Em sabatina promovida pela União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços (Unecs) nesta terça-feira (18), o presidenciável Renan Santos classificou como “maluquice” a proposta que põe fim à escala 6×1 — seis dias de trabalho seguidos por um de descanso — e anunciou que, caso eleito, pretende enterrar a medida no Congresso. Ele acrescentou que a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) “já era” e que pretende extinguir a Justiça do Trabalho, considerada por ele um entrave à geração de empregos.
O discurso foi feito durante o “Encontro com Presidenciáveis – Diálogo pelo Futuro do Brasil”, agenda que também recebeu outros nomes da corrida ao Planalto. Renan, que concorre pelo partido Missão, aproveitou o palco para criticar parlamentares, acusar o Legislativo de covardia diante do Executivo e atacar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), a quem chamou de “senhor de escravos” dentro do Congresso.
Críticas à proposta de redução da jornada
Ao abordar a emenda constitucional que modifica a jornada de trabalho — texto patrocinado pelo Palácio do Planalto, já aprovado na Câmara e sob análise do Senado —, Renan foi categórico: “Isso vai resultar numa quebradeira da economia”. Para ele, o projeto teria avançado porque o Congresso estaria “tomado por covardes”, incapazes de resistir à pressão governista. O candidato, que se identifica com a agenda liberal, argumentou que a mudança elevará custos e criará insegurança jurídica para empresas de todos os portes.
O ponto central da crítica é o fim do regime 6×1, considerado padrão em diversas categorias. Renan ressaltou que setores como comércio, serviços e indústria contam com a alternância de folgas para administrar turnos, e que qualquer alteração sem contrapartida “empurrará trabalhadores para a informalidade”. Segundo o presidenciável, a proposta não avalia a realidade de pequenos negócios, sobretudo aqueles que já operam com margens apertadas.
CLT “já era” e proposta de remuneração por hora
Ao expandir a discussão sobre legislação trabalhista, Renan disse que o país precisa de uma “nova CLT”. Na leitura do candidato, a Consolidação de 1943 não dialoga mais com o mercado contemporâneo, onde proliferam relações baseadas em tecnologia, serviços sob demanda e microempreendedorismo. “A maior parte dos serviços já se enquadra no MEI; por que não criar um regime definitivo que pague por hora trabalhada?”, questionou.
Ele deu como exemplo plataformas digitais e atividades sazonais que, na sua opinião, ficam engessadas pela rigidez de contratos tradicionais. O plano mencionado por Renan prevê um modelo de contratação flexível, em que empregador recolhe encargos proporcionalmente ao número de horas efetivamente prestadas e o trabalhador, por sua vez, acumula direitos de forma fracionada. Detalhes sobre alíquota, contribuição previdenciária ou limite de horas ainda não foram apresentados, mas o presidenciável prometeu encaminhar um projeto específico nos primeiros cem dias de governo, caso vença as eleições.
Fim da Justiça do Trabalho
Renan também defendeu a extinção da Justiça do Trabalho. Para ele, o órgão tornou-se “instrumento de desunião” usado por “lobbies de esquerda” que, em suas palavras, “atrapalham” empregadores e trabalhadores. O candidato argumenta que conflitos trabalhistas poderiam ser absorvidos pela Justiça comum, como ocorre em outros países. Ainda segundo o presidenciável, os recursos economizados com a fusão de competências judiciais seriam redirecionados a programas de qualificação profissional.
A fala provocou reações imediatas entre representantes de sindicatos presentes ao auditório, que classificaram a proposta como ataque aos direitos conquistados. Renan rebateu afirmando que, sem modernização, o Brasil continuará produzindo “legislação de papel” que poucos cumprem na prática.

Imagem: Internet
Ataques ao Congresso e a Alcolumbre
Renan não poupou críticas ao Poder Legislativo. Chamou os parlamentares de “vagabundos” e disse que o Congresso está “cheio de gente que vive de conchavo”. O alvo principal foi o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, acusado de comandar a Casa “como um coronel”. Segundo o presidenciável, senadores e deputados tornaram-se “escravos” do dirigente e votam pautas de acordo com interesses particulares, não com as demandas do país.
Questionado por empresários sobre como pretende aprovar reformas estruturais com esse cenário, Renan respondeu que irá “mobilizar a sociedade” e expor votações relevantes em tempo real, pressionando parlamentares via redes sociais. Ele prometeu ainda enviar uma Proposta de Emenda à Constituição que reduza o número de cadeiras no Congresso, mas não apresentou estimativa de corte ou impacto fiscal.
Contexto da escala 6×1 e da PEC da jornada
A escala 6×1, prevista na legislação atual, determina que a cada seis dias de trabalho o empregado tenha direito a um dia de descanso. A PEC defendida pelo governo federal revisa regras dessa carga e abre caminho para jornadas menores ou modelos alternativos, como quatro dias de trabalho por semana, mantendo o salário integral. O texto passou pela Câmara em julho e aguarda votação no Senado, onde precisa de três quintos dos votos em dois turnos.
Entre apoiadores, a mudança é vista como forma de melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores e distribuir empregos. Críticos, como Renan Santos, temem aumento nos custos empresariais, dificuldades de escala produtiva e maior informalidade. O tema deve se tornar um dos pontos centrais da campanha presidencial de 2026, já que diferentes candidatos posicionam-se de maneira divergente em relação à reforma.
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Além de Renan, o evento da Unecs contou com a presença de Augusto Cury (Avante) e outros postulantes, que expuseram propostas para o setor de comércio e serviços. A série de sabatinas prossegue até o fim do mês, com transmissão ao vivo pelas plataformas da entidade.
