Lula promete barrar volta da extrema-direita e desafia Trump e Milei em convenção no Ceará

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    “Enquanto eu estiver vivo, a extrema-direita não governará novamente o Brasil.” A declaração, feita por Luiz Inácio Lula da Silva na noite de sexta-feira (31) em Fortaleza, deu o tom da convenção estadual do PT que homologou a candidatura de Elmano de Freitas ao governo do Ceará. Diante de militantes, o presidente disse não temer o engajamento de líderes estrangeiros na campanha da oposição, citando o ex-mandatário norte-americano Donald Trump e o presidente argentino Javier Milei. Para Lula, apenas o voto popular decidirá o rumo do país.

    O petista aproveitou o evento para reforçar o palanque local, anunciar apoio a Cid Gomes (PSB) para o Senado e a Gabriella Aguiar (PSD) como vice na chapa estadual, além de voltar a criticar o que chamou de “metade apodrecida” do Senado Federal. Horas antes, ele havia visitado o Hospital Universitário do Ceará, onde voltou a defender a ampliação do acesso a serviços de saúde gratuitos.

    Discurso em Fortaleza eleva tom contra a oposição

    Lula subiu ao palco da convenção aplaudido por milhares de correligionários. Em um pronunciamento de cerca de 40 minutos, mirou o adversário genérico que chama de “extrema-direita” e afirmou que a manutenção da democracia depende da mobilização popular. “Se Trump quiser vir, que venha; se Milei quiser vir, que venha. Eles não vencerão o povo brasileiro”, provocou.

    Apoio local e críticas ao Senado

    Após confirmar o nome de Elmano de Freitas para disputar o Palácio da Abolição, o presidente reforçou a importância de ter “senadores comprometidos com o país”. Citando a necessidade de “renovar a casa legislativa”, afirmou que pretende eleger aliados suficientes para “fazer o Senado trabalhar corretamente”. O alvo preferencial da crítica foi a ala que, segundo ele, tenta bloquear projetos de interesse social.

    No plano estadual, Lula buscou unificar legendas da base. Além do PT, publicamente já integram a aliança o PSB, o PSD e outras siglas menores. A consolidação do palanque cearense é vista pelo Planalto como passo estratégico para ampliar margens eleitorais na região Nordeste, considerada bastião do partido.

    Ataques de Milei acentuam mal-estar diplomático

    A menção ao presidente argentino ocorre em meio à crise diplomática iniciada quando Milei veio ao Brasil para a convenção do PL que lançou Flávio Bolsonaro à sucessão presidencial. No encontro, o argentino chamou Lula de “ladrão” e o ministro do STF Alexandre de Moraes de “lixo careca”, além de atacar a economia brasileira. A reação de Brasília foi imediata: o Itamaraty convocou o embaixador da Argentina para explicações e chamou de volta o diplomata brasileiro em Buenos Aires para consultas.

    Troca de farpas e recall de embaixadores

    Mesmo após o gesto protocolar, o bate-boca não cessou. Milei voltou a usar redes sociais para ironizar Lula, enquanto ministros brasileiros responderam às provocações. O chefe do Executivo, entretanto, tem evitado prolongar o atrito, limitando-se a dizer que “o Brasil não discutirá com quem não respeita a democracia alheia”. Ainda assim, as chancelarias dos dois países mantêm canais abertos para evitar que a retórica afete o comércio bilateral.

    Entre analistas, o embate revela uma inédita interferência do governo argentino no processo eleitoral brasileiro. O Palácio do Planalto considera a atitude uma afronta à autodeterminação dos povos, princípio histórico da política externa brasileira, e avalia medidas diplomáticas graduais se os ataques prosseguirem.

    Sanções de Trump mantêm tensão comercial

    Outro ponto abordado por Lula no discurso foi a recente decisão de Washington de prorrogar, por um ano, a ordem executiva que classifica o Brasil como “ameaça à segurança nacional” dos Estados Unidos. A medida tem origem em 2025, quando Trump, então presidente, instituiu tarifa extra de 50% sobre produtos brasileiros. O “tarifaço” foi suspenso pela Suprema Corte norte-americana, mas a emergência nacional continua em vigor, gerando desconforto.

    Brasil recorre à OMC

    Dois dias antes da fala de Lula, o governo brasileiro abriu consulta na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as sobretaxas. É o primeiro passo para a eventual abertura de painel que pode resultar em retaliações autorizadas pela entidade. Na nota oficial divulgada pelo Itamaraty, Brasília afirmou ser “descabido e inverídico” tratar o Brasil como ameaça e criticou a insistência em argumentos superados.

    Em Fortaleza, Lula retomou o tema para reforçar o discurso de soberania: “Não aceitaremos ser punidos por desenvolver nossa indústria. Quem quer competir que o faça dentro das regras”. A plateia respondeu com gritos de “brasileiro não se rende”.

    Visita ao Hospital Universitário reforça agenda social

    Pela manhã, o presidente percorreu as obras de expansão do Hospital Universitário do Ceará, vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH). Ele afirmou que a rede pública deve ser fortalecida para reduzir a dependência de planos privados. “Quando o pobre paga imposto sobre tudo o que consome, está, indiretamente, financiando o plano de saúde de quem tem mais dinheiro”, argumentou.

    A agenda em Fortaleza também incluiu reunião com o governador em exercício, entrega de unidades do Minha Casa, Minha Vida e anúncio de verbas para a transposição do Rio São Francisco. O conjunto de compromissos foi pensado pelo Planalto para demonstrar a continuidade de programas sociais, enquanto a oposição tenta emplacar o discurso de que o governo perdeu foco na área.

    Repercussão e próximos passos

    Parlamentares da base celebraram o “tom de campanha” adotado pelo presidente. Nos bastidores, dirigentes petistas avaliam que a frase “enquanto eu viver” será explorada em materiais de militância digital, contrapondo-a a críticas de adversários sobre a idade de Lula. A oposição, por sua vez, classificou a fala como “autoritarismo retórico” e acusou o presidente de tentar nacionalizar disputas locais.

    Com o calendário partidário em andamento, as convenções estaduais se estendem até o fim de agosto. A expectativa é que o Palácio do Planalto use eventos semelhantes em outros estados para alavancar candidatos aliados e testar slogans que deverão aparecer na campanha presidencial de 2026. Enquanto isso, as tensões externas com Argentina e Estados Unidos seguem no radar da diplomacia brasileira, que busca evitar que disputas eleitorais contaminem relações estratégicas.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.