O Partido dos Trabalhadores reúne sua militância neste domingo (2), em São Paulo, para tornar oficial a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição. A convenção nacional ocorre no Expo Center Norte, a partir das 10h, e marca a largada da quinta corrida presidencial do petista — a quarta em que chega como franco-favorito.
Ao lado de Geraldo Alckmin (PSB), confirmado na quarta-feira (29) para repetir a chapa vencedora de 2022, Lula, de 80 anos, tenta chegar a 16 anos de gestão no Palácio do Planalto. Caso vença em outubro, ficará atrás apenas de Getúlio Vargas em tempo acumulado no comando do país.
Convenção em São Paulo reúne aliados e define diretrizes
O encontro na capital paulista terá representantes dos seis partidos que integram a coligação pró-Lula — PT, PSB, PDT, PCdoB, PV e a federação PSOL/Rede. Dirigentes dessas legendas devem assinar o programa de governo e o manifesto que será entregue à Justiça Eleitoral até 15 de agosto, prazo limite para registro das candidaturas.
Delegados estaduais do PT chegam a São Paulo na noite de sábado. Logo cedo, no domingo, participam de reunião a portas fechadas para validar o documento final que será lido no plenário. O discurso de Lula está previsto para o início da tarde e deve enfatizar crescimento econômico, transição energética e políticas sociais como eixos da campanha.
Aos 80 anos, Lula busca marca histórica
Líder sindical que se transformou no político mais longevo da democracia brasileira, Lula venceu as urnas em 2002, 2006 e 2022. Foi derrotado em 1989, 1994 e 1998, mas acumulou capital político suficiente para voltar ao Planalto três anos após ter deixado a prisão, em 2018, quando suas condenações foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal.
Se obtiver um novo mandato, o petista somará 16 anos no cargo, superando inclusive o período de 14 anos somados pelos dois governos de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) e por quase dobrar o tempo de mandato de Juscelino Kubitschek (1956-1961).
Alckmin mantém vice e amplia peso dentro do governo
Antigo adversário tucano de Lula nas eleições de 2006, Alckmin migrou para o PSB em 2022, foi eleito vice-presidente e, na atual gestão, acumulou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. A pasta tornou-se vitrine para negociações com o empresariado e para a pauta de reindustrialização que o Planalto pretende destacar durante a campanha.
Na convenção do PSB, realizada na quarta-feira, Lula compareceu pessoalmente para prestigiar o aliado. A recondução do ex-governador paulista ao posto de vice reforça a imagem de frente ampla contra a extrema-direita, discurso que se mantém como eixo central da campanha petista.
Robustez da coligação
- PDT – Primeiro a declarar apoio formal, em 20 de julho, sob argumento de defesa dos direitos trabalhistas e oposição à extrema-direita.
- PSB – Repete a fórmula eleitoral de 2022 e segue com Alckmin na vice.
- Federação Brasil da Esperança (PT, PV, PCdoB) – Núcleo histórico da base de Lula, atua unificado no Congresso.
- Federação PSOL/Rede – Reúne sigla de longa proximidade com o petista e a Rede, da ministra Marina Silva, candidata ao Senado por São Paulo.
Juntas, as legendas totalizam a maior bancada governista na Câmara, condição considerada estratégica para eventual segundo mandato, principalmente em agendas de reforma tributária e de investimentos públicos.
Calendário apertado na Justiça Eleitoral
A legislação determina que todas as convenções partidárias terminem até 5 de agosto. Depois, cada chapa tem até o dia 15 do mesmo mês para protocolar pedido de registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A propaganda oficial de rádio, TV e internet poderá começar em 16 de agosto.
Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário de Lula nas pesquisas, realizou sua convenção em 25 de julho, mas ainda negocia alianças. Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) formalizaram candidaturas em 26 e 27 de julho, respectivamente. Renan Santos, do recém-criado partido Missão, fechou a lista de convenções no sábado (1º). Com isso, Lula será o último dos cinco nomes mais competitivos a oficializar posição.
Inquéritos sobre Lulinha aquecem o clima eleitoral
Na véspera da convenção, o Supremo Tribunal Federal autorizou a abertura de dois inquéritos para investigar Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, por suspeita de tráfico de influência e corrupção. O despacho é do ministro André Mendonça, que atendeu a pedido da Polícia Federal.

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As investigações miram suposta atuação do filho mais velho do presidente para favorecer lobistas interessados em contratos com o serviço público, entre eles Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS” e apontado em relatório policial como operador de desvios em aposentadorias e pensões.
A defesa de Lulinha, conduzida pelo advogado Marco Aurélio de Carvalho, classificou a iniciativa como tentativa de interferência no processo eleitoral. “Não há qualquer fato que justifique a abertura dos inquéritos, e isso será provado”, declarou o advogado.
Lula, entrevistado pelo podcast “Inteligência Ltda.” na quinta-feira (30), respondeu que o filho “será tratado como o de qualquer brasileiro” e que não haverá pedidos de interferência na Justiça. “Se tiver razão, terá meu apoio; se estiver errado, arcará com as consequências”, afirmou o presidente.
Cenário de disputa permanece fragmentado
Embora as pesquisas indiquem vantagem consistente para o presidente, analistas dentro do PT avaliam que a campanha não deve subestimar a mobilização da oposição. O ex-deputado Flávio Bolsonaro — filho de Jair Bolsonaro, que permanece inelegível — busca reproduzir o discurso conservador do pai e tenta formar palanque com partidos do Centrão, mas ainda não apresentou coligações oficiais.
Além dele, Caiado e Zema almejam ocupar espaço no eleitorado de centro-direita. A presença de Renan Santos, ativista do Movimento Brasil Livre (MBL) que se lançou por partido próprio, tende a fragmentar a fatia liberal da disputa.
No entorno de Lula, a aposta é que a aliança ampliada e a imagem de estabilidade econômica nos últimos anos garantam vantagem. A campanha deverá explorar números de emprego, retomada industrial e programas sociais turbinados, como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida.
Próximos passos da campanha petista
Encerrada a convenção deste domingo, a equipe de comunicação do PT planeja uma caravana pelo Nordeste ainda em agosto, começando pelo Ceará. A região, que deu a Lula mais de 70% dos votos válidos em 2022, continua sendo o principal reduto eleitoral do presidente.
Em setembro, está prevista a primeira rodada de debates televisivos. A expectativa é que Lula participe apenas dos encontros promovidos por emissoras de maior audiência, estratégia semelhante à adotada quatro anos atrás. Já Alckmin, segundo assessores, deverá cumprir papel de “escudeiro” em agendas de diálogo com o setor produtivo, sobretudo no Sudeste.
Olho no Congresso
Por fim, dirigentes petistas ressaltam que o foco não será apenas o Planalto. O partido pretende reforçar candidaturas proporcionais para ampliar a base no Senado e na Câmara, condição considerada essencial para aprovar reformas e manter coesão na coalizão que sustenta o governo.
Com o lançamento oficial neste domingo, Lula e seus aliados dão o primeiro passo formal na tentativa de permanecer mais quatro anos à frente do Executivo federal, em uma eleição que promete misturar legado, investigações e a crescente polarização política do país.
