O governo brasileiro autorizou, na manhã desta quarta-feira (12), o envio imediato de assistência humanitária à Colômbia, país que contabiliza pelo menos 200 mortes e centenas de feridos em razão do terremoto de 7,4 na escala Richter registrado na segunda-feira (10). A decisão foi tomada depois de conversa telefônica entre os chanceleres Mauro Vieira e Omar Escobar, na qual Bogotá formalizou o pedido de apoio.
Embora o Itamaraty ainda não tenha divulgado a lista completa de itens, a operação deve incluir kits de primeiros-socorros, barracas, purificadores de água e uma equipe de especialistas em busca e resgate. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou solidariedade às famílias das vítimas e reiterou que o Brasil “permanece à disposição” para ampliar a cooperação, caso necessário.
Como se articula o socorro brasileiro
De acordo com diplomatas envolvidos na negociação, o Ministério das Relações Exteriores acionou de imediato o Ministério da Defesa e a Agência Brasileira de Cooperação (ABC) para organizar o transporte dos suprimentos. A Força Aérea Brasileira estuda despachar um cargueiro KC-390 já nas próximas horas, partindo de Brasília com destino a Bogotá e, em seguida, para a região mais afetada, no departamento de Tolima.
Técnicos da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil foram integrados ao grupo e devem acompanhar a missão in loco. O governo colombiano solicitou, prioritariamente, material para montagem de abrigos temporários e insumos médicos de uso emergencial, uma vez que alguns hospitais locais registram superlotação e falhas no abastecimento de energia.
Ajuda recente a vizinhos reforça modelo de resposta
Nos últimos meses, o Brasil executou operações semelhantes na Venezuela e em Cuba, também sacudidas por desastres naturais. Fontes do Palácio do Planalto afirmam que a experiência logística acumulada nessas missões acelera a atual mobilização: a mesma cadeia de fornecedores de medicamentos, filtros de água e geradores elétricos foi acionada.
Em nota, o Itamaraty destacou que o envio “reforça o compromisso do Brasil com a solidariedade regional” e atende aos protocolos da Conferência Sul-Americana de Defesa. Brasília, que preside o bloco este ano, incentiva a criação de um mecanismo permanente para resposta imediata a catástrofes no continente.
Panorama do terremoto e dos resgates
O tremor de 7,4 teve epicentro a cerca de 150 quilômetros a sudoeste de Bogotá e foi sentido também no Equador, na Venezuela e até em Manaus, capital do Amazonas. O Serviço Geológico Colombiano registrou mais de 40 réplicas de menor intensidade nas 48 horas seguintes, dificultando o trabalho das equipes de resgate.
Três dias após o abalo, bombeiros e militares continuam vasculhando escombros de edifícios residenciais e instalações industriais. Autoridades locais calculam que cerca de 15 mil pessoas estão desabrigadas, número que pode aumentar à medida que novas áreas rurais são alcançadas pelas equipes de avaliação de danos.
Estrutura geológica aumenta vulnerabilidade
A Colômbia fica na confluência das placas tectônicas de Nazca, Caribe e América do Sul, o que a coloca dentro do chamado “Círculo de Fogo do Pacífico”, região responsável por 90% da atividade sísmica mundial. Embora tremores moderados sejam relativamente comuns, abalos superiores a magnitude 7 são raros: o último com impacto semelhante ocorreu em 1999, no eixo Armênia-Pereira.
Sismólogos ouvidos pelo Serviço Geológico Brasileiro explicam que a liberação de energia desta segunda-feira concentrou-se a 10 quilômetros de profundidade, fator que amplia o potencial destrutivo na superfície. Nas áreas montanhosas, deslizamentos de terra bloquearam rodovias, dificultando o envio de suprimentos internos e tornando a ajuda internacional ainda mais estratégica.

Imagem: sobreviventes de terroto entram no ter
Solidariedade institucional e cooperação regional
Desde o primeiro boletim de danos, chefes de Estado vizinhos manifestaram apoio. O presidente Gustavo Petro declarou “emergência nacional” e abriu canais diplomáticos para receber doações. Chile, México e Espanha já enviaram brigadas de resgate urbano. Os Estados Unidos autorizaram recursos da Agência para o Desenvolvimento Internacional (USAID) para financiar tendas médicas de campanha.
No Brasil, a Frente Parlamentar de Apoio à Colômbia apresentou um voto de pesar no Congresso e solicitou que o Ministério da Saúde libere vacinas antitetânicas e antirrábicas para os voluntários que viajarão ao país andino. Organizações da sociedade civil, como a Cruz Vermelha Brasileira e a Cáritas, lançaram campanhas de arrecadação de fundos.
Logística de transporte passa por Manaus
Por questões de tempo de voo e abastecimento, a primeira aeronave militar brasileira deve fazer escala em Manaus, onde equipes locais reportaram sentir o tremor. O aeroporto Eduardo Gomes foi equipado com pallets de carga padronizados para agilizar a troca de mantimentos entre aviões e reduzir o tempo em solo.
Além de equipamentos, a FAB transportará cães farejadores do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal, especializados em localizar sobreviventes sob estruturas colapsadas. O protocolo estabelece permanência inicial de 14 dias dos militares brasileiros em território colombiano, com possibilidade de prorrogação.
Próximos passos e monitoramento
A Embaixada do Brasil em Bogotá montou um gabinete de crise para acompanhar o deslocamento da missão, checar a segurança do contingente brasileiro e oferecer assistência a cidadãos nacionais que residem na área afetada. Até o momento, não há registro de brasileiros entre as vítimas.
Especialistas do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) permanecerão em contato com o serviço geológico colombiano para avaliar o risco de novos abalos significativos. Caso as réplicas ultrapassem magnitude 5, o protocolo prevê suspensão temporária das buscas para proteger as equipes.
Possível reforço financeiro
O Ministério da Fazenda estuda liberar recursos do Fundo de Calamidades para cobrir custos adicionais da operação. A expectativa é de que a ajuda total brasileira alcance, nesta primeira fase, cerca de R$ 5 milhões, valor sujeito a ampliação conforme a evolução do cenário colombiano.
Analistas apontam que a mobilização reforça o papel do Brasil como liderança humanitária na América do Sul e contribui para estreitar laços políticos com o governo Petro, cujas pautas ambientais e sociais convergem com a agenda defendida por Lula em fóruns internacionais.
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