Sem verba, Democracia Cristã perde Joaquim Barbosa e lança novata à Presidência

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    O plano do Democracia Cristã (DC) de disputar o Palácio do Planalto com o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa ruiu antes mesmo do início oficial da campanha. Sem tempo de televisão relevante, alianças ou caixa robusto, a sigla ouviu do próprio Barbosa que, nessas condições, ele não colocaria o nome na urna. “O partido não tem tempo, não tem fundo, não tem nada”, lamentou o presidente da legenda, João Caldas.

    Diante da negativa, o DC partiu para o plano B e escolheu a advogada mato-grossense Clariana Barão, figura desconhecida nacionalmente e sem experiência eleitoral, para carregar a bandeira do partido na eleição de 2026. A troca expõe o tamanho das dificuldades da agremiação, que recebeu apenas R$ 3,31 milhões do fundo eleitoral — a cota mínima prevista pela legislação.

    Barbosa sai de cena antes de entrar

    Anunciado em maio como a aposta capaz de dar projeção ao pequeno Democracia Cristã, Joaquim Barbosa nunca chegou a participar de eventos de pré-campanha. O magistrado, que ganhou notoriedade ao relatar o processo do mensalão no Supremo, impôs uma condição básica: só aceitaria a candidatura se houvesse “estrutura mínima” para percorrer o país, produzir material de divulgação e arcar com viagens e equipe.

    Segundo João Caldas, a direção nacional passou os últimos meses tentando levantar recursos e costurar alianças, mas esbarrou na falta de votos e de bancada federal que garantissem fatia maior do fundo partidário. Sem perspectiva de sustentar um giro nacional, Barbosa comunicou que não seria candidato.

    Repercussão interna

    • Militantes apostavam no capital simbólico de Barbosa para turbinar candidaturas proporcionais.
    • Sem a figura pública de maior alcance, dirigentes temem redução ainda maior de votos na Câmara.
    • A desistência ocorreu a menos de dois meses do período de convenções partidárias.

    Escassez de recursos trava estratégia do partido

    O calendário eleitoral prevê que o montante do fundo especial seja distribuído conforme a votação obtida e o número de parlamentares eleitos na disputa anterior. No caso do DC, a sigla não ultrapassou o piso mínimo, ficando com R$ 3,31 milhões para suas chapas em todo o país. Na prática, o valor cobre despesas básicas de campanha, mas é insuficiente para financiar uma corrida presidencial competitiva.

    Além do dinheiro curto, o partido possui pouquíssimos segundos no horário eleitoral gratuito, o que inviabiliza inserções publicitárias de maior alcance. “Não adiantaria ter um nome forte se não teríamos onde mostrá-lo”, reconheceu Caldas.

    Tentativa de vice com Zema

    Com a candidatura própria fora do tabuleiro, Joaquim Barbosa passou a ser cotado para a vice na chapa presidencial do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). Os dois chegaram a conversar, e Zema planejava um encontro no Rio de Janeiro para discutir a formação da aliança. Porém, as negociações esfriaram e o Novo sinalizou que deve escolher um correligionário para a vaga.

    João Caldas afirmou que o DC não foi convidado a participar oficialmente das tratativas. “Nunca estive nessas conversas”, disse o dirigente, reforçando que Barbosa continua filiado, mas sem função eleitoral definida.

    Quem é Clariana Barão

    Nascida em Várzea Grande (MT), Clariana Barão tem 15 anos de advocacia e preside o diretório estadual do Democracia Cristã em Mato Grosso. Graduada pelo Centro Universitário de Várzea Grande (Univag), ela entra na disputa nacional sem ter concorrido a cargos públicos anteriormente.

    A escolha da advogada atende a duas intenções do partido: preencher a lacuna deixada por Barbosa e reforçar o discurso de ampliação da presença feminina na política. De acordo com João Caldas, a campanha de Clariana levará como bandeiras principais o combate ao feminicídio e a inclusão de mulheres em cargos de decisão. “O programa que ela defende é a participação efetiva das mulheres na conjuntura da política nacional”, resumiu.

    Desafios da estreante

    1. Construir visibilidade nacional em prazo curto.
    2. Reunir recursos para percorrer os estados sem extrapolar o teto legal de gastos.
    3. Formar chapa de apoio que garanta, ao menos, palanques regionais.

    Próximos passos da Democracia Cristã

    Com a convenção partidária no horizonte, o DC corre para registrar a nova candidatura e adaptar o programa de governo. A legenda ainda tenta atrair pequenas siglas que possam agregar segundos de TV e verbas complementares do fundo eleitoral. Mesmo assim, dirigentes admitem reservadamente que a batalha principal será manter a cláusula de desempenho no Congresso.

    Enquanto isso, Joaquim Barbosa não descarta participar do debate público, mas deixa em aberto qualquer papel formal na campanha. A ausência do ex-ministro do STF, figura reconhecida pelo eleitorado, coloca sob teste a capacidade de sobrevivência do Democracia Cristã em um pleito marcado por coligações robustas e altos investimentos.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.