Em convenção nacional realizada nesta quarta-feira (29), em Brasília, o Partido Socialista Brasileiro (PSB) oficializou o nome de Geraldo Alckmin como candidato a vice-presidente na chapa que buscará a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2026. Ao aprovar a indicação, a legenda também referendou coligação com PT, PDT, PCdoB, PV, PSOL e Rede, repetindo a composição que venceu o pleito de 2022.
O ato marcou a primeira grande demonstração pública de unidade entre os partidos que compõem a base governista. Diante de parlamentares, governadores, presidentes de sigla e de Lula, Alckmin discursou em tom de campanha, fez críticas ao governo anterior e afirmou que “não é possível falar em liberdade tentando derrubar a democracia”.
Convenção sela aliança e confirma continuidade da chapa vencedora de 2022
O evento ocorreu em um centro de convenções na capital federal e simbolizou a arrancada oficial do PSB rumo ao calendário eleitoral. Embora a candidatura presidencial de Lula só seja sacramentada no domingo (2), durante a convenção do PT em São Paulo, a manutenção de Alckmin no posto de vice já estava pacificada nos bastidores — e ganhou caráter formal com a votação dos socialistas.
Com o aval, o PSB tornou-se o segundo partido a homologar apoio a Lula. O primeiro foi o PDT, que endossou a coligação em 20 de julho. A federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB) e a federação PSOL/Rede participam de forma automática, pois funcionam como blocos partidários únicos desde 2022. Juntas, essas siglas formam a principal frente de esquerda e centro-esquerda da disputa de 2026.
Presenças e clima de campanha
A convenção foi marcada por discursos que miravam a consolidação da aliança e a necessidade de enfrentar a extrema direita. Lula e Alckmin dividiram o palco com líderes como Carlos Siqueira, presidente do PSB, e Gleisi Hoffmann, presidente do PT. Parlamentares de todos os partidos coligados exibiram cartazes com o slogan “Democracia, Trabalho e Futuro”.
No seu pronunciamento, Alckmin citou as denúncias de uso da máquina pública para interferir no segundo turno de 2022 — tema investigado pelo Tribunal Superior Eleitoral — e atacou adversários que questionam o resultado das urnas. “Quem não acredita no voto popular não deveria disputar eleição nem pedir voto”, disse.
Calendário apertado: prazos e próximos passos
As siglas têm até 5 de agosto para realizar convenções e até 15 de agosto para registrar oficialmente seus candidatos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A propaganda em rádio, TV e internet começa em 16 de agosto. Com o PSB na vice e o PDT já embarcado, a campanha petista tenta atrair legendas de centro que ainda negociam espaços em palanques regionais.
Dentro do governo, a permanência de Alckmin na chapa é vista como gesto de estabilidade institucional e sinal ao empresariado. Além da Vice-Presidência, o ex-governador de São Paulo comanda o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, pasta estratégica para a interlocução com o setor produtivo.
Alckmin: de adversário tucano a parceiro do Planalto
Até 2022, Alckmin acumulava duas disputas presidenciais contra Lula, ambas pelo PSDB. A reaproximação começou após a saída do tucanato e filiação ao PSB, no início daquele ano. A dobradinha que parecia improvável rendeu vitória no primeiro turno, elevada popularidade entre eleitores de centro e a imagem de “ponte” entre a esquerda e segmentos moderados.
No primeiro ano de governo, Alckmin estrelou agendas internacionais em defesa da neoindustrialização, coordenou o Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial e participou de missões comerciais na China, nos Estados Unidos e na Europa. A atuação reforçou sua presença em palanques estaduais e fortaleceu a narrativa da atual campanha: união ampla em defesa da democracia.
Frente ampla ganha tração com PDT, PV, PCdoB, PSOL e Rede
Além do PSB, outros partidos renovaram ou anunciaram apoio a Lula na última semana:
- PDT – homologou a aliança em 20 de julho, destacando a pauta trabalhista como eixo de convergência;
- Federação Brasil da Esperança (PT, PV, PCdoB) – atua de forma unificada no Congresso e nas eleições desde 2022;
- Federação PSOL/Rede – alinhou-se ao Planalto ressaltando políticas socioambientais e direitos humanos.
A coordenação da campanha estima que outras siglas aguardem as últimas semanas de julho para decidir. O objetivo é conquistar tempo de televisão adicional e garantir apoio nos principais colégios eleitorais.

Imagem: Ricardo Stuckert
Impacto nos estados e composição de palanques
Nos bastidores, dirigentes articulam palanques integrados em estados como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, onde as disputas ao Senado e aos governos estaduais costumam influenciar a eleição presidencial. A manutenção de Alckmin — político paulista com quatro mandatos de governador — é considerada trunfo para atrair MDB e PSD em redutos onde esses partidos são fortes.
Em Pernambuco, berço do PSB, a convenção repercutiu positivamente entre correligionários da governadora Raquel Lyra (PSDB), possível aliada na esfera estadual. Já no Nordeste, PT e PSB negociam candidaturas únicas para evitar fragmentação da base governista.
Discurso de Alckmin mira a democracia e critica adversários
Ao assumir oficialmente a condição de vice, Alckmin convergiu com o tom adotado por Lula desde 2022: defesa do sistema eleitoral. Ele acusou opositores de “tentar impedir as pessoas de votarem legitimamente” e de “propor a derrubada de um governo eleito”. Embora não tenha citado nomes, as referências miram diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro, investigado por questionar a lisura das urnas.
A fala foi recebida com aplausos e reforçou a estratégia de contrastar o atual governo com o anterior. Coordenadores de campanha pretendem explorar o tema nos debates e nas inserções de TV, apostando que a proteção à democracia segue mobilizando eleitores moderados.
Lula será oficializado neste fim de semana
A convenção nacional do PT, marcada para domingo (2) na capital paulista, deverá ratificar Lula como candidato à reeleição. A expectativa é que o evento repita o clima de unidade e apresente as primeiras diretrizes do programa de governo 2026-2030, focadas em crescimento econômico, transição energética e combate à desigualdade.
Com as duas peças centrais da chapa definidas, a coordenação passará a concentrar esforços na montagem dos comitês regionais, no ajuste da comunicação digital e na arrecadação de recursos — etapas consideradas cruciais pela equipe petista para manter a dianteira apontada pelas pesquisas iniciais.
Prazo final e largada oficial da campanha
Faltando pouco para o limite de 5 de agosto, legendas que ainda negociam espaços ministeriais ou coligações estaduais correm contra o relógio para tirar dúvidas jurídicas e garantir quórum interno. Depois do registro no TSE, em 15 de agosto, a campanha entra em fase irreversível: a partir do dia 16, candidaturas podem pedir voto explicitamente, e começa a exibição das propagandas em rádio e TV.
A manutenção da chapa Lula-Alckmin foi interpretada nos meios políticos como sinal de continuidade, mas também de ampliação da coalizão. Aliados acreditam que a presença do ex-tucano pode neutralizar ataques de adversários que rotulam o governo como “radical”. Já analistas veem na dobradinha um recado de que o Palácio do Planalto pretende seguir dialogando com setores do mercado e da classe média urbana.
Resta, agora, acompanhar como a oposição vai reagir à consolidação da frente ampla e de que forma novos partidos se posicionarão até a data-limite para as convenções. Enquanto isso, o governo tenta aproveitar o capital político de seus aliados para se fortalecer em duas frentes: a institucional, no Congresso, e a eleitoral, nas ruas.
