Datafolha confirma tabuleiro dividido: Flávio Bolsonaro sai na frente no Sudeste e no DF; Lula domina Minas e Nordeste

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    A disputa pelo Planalto em 2026 ganhou novos contornos com a rodada de levantamentos do Datafolha divulgada neste sábado (22). Os números apontam um país dividido: Flávio Bolsonaro (PL) é favorito no eixo São Paulo–Rio de Janeiro–Distrito Federal, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém folga em Minas Gerais e impõe vantagem expressiva no Nordeste, sobretudo em Pernambuco e no Piauí.

    Além das duas candidaturas mais bem colocadas, o cenário evidencia personagens regionais – como o ex-governador mineiro Romeu Zema (Novo) e o ex-governador goiano Ronaldo Caiado (PSD) – e o outsider Renan Santos (Missão). Todos, porém, somados, não ameaçam o duopólio Lula–Bolsonaro nos seis estados pesquisados.

    Como o eleitorado se posiciona

    São Paulo: vantagem curta do filho de Bolsonaro

    No maior colégio eleitoral do país, Flávio Bolsonaro aparece com 37% das intenções de voto, quatro pontos à frente de Lula, que marca 33%. Renan Santos (5%) e Ronaldo Caiado (4%) vêm em seguida, enquanto Romeu Zema e o escritor Augusto Cury empatam com 3% cada. Os indecisos somam 3%, e 7% declaram voto em branco ou nulo. Na simulação que inclui Pablo Marçal (PRTB), ainda inelegível, o quadro muda pouco: Flávio cai para 35%, Lula sobe um ponto, e Marçal surge com 4%.

    Rio de Janeiro: liderança confortável, mas não folgada

    Em território fluminense, o senador do PL abre cinco pontos sobre Lula: 41% a 36%. Renan Santos obtém 3%; Caiado, Zema e Augusto Cury registram 2% cada. Brancos e nulos representam 8%, e os indecisos, 3%. Quando Marçal é incluído, Flávio recua para 38%; Lula, para 37% – a distância fica dentro da margem de erro de três pontos percentuais.

    Distrito Federal: Caiado aparece em terceiro

    Na capital federal, Flávio mantém a dianteira com 39%, contra 31% de Lula. O ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, conquista 10%, desempenho superior ao registrado em qualquer outra unidade da federação analisada. Renan Santos (3%) e Zema (2%) completam a lista dos mais citados. Sete por cento preferem anular ou votar em branco; 3% ainda não decidiram.

    Minas Gerais: Lula retoma força e Zema entra no jogo

    Minas devolve ao petista a primeira colocação: 37% ante 31% de Flávio. Romeu Zema atinge 10%, seu melhor resultado fora de cenários restritos ao estado. Os demais nomes não passam de 3%. Na simulação com Pablo Marçal, o mineiro do Novo recua para 8%, mas Lula conserva vantagem de cinco pontos (36% a 31%).

    Pernambuco: hegemonia petista intacta

    No estado natal de Lula, o favoritismo é amplo: 56% a 24% sobre Flávio Bolsonaro. Caiado e Renan Santos dividem a terceira posição com 2% cada. Nem mesmo a entrada de Marçal altera substancialmente a paisagem: Lula permanece em 55%, e Flávio, em 24%.

    Piauí: maior diferença entre primeiro e segundo

    O petista atinge 60% das intenções de voto no Piauí, deixando Flávio com 19%. Renan Santos aparece com 3%; Caiado e Zema empatam em 2%. Brancos, nulos ou nenhum chegam a 5%, e 3% não souberam responder. Com Marçal na lista, o quadro se mantém, indicando consolidação do eleitorado lulista no estado.

    Participação dos coadjuvantes

    Renan Santos, fundador do Movimento Brasil Livre, mostra presença tímida, mas constante, ficando sempre entre 2% e 5%. Já Ronaldo Caiado pontua melhor onde é mais conhecido – no DF (10%) e, em menor escala, no Nordeste. Romeu Zema, ex-governador de Minas, tem dois dígitos apenas no próprio estado. O escritor Augusto Cury oscila entre 1% e 3% e, por ora, não rompe a barreira psicológica dos 5%.

    Metodologia e registros

    Todos os levantamentos foram contratados pela Folha de S.Paulo e feitos entre 18 e 21 de agosto. O Datafolha ouviu presencialmente:

    • 1.610 eleitores em São Paulo (margem de erro de 2 pontos);
    • 1.204 no Rio de Janeiro (±3 pontos);
    • 910 no Distrito Federal (±3 pontos);
    • 1.204 em Minas Gerais (±3 pontos);
    • 1.204 em Pernambuco (±3 pontos);
    • 826 no Piauí (±3 pontos).

    Os estudos estão registrados na Justiça Eleitoral sob os protocolos SP-01806/2026, RJ-02945/2026, DF-07561/2026, MG-00446/2026, PE-01528/2026, PI-06656/2026 e BR-07185/2026, entre outros. O nível de confiança é de 95% — ou seja, a cada 100 levantamentos idênticos, em 95 deles os resultados ficariam dentro da margem prevista.

    O que os números sinalizam

    Os resultados ratificam a polarização entre o campo governista e o bolsonarismo, mas deixam clara a possibilidade de cenários regionais distintos. A vantagem de Flávio Bolsonaro no Sudeste mais rico – ainda que apertada em São Paulo – pode compensar o domínio petista no Nordeste, caso se reproduza nacionalmente. Por outro lado, a folga de Lula em estados como Pernambuco e Piauí lança dúvidas sobre a capacidade de transferência de votos que Jair Bolsonaro exerceu em 2018 e 2022.

    Com pouco menos de dois anos para a eleição, o jogo continua aberto, principalmente porque parte do eleitorado se mantém indecisa ou propensa a anular o voto. O desempenho dos nomes secundários, embora discreto, pode ganhar importância se a campanha afunilar e exigir alianças para um eventual segundo turno.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.