Flávio Bolsonaro dá ultimato a facções e promete “guerra aos narcoterroristas” caso seja eleito

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    No palco lotado do Maracanãzinho, zona norte do Rio, o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, lançou um ultimato aos chefes das principais facções criminosas do país. “Marginais, narcoterroristas, vocês têm até dezembro para meter o pé do Brasil, porque em janeiro nós vamos declarar guerra”, afirmou, referindo-se diretamente ao Comando Vermelho e ao PCC, que ele pretende reclassificar como organizações terroristas caso vença a eleição de 2026.

    O discurso inflamado veio durante o evento de lançamento da candidatura do ex-delegado Douglas Ruas (PL) ao governo do Rio de Janeiro. Aproveitando a plateia de apoiadores, Flávio também pediu votos para os candidatos ao Senado Carlos Jordy e Flávio Portinho, que, segundo ele, serão essenciais para aprovar anistia “ampla, geral e irrestrita” aos condenados pelos atos de 8 de janeiro, além de outras mudanças na legislação penal.

    Ultimato às facções e nova tipificação penal

    Narcoterrorismo no plano de governo

    Flávio Bolsonaro já incluiu no programa registrado no Tribunal Superior Eleitoral a proposta de enquadrar facções como PCC e Comando Vermelho na Lei Antiterrorismo. A medida, segundo sua equipe, permitiria o uso de instrumentos jurídicos e operacionais hoje restritos ao combate a atos terroristas, como transferência imediata de líderes para presídios federais, bloqueio patrimonial acelerado e emprego das Forças Armadas sem necessidade de decreto de Garantia da Lei e da Ordem.

    Na visão do candidato, a classificação serviria para “tirar o romantismo do crime organizado” e abrir caminho para operações conjuntas com países vizinhos. Ele não detalhou como pretende convencer o Congresso a alterar a legislação, mas condicionou o sucesso da investida à eleição de uma base ampla: “Sem maioria, não tem guerra ao narcoterrorismo”, alertou.

    Agenda legislativa: anistia, maioridade penal e castração química

    Anistia para o 8 de janeiro

    Ao lado de Carlos Jordy e Portinho, Flávio prometeu protocolar logo no primeiro mês de mandato um projeto de anistia aos condenados pelos ataques às sedes dos Três Poderes, em Brasília. Ele classificou os réus como “perseguidos políticos” e afirmou que a medida também visaria a “libertação de Jair Messias Bolsonaro”, alvo de inquéritos no Supremo Tribunal Federal. “Vou precisar do Jordy e do Portinho para virar esse jogo”, disse, sob aplausos.

    Redução da maioridade penal

    Outra proposta reiterada durante o ato foi a redução da maioridade penal para 14 anos em casos de estupro. Flávio argumenta que crimes hediondos praticados por adolescentes não podem ser tratados como “mero desvio de conduta”. Ainda não há texto final, mas a ideia é criar uma exceção dentro do Estatuto da Criança e do Adolescente, alterando a Constituição por meio de emenda.

    Castração química para estupradores

    Reforçando a pauta de costumes, o presidenciável confirmou que insistirá na castração química voluntária ou compulsória para estupradores e abusadores de mulheres e crianças. A proposta prevê a aplicação de inibidores hormonais sob supervisão judicial. “Se alguém acha radical, vote no defensor de bandido”, disparou.

    Evento serve de vitrine para Douglas Ruas

    A convenção de sábado também marcou a entrada oficial de Douglas Ruas na disputa pelo Palácio Guanabara. Filho de policial e dona de casa, o ex-delegado da Polícia Civil ressaltou a infância em bairro popular de São Gonçalo, onde, segundo ele, “as melhorias dependiam da mobilização dos moradores”.

    Trajetória e formação

    Ruas lembrou que, aos 15 anos, acompanhava o pai – então prefeito da cidade – em um gabinete improvisado no próprio bairro para ouvir reclamações da população. Graduado em gestão pública, o candidato afirmou ter percorrido todas as regiões do estado desde 2023, assegurando R$ 2 bilhões em investimentos e a criação de 60 mil empregos a partir de emendas parlamentares e convênios.

    Propostas para segurança, educação e saúde

    • Segurança: integração das forças policiais estaduais e municipais, com central de inteligência para cruzar dados de mandados de prisão e armas ilegais.
    • Educação: qualificação profissional a partir do 1º ano do ensino médio, de modo que o aluno conclua a escola com diploma técnico.
    • Saúde: ampliação do acesso a exames de imagem e mutirões de pequenas cirurgias em hospitais regionais.
    • Políticas para mulheres: foco em segurança, saúde preventiva e programas de autonomia financeira, “para que vítimas não dependam economicamente de agressores”.

    Ao final, Ruas defendeu “devolver o orgulho e a autoestima” aos moradores do estado, alinhando-se ao discurso de endurecimento contra o crime organizado que permeou o evento.

    Próximos passos da campanha

    Com a convenção que reuniu lideranças do PL e simpatizantes no Maracanãzinho, Flávio Bolsonaro e Douglas Ruas dão largada oficial às agendas de rua. A expectativa é que ambos circulem juntos em municípios da Baixada Fluminense e do interior fluminense nas próximas semanas, enquanto a equipe jurídica finaliza os projetos de lei que servirão de vitrine para o plano de governo.

    Nos bastidores, aliados admitem que a disposição de classificar facções como terroristas enfrentará forte resistência no Congresso e em tribunais superiores. Ainda assim, o discurso duro, ensaiado para uma base eleitoral que cobra ações imediatas contra o crime, deve permanecer no centro da narrativa bolsonarista até outubro.

    Como sinalizou Flávio no encerramento do ato, o tom de enfrentamento será permanente: “Quem anda armado de fuzil, traficando droga e aterrorizando famílias, não vai mais se esconder atrás de sigla de facção. Vai se chamar terrorista e vai sofrer todas as consequências”.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.