestrutura, alimentação e contratação de professores.

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Expansão dos institutos federais
Com a promessa de “revolução na educação técnica”, Lula disse que construirá novos campi, sobretudo em regiões periféricas de grandes cidades e no interior. “Queremos formar jovens para a indústria de semicondutores, para a área de saúde e para a transição energética”, declarou.
Indústria de defesa e soberania nacional
Além da pauta social, o presidente destacou a necessidade de fortalecer a Base Industrial de Defesa. Criticou a corrida armamentista de potências como Estados Unidos e Rússia, mas assegurou que o Brasil precisa de poder de dissuasão para ser respeitado. “Não queremos guerra, mas não aceitamos que se metam conosco”, afirmou, defendendo novos investimentos em navios, aviões e sistemas de monitoramento de fronteiras.
Terras raras e minerais críticos
Lula voltou a mencionar a disputa global pelo controle de minerais estratégicos. O Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras e, segundo o presidente, qualquer parceria estrangeira terá de envolver transferência de tecnologia e industrialização no território nacional. “A riqueza é nossa. Quem quiser ser parceiro que venha produzir aqui, gerando trabalho e inovação para os nossos jovens”, concluiu.
Palco plural e apelo religioso
O ato em Bangu contou com apresentações musicais, a presença da primeira-dama Janja e de candidatos alinhados ao Planalto: o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), lançou-se como aspirante ao governo estadual; Benedita da Silva (PT) e Pedro Paulo (PSD) disputam vagas no Senado. Em busca de maior aproximação com o eleitorado evangélico, Lula intercalou referências bíblicas e acompanhou Janja em um jingle gospel entoado ao lado do pastor Kleber Lucas.
Foi o terceiro grande comício do petista desde o início oficial da campanha, iniciado em São Bernardo do Campo na semana anterior. No caminho até outubro, a segurança pública deverá permanecer no centro da estratégia de comunicação do presidente, que tenta convencer o eleitor de que, além de programas sociais, pode oferecer resultados concretos no combate ao crime organizado.
