O primeiro levantamento do Datafolha após o registro das candidaturas aponta Flávio Bolsonaro (PL) na liderança da corrida presidencial entre os eleitores do Distrito Federal, com 39% das intenções de voto. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece em segundo lugar, com 31%. A distância de oito pontos fica dentro, mas muito próxima, do limite da margem de erro, que é de três pontos percentuais para mais ou para menos.
Encomendado pela Globo e pelo jornal Folha de S.Paulo, o instituto ouviu 910 moradores do DF entre 18 e 21 de agosto. O nível de confiança é de 95% — isso significa que, a cada 100 levantamentos com a mesma metodologia, 95 apresentariam resultados dentro da margem de erro.
Retrato do primeiro turno
No cenário estimulado, quando o entrevistador apresenta uma lista com todos os 13 nomes que pediram registro ao Tribunal Superior Eleitoral, o quadro fica assim:
- Flávio Bolsonaro (PL): 39%
- Lula (PT): 31%
- Ronaldo Caiado (PSD): 10%
- Renan Santos (Missão): 3%
- Romeu Zema (Novo): 2%
- Augusto Cury (Avante): 1%
- Clariana Barão (DC): 1%
- Samara Martins (UP): 1%
- Wilson Grassi (Democrata): 0%
- Rui Costa Pimenta (PCO): 0%
- Edmilson Costa (PCB): 0%
- Hertz Dias (PSTU): não pontuou
Brancos, nulos ou nenhum somam 7%, enquanto 3% declararam-se indecisos.
Cenário alternativo com Pablo Marçal
Embora barrado provisoriamente pelo Tribunal Superior Eleitoral, Pablo Marçal (PRTB) foi incluído em um segundo teste para aferir a influência de seu nome. A variação estatística foi mínima:
- Flávio Bolsonaro: 37%
- Lula: 31%
- Ronaldo Caiado: 9%
- Renan Santos: 3%
- Romeu Zema: 3%
- Pablo Marçal: 2%
- Augusto Cury: 2%
- Samara Martins: 1%
- Clariana Barão: 1%
- Demais nomes: não pontuaram
Brancos/nulos mantiveram-se em 7%, e os indecisos caíram levemente para 2%. O instituto concluiu que a presença de Marçal não altera o equilíbrio entre os dois primeiros colocados.
Simulação de segundo turno
Independente do formato do primeiro turno, o Datafolha mediu um eventual confronto direto entre Flávio Bolsonaro e Lula. O resultado reforça o favoritismo do senador entre os eleitores do DF:
- Flávio Bolsonaro: 51%
- Lula: 39%
- Branco/nulo/nenhum: 9%
- Indecisos: 2%
Na prática, Bolsonaro entra na etapa decisiva com 12 pontos de vantagem, superando a margem de erro. Lula, por sua vez, encontra dificuldades históricas no Distrito Federal, onde a direita costuma ter desempenho acima da média nacional nas disputas presidenciais.
Como o voto se distribui
A pesquisa indica que Flávio Bolsonaro herda boa parte do eleitorado que, em 2022, se alinhou ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Já Lula mantém a base petista tradicional, porém com intensidade menor do que em Estados do Nordeste e em algumas capitais do Sudeste. O desempenho de Ronaldo Caiado sugere ainda espaço para um polo de centro-direita, enquanto Renan Santos e Romeu Zema brigam por fatias modestas do eleitorado “nem Lula, nem Bolsonaro”.
Avaliação do governo federal entre brasilienses
Além das intenções de voto, o Datafolha aferiu a percepção sobre o desempenho do governo Lula no plano nacional:
- Desaprovam o governo: 58%
- Aprovam: 38%
- Não souberam responder: 4%
Quando a pergunta se volta para a qualidade da gestão, o resultado se divide em:

Imagem: Internet
- Ruim ou péssimo: 51%
- Ótimo ou bom: 27%
- Regular: 21%
- Não souberam avaliar: 1%
Os números ajudam a explicar a vantagem de Flávio Bolsonaro: o índice de rejeição ao governo federal no DF é bem superior ao verificado em levantamentos nacionais, o que potencializa candidaturas de oposição.
Metodologia e registro
O Datafolha realiza entrevistas presenciais, feitas em pontos de fluxo variado — terminais de ônibus, feiras, praças e áreas comerciais —, garantindo amostra representativa por sexo, idade, renda e escolaridade. A amostra de 910 pessoas foi calculada para um intervalo de confiança de 95%, resultando em margem de erro de três pontos. O estudo está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob os protocolos DF-07561/2026 e BR-02094/2026.
Próximos passos da corrida presidencial
A pouco mais de um mês do início oficial do horário eleitoral, os candidatos observam que a disputa no DF já se desenha em torno de apenas dois nomes. Ainda assim, possíveis variações podem ocorrer com a judicialização de candidaturas, com a evolução da campanha de rua e com o desempenho nos debates televisivos. O próprio Datafolha aponta que 10% dos entrevistados (soma de brancos/nulos e indecisos) ainda não tomou decisão definitiva, percentual suficiente para mexer em pelo menos metade da diferença atual entre os líderes.
Contexto local favorece a direita
Historicamente, o Distrito Federal mostra inclinação maior ao conservadorismo econômico e aos temas de segurança pública, reflexo do grande contingente de servidores militares e policiais na região. Esse perfil ajudou Jair Bolsonaro a superar 69% dos votos válidos em 2022 no DF. Flávio, mesmo sem a mesma projeção nacional do pai, colhe parte desse legado, reforçado por um índice de confiança elevado entre segmentos de renda média.
Relevância de Caiado e Zema
O governador goiano Ronaldo Caiado alcança dois dígitos no DF graças à proximidade geográfica e administrativa com o Entorno de Brasília, região onde o agronegócio e temas como direito à posse de arma têm forte ressonância. Já Romeu Zema (Novo) aparece com 2% a 3%, percentual modesto, mas que pode crescer se houver cooperação com forças empresariais locais.
O que dizem os bastidores das campanhas
Aliados de Flávio Bolsonaro comemoraram a manutenção da dianteira, mas admitem que a campanha precisará ampliar a articulação com lideranças evangélicas e servidores civis para evitar avanço de Lula na periferia do DF. No PT, a leitura é de que o sinal de alerta foi ligado: o partido aposta em agendas de inclusão social e redução do custo de vida, temas sensíveis para a classe média brasiliense que viu a inflação recuar menos do que em outras capitais.
Peso dos indecisos e rejeição
A rejeição ao nome do adversário continua sendo o principal trunfo de cada lado. Na pesquisa espontânea, ainda não divulgada em números absolutos, os entrevistadores identificaram altos índices de menção negativa a Lula entre eleitores mais jovens, enquanto Flávio Bolsonaro enfrenta resistência no eleitorado feminino de renda mais alta. O desafio das campanhas é transformar essas rejeições em migração efetiva de voto, operação que costuma exigir alta exposição de mídia e forte presença em redes sociais.
Próximo Datafolha já tem data
Segundo o calendário preliminar, um novo levantamento no DF deve ser realizado na segunda quinzena de setembro, já com a campanha de TV em andamento. Será a primeira amostra pós-início do horário eleitoral e deve medir o impacto de propostas, alianças regionais e eventuais decisões judiciais sobre candidaturas como a de Pablo Marçal.
Resumo: Flávio Bolsonaro larga na frente no DF com 39% das intenções de voto, oito pontos à frente de Lula. Em eventual segundo turno, a vantagem sobe para 12 pontos. A pesquisa ouviu 910 eleitores e tem margem de erro de três pontos percentuais.
