ONS prepara força-tarefa e Aneel adianta recursos para assegurar energia nas eleições de 2026

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    O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) montou uma operação especial para o período das eleições de 2026 com o objetivo de evitar qualquer interrupção no fornecimento de energia durante a votação. A ofensiva, anunciada pelo diretor-geral Márcio Rea em Brasília, replica protocolos aplicados em eventos de grande porte e inclui monitoramento em tempo real, salas de controle dedicadas e planos de contingência regionais.

    Paralelamente, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) adiantou recursos da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) a produtores independentes responsáveis pelo abastecimento de comunidades isoladas da Amazônia. A medida, comunicada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pelo diretor-geral Sandoval Feitosa, tem como meta garantir estoque de diesel para as usinas térmicas que dependem de transporte fluvial, reduzindo o risco de desabastecimento caso a navegação seja prejudicada por estiagens.

    Monitoramento reforçado no dia da votação

    Segundo Márcio Rea, o ONS trabalha “há meses” na calibração de modelos de demanda, revisão de protocolos de emergência e teste de redundâncias em subestações estratégicas. A operação, que envolverá engenheiros, despachantes e técnicos de telecomunicações, será desencadeada na véspera do primeiro turno e se prolongará até a totalização final dos votos.

    “Sempre realizamos planos específicos em grandes eventos, mas o pleito nacional exige atenção redobrada. Hoje não há indicação de déficit de oferta; qualquer risco só ocorreria diante de uma catástrofe climática de grande escala”, afirmou o executivo.

    Centros regionais integrados

    • Postos avançados do ONS em Belém, Recife, Brasília, Rio de Janeiro e Florianópolis vão operar em sincronia com a sala de situação do TSE.
    • Disparos automáticos de geração de reserva serão testados em usinas hidrelétricas chave na região Sudeste.
    • Equipes de manutenção em campo receberão reforço e plantões de 24 horas em áreas suscetíveis a quedas de energia, como o interior do Nordeste e do Norte.

    O plano prevê ainda comunicação direta com concessionárias de distribuição para que qualquer falha pontual seja reportada ao ONS em menos de três minutos, tempo considerado suficiente para despachar energia de reserva e reduzir oscilações na rede.

    Aneel garante combustível para regiões isoladas

    Enquanto o ONS mira a transmissão em larga escala, a Aneel concentra esforços nas chamadas “áreas isoladas”, municípios amazônicos sem interligação ao Sistema Interligado Nacional (SIN). Nessas localidades, pequenos geradores térmicos a diesel sustentam o consumo cotidiano – e dependem de balsas ou barcos para reabastecimento.

    “Vamos liberar os recursos antecipadamente para que os operadores estocem combustível antes da estação de seca severa. Se o nível dos rios baixar, a população não ficará sem energia justamente no dia da eleição”, explicou Sandoval Feitosa.

    Impacto da antecipação de verbas

    1. Cobertura financeira inclui a compra de diesel, lubrificantes e peças de reposição.
    2. O desembolso ocorrerá entre outubro de 2025 e fevereiro de 2026, evitando atrasos logísticos.
    3. A fiscalização sobre o uso dos valores será feita por auditorias independentes contratadas pela própria Aneel.

    A agência reguladora enviará ofícios às distribuidoras que operam nos estados do Amazonas, Acre, Roraima e Amapá, orientando-as a reforçar equipes de manutenção de campo e a manter canais diretos com os tribunais regionais eleitorais.

    Incertezas climáticas no horizonte de 2027

    Durante a apresentação do plano eleitoral, Márcio Rea também fez um alerta sobre o período pós-eleitoral. De acordo com projeções internas, 2027 pode ser impactado por um El Niño de intensidade ainda imprevisível, fenômeno que costuma alterar regimes de chuva e elevar temperaturas em vários pontos do país.

    Historicamente, o evento climático aumenta o risco de seca no Norte e no Nordeste e provoca chuvas acima da média no Sul. A combinação pode tensionar reservatórios hidrelétricos e elevar a dependência de termelétricas, encarecendo a operação e aumentando as emissões de carbono.

    Lições de eventos extremos passados

    O diretor do ONS recordou que, em episódios recentes, vendavais chegaram a derrubar mais de 20 torres de transmissão sem causar blecautes generalizados no SIN. “Isso demonstra que o desenho em malha da rede brasileira oferece caminhos alternativos para a energia. Mas quanto mais severo for o evento, maior o custo operacional e a necessidade de coordenação com as distribuidoras”, frisou.

    Para 2027, estão previstas:

    • Obras de reforço estrutural em linhas de alta tensão nas regiões Centro-Oeste e Norte, onde as torres metálicas sofrem mais com vendavais.
    • Ampliação de projetos de armazenamento por baterias de grande porte no Nordeste, oferecendo suporte a usinas eólicas quando o vento cai.
    • Revisão dos planos de acionamento de reserva fria em termelétricas, garantindo que plantas a gás possam entrar em operação dentro de seis horas.

    Coordenação institucional com o TSE

    O canal direto entre ONS, Aneel e TSE será formalizado em um protocolo de atuação conjunta a ser divulgado no primeiro semestre de 2026. O documento estabelecerá responsabilidades, procedimentos de reporte de ocorrências e critérios para a entrada imediata em operação de usinas de reserva estratégica.

    No dia da votação, cada sala de controle do sistema elétrico terá representantes do tribunal encarregados de acompanhar em tempo real qualquer perturbação que possa afetar seções eleitorais informatizadas.

    Etapas do protocolo

    1. Medição de carga específica das urnas eletrônicas por região para aprimorar previsões de demanda.
    2. Simulados de contingência envolvendo interrupção intencional de linhas e posterior restabelecimento sob cronômetro.
    3. Relatórios diários ao TSE durante a semana que antecede o pleito e boletins de 30 em 30 minutos nas 24 horas de votação.

    Próximos passos

    Antes da virada de 2025 para 2026, o ONS publicará seu Plano Anual de Operação (PAO) com detalhamento das ações de curto prazo. A versão preliminar já indica investimentos em sensores meteorológicos de alta resolução e em softwares capazes de projetar cenários de risco nos cinco minutos seguintes, recurso importante para antecipar disparos de proteção.

    A Aneel, por sua vez, deve concluir até abril de 2025 o levantamento de necessidades de estoque de combustível nas 212 localidades não interligadas. A previsão é de que o valor repassado supere o montante médio histórico, considerando possíveis gargalos logísticos provocados por estiagem prolongada.

    Com as iniciativas paralelas e a coordenação com o TSE, tanto ONS quanto Aneel sustentam que o Brasil chegará ao pleito de 2026 com “margem de segurança confortável”, mesmo diante de incertezas climáticas e de desafios logísticos na região amazônica. A previsão, afirmam os órgãos, é de que a operação especial mantenha o padrão de confiabilidade observado em grandes eventos passados, como a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. {internal_links}

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.