O senador Flávio Bolsonaro (PL) avisou que só tornará público o nome de quem irá compor sua chapa presidencial em 2026 no limite estabelecido pela Justiça Eleitoral, dia 15 de agosto. O prazo extra, segundo ele, permite alongar as negociações depois da desistência da senadora Tereza Cristina (PP-MS) e reforça a possibilidade de a economista Daniella Marques assumir a vaga.
Ao participar, por videoconferência, de uma sabatina organizada pelo portal “O Antagonista” e pela empresa de educação G4, o pré-candidato minimizou a ausência de apoios formais da centro-direita e disse que o tempo até a data final de registro servirá para “amadurecer” alianças estaduais e nacionais.
Prazo eleitoral garante fôlego às negociações
Os partidos têm até 15 de agosto para protocolar junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o pedido de registro de candidaturas, incluindo a composição completa da chapa majoritária. Confiando nesse calendário, Flávio Bolsonaro deixou claro que não tem pressa para definir o vice. Ele chegou a mencionar que imaginava precisar bater o martelo até 5 de agosto, último dia das convenções partidárias, mas se corrigiu ao ser lembrado de que o prazo derradeiro é dez dias depois.
A estratégia passa por acompanhar o desfecho das convenções e entender que apoios efetivos a qualquer candidatura muitas vezes se consolidam apenas nas horas finais. O próprio PL, legenda de Flávio, formalizou seu nome em 25 de julho, num evento no estádio do Pacaembu, em São Paulo. Como a legislação permite coligações para a disputa presidencial, a demora pode significar espaço para costurar alianças regionais que se traduzam em palanques e tempo de televisão.
Recuo de Tereza Cristina muda o tabuleiro
Partido Progressistas adota neutralidade
Há pouco mais de uma semana, o nome da ex-ministra da Agricultura Tereza Cristina (PP-MS) parecia certo para a vice. Ela chegou a aceitar o convite de Flávio Bolsonaro, mas recuou após o PP deliberar, em convenção, que ficaria neutro na corrida pelo Palácio do Planalto. O senador tentou amenizar o constrangimento dizendo que “o partido continua com a gente”, embora a aliança com os progressistas, por ora, se restrinja ao estado de São Paulo.
A decisão do PP frustrou o plano de apresentar, já durante as convenções, uma chapa que abrigasse a ex-ministra. Internamente, dirigentes da sigla ponderaram que uma definição precoce poderia isolar lideranças regionais contrárias à estratégia federal. A neutralidade, portanto, preserva palanques locais sem obrigar o partido a dividir plataforma nacional.
Daniella Marques ganha força
A saída de Tereza Cristina fez de Daniella Marques o nome mais citado para ocupar a vaga de vice. Ex-presidente da Caixa Econômica Federal e responsável pela elaboração do programa econômico da campanha, Daniella acompanhou a sabatina da plateia. Flávio Bolsonaro usou o espaço para elogiá-la publicamente, algo que ainda não havia feito de forma tão explícita:
- Destacou a atuação dela durante o governo Jair Bolsonaro, quando esteve à frente da Caixa.
- Elogiou sua capacidade técnica “muito além da economia”, afirmando que se encaixaria “em qualquer lugar” da gestão.
- Ressaltou a confiança que deposita na economista e o trabalho que ela já realiza na formulação de propostas de campanha.
Daniella é filiada ao Republicanos, partido que também decidiu, em convenção realizada em Brasília, manter-se neutro na eleição presidencial. Mesmo com a postura oficial da legenda, a economista permanece próxima do núcleo bolsonarista, o que, na avaliação de aliados, facilita sua eventual indicação caso as conversas avancem positivamente até meados de agosto.
Centro e direita ainda hesitam em declarar apoio
Questionado sobre a falta de endossos abertos de legendas da centro-direita, Flávio Bolsonaro relativizou a importância de uma coalizão ampla neste momento. Para ele, as campanhas modernas se estruturam cada vez mais em redes sociais e mobilização de base, diminuindo o peso de acordos partidários tradicionais. Ele afirmou que continuará “conversando com todos”, mas sem aceitar imposições que contrariem o programa do PL.

Imagem: Internet
Analistas, porém, lembram que alianças podem ser decisivas na largada, sobretudo no acesso ao fundo eleitoral e no tempo de propaganda em rádio e TV. Sem coligações sólidas, o pré-candidato pode enfrentar desvantagem na exibição de seu projeto a eleitores menos engajados na internet. O próprio senador reconheceu que “não despreza” uma composição maior, mas insiste em que as negociações sigam o ritmo do calendário oficial.
Impacto regional nas convenções estaduais
Além das tratativas em âmbito nacional, a campanha de Flávio Bolsonaro monitora os acordos estaduais, que costumam influenciar diretamente a formação de palanques para a Presidência. A aliança limitada com o PP em São Paulo, por exemplo, garante exposição no maior colégio eleitoral do país, mas não resolve pendências em outros estados estratégicos, como Minas Gerais e Bahia, onde o partido ainda discute apoios locais.
No caso do Republicanos, a neutralidade nacional convive com realidades distintas nos estados. Há diretórios simpáticos ao projeto bolsonarista e outros que preferem manter distância, quadro que pode mudar até o dia 15 de agosto, data em que cada candidatura precisa apresentar, ao TSE, a ata definitiva da coligação e o plano de governo resumido.
Dilema sobre o perfil do vice
Interlocutores da campanha relatam que a escolha do vice gira em torno de três critérios: capacidade de diálogo com o Congresso, trânsito no setor produtivo e peso eleitoral em regiões onde o bolsonarismo ainda busca crescer. Tereza Cristina atendia especialmente ao terceiro requisito, pela força do agronegócio, mas o recuo do PP reabriu o cálculo político. Daniella Marques, por sua vez, se encaixa principalmente na agenda econômica, área em que Flávio pretende sinalizar compromisso com reformas liberais e responsabilidade fiscal.
Outro ponto levado em conta é a necessidade de representação feminina na chapa. Tanto Tereza quanto Daniella ajudam a reduzir a resistência de eleitoras que, em 2022, mostraram índices de rejeição elevados ao bolsonarismo. A campanha avalia que manter uma mulher na vaga de vice pode ser decisivo para ampliar esse eleitorado, sobretudo em centros urbanos.
Próximos passos
Até o encerramento das convenções, em 5 de agosto, Flávio Bolsonaro seguirá participando de eventos partidários e encontros com empresários. A equipe econômica, liderada por Daniella Marques, deve apresentar um primeiro esboço de programa ainda neste mês, focado em redução de impostos e incentivos à geração de empregos. Após a fase de ajustes, o documento será anexado ao pedido de registro de candidatura.
Com a prorrogação do anúncio do vice para o dia 15, a campanha ganhou tempo para acomodar interesses regionais e medir a repercussão de diferentes nomes junto ao eleitorado. Caso a neutralidade de Republicanos e PP se mantenha até lá, a tendência, segundo pessoas próximas ao senador, é que Daniella Marques seja confirmada na chapa. Se surgirem novos acordos de última hora, o quadro poderá mudar, mas qualquer movimento precisará caber no cronômetro apertado da Justiça Eleitoral.
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