Lula descarta privilégios a Lulinha e diz que filho responderá se Justiça avançar em nova investigação

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    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o filho, Fábio Luís Lula da Silva, o “Lulinha”, enfrentará eventual processo judicial “como o filho de qualquer brasileiro” depois de o Supremo Tribunal Federal autorizar novo inquérito contra ele. Ao comentar o caso no podcast “Inteligência Ltda.”, Lula frisou que não pedirá favores a magistrados e ressaltou que não tolerará erros: “Se estiver certo, terá meu apoio; se errar, não terá privilégio”.

    As falas ganharam peso político horas depois de o ministro André Mendonça, do STF, abrir investigação para apurar supostos crimes de tráfico de influência e corrupção envolvendo Lulinha e o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, em negócios para vender medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde.

    As declarações no podcast

    “Não vai ficar escondido”

    Diante da plateia virtual, Lula recordou o impacto pessoal da Operação Lava Jato — que, segundo ele, contribuiu para a morte de sua esposa, Marisa Letícia — e disse que o filho compreende a gravidade de uma acusação criminal. “Ele sabe o que passei. Sabe o que é ligar a televisão e ver o pai ser chamado de ladrão”, afirmou. Para o presidente, a experiência familiar vivida nos últimos anos reforça a ideia de que Lulinha “não tem o direito de errar”.

    Lula também insistiu que não existe espaço para ingerência política sobre a Justiça. “Jamais pedirei para um juiz deixar de fazer a coisa correta”, declarou. A mensagem foi interpretada por aliados como tentativa de desarmar críticas de que o Planalto agiria para proteger parentes em investigações sensíveis.

    O inquérito autorizado pelo STF

    Alvo: tráfico de influência e corrupção

    O despacho de André Mendonça, entregue nesta quinta-feira (30), atende a pedido da Polícia Federal para aprofundar suspeitas sobre negociações em torno de produtos à base de cannabis medicinal. A corporação quer saber se Lulinha atuou para facilitar a aproximação de Careca do INSS ao Ministério da Saúde com vistas a contratos milionários previstos para 2024 e 2025. As tratativas não se concretizaram, mas a PF vê indícios de lobby irregular.

    Investigadores também apuram se vantagens indevidas teriam circulado entre o lobista e o filho do presidente. Caso as acusações se confirmem, Lulinha poderia ser enquadrado nos artigos de corrupção passiva e tráfico de influência, crimes cujas penas somadas podem ultrapassar dez anos de prisão.

    Conexão com a Operação Sem Desconto

    Careca do INSS já era monitorado na Operação Sem Desconto, que apura desvios em aposentadorias e pensões. Segundo a PF, ele figura entre os principais articuladores do esquema. A nova linha investigativa acrescenta o segmento de cannabis medicinal ao leque de suspeitas. Na visão dos investigadores, o histórico de Careca em fraudes previdenciárias acendeu alerta sobre eventual repetição do método em outros setores.

    Tentativa de contrato com o Ministério da Saúde

    Negócio milionário que não saiu do papel

    Em janeiro, o g1 revelou que Careca buscou formalizar três contratos com o Ministério da Saúde para fornecer medicamentos de canabidiol por cifras elevadas. Mesmo com articulações de bastidores, o acordo não prosperou. A PF acredita que Lulinha possa ter ajudado o lobista a ser recebido por autoridades da pasta, abrindo espaço para a oferta.

    A ofensiva comercial envolveu ainda a empresária Roberta Luchsinger, amiga de longa data de Lulinha. Contratada por Careca, ela teria atuado para prospectar oportunidades no governo em favor da empresa World Cannabis, pertencente ao próprio lobista. Os investigadores pretendem mapear reuniões, e-mails e mensagens que indiquem participação ativa do filho do presidente nesse processo.

    Posicionamento da defesa

    “Novo inquérito porque nada foi encontrado”

    O advogado Marco Aurélio de Carvalho, responsável pela defesa de Lulinha, criticou a decisão da PF de abrir outra frente de investigação. Para ele, o pedido só surgiu porque, na apuração ligada às fraudes do INSS, não se detectou conduta irregular do cliente. “Consideramos esse novo inquérito absolutamente desnecessário”, disse, sinalizando que apresentará documentos para comprovar a inexistência de vantagem indevida.

    Lula descarta privilégios a Lulinha e diz que filho responderá se Justiça avançar em nova investigação - Imagem do artigo original

    Imagem: Internet

    Carvalho argumenta que não há transação comercial firmada nem pagamento estatal em favor da World Cannabis, fator que, segundo ele, esvazia a hipótese de corrupção. Ainda assim, a defesa se compromete a colaborar com a Justiça a fim de acelerar o esclarecimento dos fatos.

    Quem é “Careca do INSS”

    Antônio Carlos Camilo Antunes ganhou o apelido pela longa atuação em esquemas que fraudavam benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social. De acordo com as investigações, ele seria um dos mentores das irregularidades desvendadas na Operação Sem Desconto. Agora, seu nome reaparece associado a negócios com canabidiol, mercado em expansão no país.

    Para a PF, o histórico do lobista reforça a possibilidade de que a tentativa de vender remédios ao Ministério da Saúde repetisse padrões usados anteriormente no INSS: intermediação de contratos públicos em troca de propina e favorecimentos. A conexão com pessoas próximas ao presidente, avaliam investigadores, poderia ter facilitado o acesso a gabinetes estratégicos.

    Impacto político para o governo

    Embora o Palácio do Planalto não tenha divulgado nota oficial, auxiliares admitem que a investigação traz desgaste num momento em que o governo tenta consolidar pautas econômicas e avançar na articulação no Congresso. A fala de Lula, enfatizando ausência de privilégios, foi lida como esforço para conter a repercussão negativa e demonstrar confiança na apuração imparcial da Justiça.

    Integrantes da base receiam, contudo, que opositores explorem o tema para relembrar episódios da Lava Jato e reacender debates sobre ética no poder. O presidente, ao reforçar que “ninguém está acima da lei”, busca preservar a imagem de que seu terceiro mandato não repetirá velhas práticas que marcaram crises passadas.

    Próximos passos no Supremo

    Com a investigação instaurada, a Polícia Federal deve solicitar quebras de sigilo e colher depoimentos nas próximas semanas. O relator André Mendonça acompanhará o cumprimento das diligências e decidirá sobre eventuais pedidos de busca ou outras medidas cautelares. Ao término, caberá à Procuradoria-Geral da República avaliar se oferece denúncia ou pede o arquivamento.

    Até lá, Lulinha permanecerá na condição de investigado, sem restrições de liberdade. Caso surjam novos elementos, o STF poderá ampliar o escopo do inquérito ou adotar providências adicionais, sempre mediante manifestação da PGR.

    O que disse Lula, ponto a ponto

    • Filho será tratado “como qualquer outro”;
    • Presidente não pedirá favores a juízes;
    • Se Lulinha errar, “não terá minha ajuda”;
    • Experiência da Lava Jato serve de alerta para a família;
    • “Ele não tem o direito de errar”, concluiu Lula.

    Enquanto a investigação segue no STF, o Planalto aposta em transparência para reduzir danos de imagem. O desfecho, porém, dependerá das provas reunidas pela Polícia Federal e do posicionamento da Procuradoria. Até lá, a promessa de Lula de não interferir será observada com lupa por aliados e adversários.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.