Augusto Cury (Avante) escolheu Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, para o primeiro ato oficial de sua corrida ao Palácio do Planalto. Cercado por aliados e jornalistas na manhã de domingo (16), o escritor e psiquiatra abriu a campanha de 2026 afirmando que o país precisa de “uma revolução educacional” e de um ecossistema de segurança pública que una todas as forças policiais.
Ao lado do vice na chapa, Júlio Delgado, e de dirigentes partidários, Cury declarou que Minas Gerais foi o ponto de partida porque “quem conquista o coração dos mineiros ganha o coração do Brasil”. Ele prometeu conduzir uma disputa “100% baseada em projetos”, sem ataques pessoais, para desmontar o que chamou de “polarização esquizofrênica” que, em sua visão, paralisa o debate nacional.
Prioridades resumidas pelo candidato
Durante a coletiva no bairro São João Batista, o presidenciável detalhou três frentes que considera centrais:
- Educação: reformular currículos do Ensino Fundamental II e do Ensino Médio, unindo conteúdo acadêmico, formação técnica e habilidades socioemocionais.
- Segurança pública: criar um ecossistema integrado entre Polícia Federal, Polícias Militares e Civis estaduais e Polícia Rodoviária Federal.
- Pacto nacional: reunir especialistas de várias áreas para desenhar um plano de longo prazo, acima de disputas partidárias.
“Revolução” na educação
Principal bandeira de campanha, a proposta educacional de Cury prevê inserir no Ensino Fundamental II disciplinas de oratória, empreendedorismo, gestão financeira e inteligência emocional. No Ensino Médio, a meta é integrar a formação tradicional ao ensino técnico, oferecendo certificações em informática, marketing digital e inteligência artificial.
O candidato sustenta que essa mudança prepararia jovens para o mercado de trabalho já na saída da escola, transformando o país “em uma das nações mais empreendedoras do planeta”. Para a infância, ele defendeu o Projeto de Lei Augusto Cury, que estabelece consultas médicas ou psicológicas anuais obrigatórias para crianças de 0 a 12 anos, a fim de prevenir abusos e maus-tratos.
Igualdade de oportunidades
Cury criticou a desigualdade de gênero no mercado e prometeu protagonismo feminino em seu eventual governo. Segundo ele, as mulheres “ganham menos e pagam mais juros”, situação que gostaria de reverter por meio de linhas de crédito específicas e incentivo à participação feminina em cargos decisórios, tanto no setor público quanto no privado.
Segurança pública integrada
“Pior do que o crime organizado é um Estado desorganizado”, afirmou o candidato ao anunciar a proposta de interligar bancos de dados e operações das polícias federais, estaduais e rodoviária. O plano inclui:
- Unificação de sistemas de inteligência para compartilhamento em tempo real de informações sobre organizações criminosas;
- Capacitação de 5% dos servidores municipais por tropas de elite das polícias, criando núcleos de reação rápida em cada cidade;
- Aplicativo de proteção para mulheres, que enviaria alerta direto à delegacia mais próxima ao detectar situação de risco.
De acordo com Cury, a estratégia visa reduzir o feminicídio — crime registrado, segundo ele, a cada “cinco ou seis horas” no país — e restabelecer a sensação de segurança nas ruas.
Proteção da infância e das famílias
O presidenciável reforçou que o cuidado com crianças e adolescentes passa não apenas pela escola, mas também pela saúde preventiva e pelo acompanhamento psicológico. “Se não protegermos a infância, continuaremos a ser um país que trata sintomas em vez de causas”, disse.
Plano econômico: gastar menos do que arrecada
Criticando o tamanho da dívida pública, Cury defendeu “um Estado responsável, que gasta menos do que arrecada”. O projeto econômico inclui:

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- Financiamento para 10 milhões de microempresas, considerado por ele o motor da geração de empregos;
- Crédito rural com juros menores, para aliviar o custo de produção agrícola e, consequentemente, o preço dos alimentos;
- Revisão de gastos públicos para direcionar recursos às áreas de educação, segurança e saúde mental.
Agronegócio como vetor de competitividade
Cury observou que produtores rurais “pagam caro para ganhar pouco” e prometeu negociar taxas menores junto a bancos públicos e privados. Ele sustenta que, se o agricultor lucrar mais, o consumidor paga menos e a economia da cadeia alimentar se fortalece.
Combate à polarização e pacto nacional
Chamando o atual ambiente político de “esquizofrênico” e “psicótico”, o candidato declarou que pretende construir pontes entre forças divergentes. O chamado pacto nacional reuniria economistas, ex-governadores e especialistas setoriais “com boas trajetórias de gestão” para organizar um programa de nação unificado.
Cury argumenta que a omissão dos “bons” é tão prejudicial quanto a atuação dos “maus e corruptos”. Ao se colocar como alternativa, disse estar abrindo mão de “conforto pessoal” por “amor à família brasileira”.
Equipe e apoios presentes no lançamento
Além de Júlio Delgado, candidato a vice, compuseram o palco em Santa Luzia:
- Luís Tibé, presidente nacional do Avante;
- Paulo Bigodinho, prefeito anfitrião;
- Carlin Moura, candidato ao Senado por Minas Gerais.
Embora o evento tenha sido restrito à imprensa, a campanha sinalizou que novos encontros abertos ao público ocorrerão ainda nesta semana em Belo Horizonte, interior mineiro e outros estados do Sudeste.
Próximos passos da agenda
A equipe de Cury pretende intensificar viagens a Minas Gerais nas próximas quatro semanas, focando em cidades-polo que concentram eleitorado diversificado. O plano é reforçar a mensagem de que “olhar nos olhos dos mineiros é olhar no coração do Brasil”. Após o ciclo mineiro, a caravana seguirá para o Nordeste.
À medida que a campanha avança, o Avante aposta na imagem de Cury como autor best-seller de obras sobre inteligência emocional para atrair eleitores cansados da disputa entre polos ideológicos. O candidato, porém, frisou que a missão só terá êxito se “as ideias falarem mais alto do que os rótulos”.
