Quaest aponta fidelidade recorde a Lula e Flávio Bolsonaro, mas 3 em cada 10 eleitores ainda podem mudar de candidato

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    Faltando pouco menos de dois meses para o primeiro turno, a pesquisa Quaest contratada pela Globo mostra que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) concentram o eleitorado mais fiel da corrida presidencial de 2026. Entre quem pretende votar em Lula, 77 % afirmam que a escolha é definitiva. No grupo de Flávio, o índice chega a 70 %.

    Apesar do alto grau de convencimento desses dois segmentos, 30 % do conjunto dos eleitores brasileiros ainda admitem trocar de candidato até 4 de outubro, sinal de que a disputa segue competitiva e aberta para movimentações de última hora.

    Fidelidade dos eleitores

    A sondagem, realizada entre 10 e 13 de agosto com 2.004 entrevistados, avaliou o grau de certeza de voto nos principais nomes da disputa. Os percentuais mais altos de convicção ficam concentrados justamente nos polos que lideram as intenções de voto, reforçando o cenário de polarização observado desde o início do ciclo eleitoral.

    • Lula (PT): 77 % dizem estar decididos; 22 % admitem rever a escolha; 1 % não soube responder.
    • Flávio Bolsonaro (PL): 70 % já definiram o voto; 30 % podem mudar; não houve indecisos na resposta.
    • Renan Santos (Missão): 57 % convictos; 43 % suscetíveis a mudança.
    • Ronaldo Caiado (PSD): 55 % certos; 45 % ainda abertos.
    • Romeu Zema (Novo): apenas 23 % fiéis; 77 % propensos a migrar.

    Quando o instituto amplia a pergunta para toda a amostra, 69 % do eleitorado brasileiro já se consideram com o voto decidido, patamar 13 pontos superior ao medido em março (56 %). O dado indica avanço consolidado da definição de voto, mas também revela uma fatia relevante — quase um terço dos eleitores — que pode embaralhar a disputa caso seja atraída por campanhas de última hora.

    Intenção de voto no primeiro turno

    No retrato atual de 1º turno, Lula mantém vantagem de sete pontos percentuais sobre o principal adversário: 38 % contra 31 % de Flávio Bolsonaro. A dupla aparece isolada à frente dos demais postulantes, que somados não chegam a dois dígitos:

    1. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — 38 %
    2. Flávio Bolsonaro (PL) — 31 %
    3. Ronaldo Caiado (PSD) — 4 %
    4. Renan Santos (Missão) — 4 %
    5. Romeu Zema (Novo) — 2 %
    6. Augusto Cury (Avante) — 2 %

    Os demais nomes testados não ultrapassaram 1 %, e a soma de brancos, nulos ou indecisos permaneceu dentro da margem histórica para esta fase da campanha.

    Simulação de segundo turno

    Na disputa direta, a Quaest registra empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro: 43 % a 40 %, diferença inferior à margem de erro de dois pontos percentuais. O resultado sinaliza que a eventual decisão no segundo turno tende a ser apertada e dependerá do comportamento dos eleitores hoje vinculados a candidaturas menores ou ainda indefinidos.

    Leitura dos números

    Para o cientista político Felipe Nunes, diretor da Quaest, o levantamento confirma um quadro de forte polarização, mas não sentencia o desfecho da eleição. Segundo ele, o crescimento do eleitorado convicto reduz o espaço de manobra entre os favoritos, porém a presença de 30 % de eleitores ainda suscetíveis a mudar de voto mantém a corrida em aberto, sobretudo em cenários de segundo turno.

    Peso dos eleitores menos convictos

    O exemplo mais extremo é o de Romeu Zema, cujo potencial de fuga atinge 77 % dos apoiadores declarados. Caso campanhas adversárias consigam atrair essa massa, o quadro de alianças para a fase final da disputa pode sofrer alterações significativas. O mesmo raciocínio vale, em menor escala, para os eleitores de Renan Santos e Ronaldo Caiado, que apresentam taxas de infidelidade próximas de 40 %.

    Metodologia da pesquisa

    A sondagem foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-06773/2026. Foram feitas entrevistas presenciais em 120 municípios dos 26 estados e do Distrito Federal. O nível de confiança de 95 % significa que, se a pesquisa fosse repetida cem vezes, em 95 ocasiões os resultados estariam dentro da margem de erro estabelecida em dois pontos percentuais para mais ou para menos. O questionário segue as diretrizes da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep).

    Próximas rodadas

    Até a véspera do primeiro turno, Globo, g1, GloboNews, jornal O Globo e emissoras afiliadas divulgarão 130 levantamentos eleitorais feitos pela Quaest e pelo Datafolha, cobrindo a disputa presidencial, o Senado e os governos estaduais. A meta é oferecer uma fotografia contínua da campanha e de suas oscilações, permitindo ao público acompanhar em detalhes o movimento dos eleitores e a evolução das estratégias partidárias.

    Calendário e expectativas

    Com o início da propaganda gratuita em rádio e TV e a intensificação dos debates previstos para setembro, analistas políticos apostam que a taxa de indecisos tende a diminuir. A incógnita é a velocidade dessa migração e quem, de fato, será beneficiado. Enquanto Lula foca em manter a dianteira e proteger a base fiel, Flávio Bolsonaro busca reduzir a diferença nos centros urbanos e ampliar a mobilização digital, campo em que o bolsonarismo tradicionalmente demonstra força.

    Panorama geral

    O quadro traçado pela Quaest reforça a narrativa de uma eleição polarizada, mas ilustra também a resiliência de uma parcela do eleitorado que prefere aguardar os últimos movimentos antes de tomar a decisão final. Entre marketing, debates e alianças, cada campanha terá de calibrar a mensagem para convencer esse contingente decisivo — hoje, o fiel da balança que pode definir o próximo presidente do Brasil.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.