A corrida ao Palácio do Campo das Princesas ganhou contornos de equilíbrio. Levantamento Datafolha divulgado nesta sexta-feira (31) mostra a governadora Raquel Lyra (PSD) com 48% das intenções de voto, contra 42% do ex-prefeito do Recife João Campos (PSB). Como a margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos, os dois pré-candidatos aparecem em empate técnico.
O instituto ouviu 1.022 eleitores entre 28 e 30 de julho. Registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número PE-04519/2026, a pesquisa tem nível de confiança de 95%, ou seja, a probabilidade de os resultados retratarem o cenário real é de 19 em cada 20.
Primeiro turno: vantagem mínima
Na simulação estimulada – quando o entrevistado recebe uma lista com os nomes dos postulantes – Lyra mantém a dianteira obtida em abril, mas vê Campos encurtar a diferença desde então. Confira o retrato atual:
- Raquel Lyra (PSD): 48%
- João Campos (PSB): 42%
- Ivan Moraes (PSOL): 1%
- Camila Falcão (UP): 1%
- Branco/nulo/nenhum: 5%
- Não souberam responder: 2%
Leitura dos números
Embora a governadora sustente vantagem de seis pontos, o recorte estatístico indica disputa aberta. Para superar o patamar de empate técnico, seria preciso que a diferença superasse o limite de três pontos da margem de erro. Assim, a campanha de Campos comemora a redução do hiato, enquanto os aliados de Lyra destacam a manutenção da liderança.
Projeção de segundo turno
Quando o Datafolha testa apenas os dois nomes mais competitivos, Lyra continua à frente, mas também em cenário apertado. Ela marca 49% (antes, 51%), e Campos soma 45% (contra 44% na rodada anterior). Brancos e nulos totalizam 4%, e 2% não souberam ou preferem não opinar.
Taxa de rejeição
Os entrevistados também apontaram em quem não votariam de jeito nenhum. A rejeição segue próxima entre os dois favoritos:
- João Campos: 30%
- Raquel Lyra: 29%
- Ivan Moraes: 22%
- Camila Falcão: 20%
- Renan Hallais (Missão): 19%
- Rejeita todos/nenhum: 3%
- Votaria em qualquer um: 2%
- Não sabe: 7%
Os dados sugerem que nenhum dos pré-candidatos possui rejeição impeditiva, mas ambos precisarão administrar perdas semelhantes durante a campanha.
Avaliação do governo Raquel Lyra
Desempenho administrativo
No mesmo questionário, o Datafolha mediu a percepção do eleitorado sobre a atual gestão estadual. O saldo permanece positivo, mas com sinais de desgaste:

Imagem: Internet
- Ótima/boa: 49% (eram 45% em abril)
- Regular: 29% (37% anteriormente)
- Ruim/péssima: 20% (16% na rodada anterior)
- Não sabe: 2% (estável)
Aprovação pessoal
Quando a pergunta se restringe a “aprova ou desaprova a forma como a governadora administra o estado”, 66% aprovam Raquel Lyra, ante 30% que desaprovam; 4% não souberam responder. Apesar da oscilação negativa de um ponto na aprovação, a titular do cargo mantém capital político robusto para tentar a reeleição.
Disputa pelo Senado: Marília Arraes larga na frente
O Datafolha também apresentou aos pernambucanos dois cenários para a única vaga do estado no Senado em 2026. Em ambos, a deputada Marília Arraes (PDT) lidera com 18%, seguida pelo senador Humberto Costa (PT), que oscila entre 14% e 15%. O quadro completo inclui nomes da direita, do centro e da esquerda, além de percentual expressivo de indefinição.
Cenário 1
- Marília Arraes (PDT): 18%
- Humberto Costa (PT): 15%
- Mendonça Filho (PL): 10%
- Miguel Coelho (União Brasil): 9%
- Eduardo da Fonte (PP): 7%
- Sílvio Nascimento (PL): 3%
- Carlos Sant’Anna (Novo): 2%
- Pastor Wellington Carneiro (Mobiliza): 2%
- Fernando Dueire (PSD): 1%
- Paulo Rubem Santiago (Rede): 1%
- Branco/nulo/nenhum: 21%
- Não sabe: 9%
Cenário 2
- Marília Arraes (PDT): 18%
- Humberto Costa (PT): 14%
- Mendonça Filho (PL): 10%
- Miguel Coelho (União Brasil): 9%
- Eduardo da Fonte (PP): 7%
- Sílvio Nascimento (PL): 4%
- Túlio Gadêlha (PSD): 3%
- Carlos Sant’Anna (Novo): 2%
- Pastor Wellington Carneiro (Mobiliza): 2%
- Paulo Rubem Santiago (Rede): 1%
- Branco/nulo/nenhum: 21%
- Não sabe: 9%
A grande fatia de eleitores que ainda não definiu voto para o Senado revela espaço para mudanças. Até aqui, a vantagem de Marília Arraes se explica pelo recall das disputas anteriores ao governo estadual e pela capilaridade construída na Câmara dos Deputados.
O que esperar da campanha
Com o calendário eleitoral se aproximando, a fotografia do momento sugere uma batalha voto a voto entre Raquel Lyra e João Campos, tanto no primeiro quanto no segundo turno. A governadora conta com a máquina administrativa e bons índices de aprovação. Já o ex-prefeito aposta na força política da capital e no histórico familiar para ampliar sua base no interior.
Ainda que faltando quase um semestre para o início oficial da propaganda, o Datafolha oferece pistas: quem conseguir segurar a rejeição, captar o eleitor indeciso e construir alianças competitivas deve chegar à reta final em vantagem. Enquanto isso, o Senado permanece indefinido, com múltiplas candidaturas de médio porte tentando ocupar o vácuo de 21% de brancos, nulos ou indecisos.
