Lula promete retomar territórios dominados por facções no Rio, enquanto Flávio Bolsonaro diz que declarará “guerra” aos narcoterroristas

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    Em agendas paralelas na capital fluminense, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) usaram o sábado para confrontar, cada qual a seu modo, o tema que domina eleitorados locais: a violência. No Estádio de Moça Bonita, em Bangu, Lula prometeu “devolver as comunidades ao povo do Rio” e prender líderes de facções, caso volte ao Palácio do Planalto. Pouco depois, no Maracanãzinho, Flávio Bolsonaro anunciou que dará prazo até dezembro “para narcoterroristas saírem do Brasil”, prometendo uma declaração formal de guerra ao crime organizado já em janeiro.

    Os dois presidenciáveis centraram discursos na ideia de presença federal. O petista assegurou que recriará o Ministério da Segurança Pública assim que o Senado concluir votação da PEC que aumenta a responsabilidade da União no setor. O candidato do PL, por sua vez, quer aprovar leis que enquadrem Comando Vermelho e PCC como organizações narcoterroristas, reduzam a maioridade penal para 14 anos em crimes sexuais e permitam castração química de estupradores.

    O que Lula propôs no palanque de Bangu

    Retomada de territórios e prisões sem “pirotecnia”

    Diante de aliados fluminenses como o prefeito Eduardo Paes, Lula repetiu o compromisso de retirar facções de áreas dominadas do estado. “A vila é do povo, a escola é do povo, a padaria é do povo. Não é dos bandidos”, frisou, acrescentando que prefere operações que resultem em prisões a confrontos com alto número de mortos.

    Ministério da Segurança Pública de volta

    O ex-presidente lembrou ter encaminhado ao Congresso, ainda no atual mandato, proposta de emenda constitucional que amplia a competência federal na segurança. Caso o texto avance no Senado, disse, recriará imediatamente o Ministério da Segurança Pública, extinto em 2019, para coordenar polícias Federal e Rodoviária Federal e apoiar estados em inteligência e tecnologia.

    Custo do sistema prisional como alerta

    Lula citou valores do Departamento Penitenciário Nacional para criticar a atual lógica: “Um preso em penitenciária de segurança máxima custa R$ 40 mil por ano; na comum de São Paulo, R$ 35 mil. O Fernandinho Beira-Mar custa o dobro de formar um médico”, ironizou, defendendo políticas de prevenção e educação como forma de reduzir despesas carcerárias.

    Educação em tempo integral e tecnologia nacional

    Além da segurança, o petista prometeu universalizar o ensino em tempo integral nas escolas públicas, expandir institutos federais e estimular a cadeia de minerais críticos e de terras raras para fabricação doméstica de baterias e semicondutores. Disse ainda que investirá em inteligência artificial com sotaque brasileiro: “Não basta traduzir, temos de criar IA no nosso idioma, para as nossas necessidades”.

    A agenda de Flávio Bolsonaro no Maracanãzinho

    Classificação de facções como “narcoterroristas”

    Ao lançar a candidatura de Douglas Ruas ao governo do Rio, Flávio Bolsonaro afirmou que, se eleito, enviará projeto de lei enquadrando CV e PCC como grupos terroristas ligados ao narcotráfico. “Bandido tem até dezembro para meter o pé. Em janeiro, a guerra começa”, bradou. Segundo ele, a tipificação endurecerá penas, facilitará ações militares e bloqueará patrimônio das organizações.

    Redução da maioridade penal e castração química

    O senador defendeu diminuir a idade de responsabilização criminal para 14 anos em casos de estupro e aplicar castração química compulsória a estupradores e abusadores. “Se acharem radical, votem em quem defende bandido”, provocou, aplaudido pelos militantes.

    Ataque ao uso de drones por criminosos

    Flávio citou relatórios de inteligência sobre tráfico de drogas utilizando drones armados na Baixada Fluminense. “Eu soltava pipa; hoje crianças são treinadas a pilotar drone com bomba. Daqui a pouco vamos precisar de guarda-chuva blindado”, ironizou, prometendo legislação específica para coibir a prática.

    Anistia aos réus de 8 de Janeiro

    Em meio a pedidos de voto para Carlos Jordy e Portinho ao Senado, o candidato do PL declarou que contará com a dupla para aprovar “anistia ampla, geral e irrestrita” aos condenados pelos atos de 8 de Janeiro, além de “libertar Jair Messias Bolsonaro”.

    Contrastes e convergências

    Embora proponham rotas distintas, ambos concordam na necessidade de reação federal. Lula prioriza coordenação institucional, formação policial e políticas sociais; Flávio aposta em endurecimento penal, militarização e tipificação inédita de narcoterrorismo. A disputa revela o peso eleitoral da segurança no Rio, onde facções controlam territórios, exploram serviços clandestinos e ampliam poderio bélico.

    Impacto sobre forças estaduais

    Especialistas lembram que qualquer mudança dependerá de governadores e Assembleias Legislativas fluminenses, já que a Constituição atribui o policiamento ostensivo às unidades da federação. Propostas como recriar ministério ou declarar guerra exigem ainda orçamento federal robusto e articulação com tribunais.

    Próximos passos no Congresso

    A PEC citada por Lula aguarda votação em segundo turno no Senado. Caso aprovada, segue para promulgação. Já o pacote criminal de Flávio precisaria ser apresentado como projeto de lei complementar ou emenda constitucional, demandando maioria qualificada em ambas as Casas.

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    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.