Alvo de condenação unânime no Supremo Tribunal Federal (STF) e impedido de disputar cargos eletivos até 2033, o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) anunciou que não fará parte da chapa do Partido Liberal ao Senado por São Paulo em 2026. Em mensagem publicada nas redes sociais, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro declarou que a decisão tem o objetivo de “preservar um projeto maior” e evitar riscos jurídicos à candidatura encabeçada pelo deputado estadual André do Prado (PL), presidente da Assembleia Legislativa paulista.
O recuo ocorreu poucos meses depois de Eduardo obter o green card norte-americano e fixar residência nos Estados Unidos, para onde viajou em março de 2025. Condenado pelo STF a quatro anos e dois meses de prisão em regime semiaberto por coação no processo sobre a tentativa de golpe de 8 de Janeiro, ele também ficou inelegível por oito anos. Mesmo assim, era cotado como primeiro suplente de Do Prado, posição que agora será ocupada pelo ex-prefeito de Holambra, Fernando Fiori de Godoy.
Decisão anunciada nas redes
Argumentos apresentados
No comunicado, Eduardo Bolsonaro afirma ter sido “fortemente aconselhado” por advogados a não dar sequência ao registro de candidatura diante do que descreve como “grave insegurança jurídica” e “perseguição política” contra sua família. “Nunca fiz política por cargos”, escreveu, reforçando que considera estratégica a vaga ao Senado disputada por André do Prado para “o futuro do Brasil”.
O parlamentar cassado também justificou que qualquer impugnação à chapa poderia arrastar o processo eleitoral paulista a uma disputa judicial prolongada. O PL vinha negociando sua participação como forma de atrair o eleitorado bolsonarista no estado, mas desistiu após avaliar o risco de questionamentos imediatos no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo e no Tribunal Superior Eleitoral.
Condenação e inelegibilidade
Processo no STF
Em junho de 2026, os 11 ministros do Supremo condenaram Eduardo Bolsonaro por coação no curso do processo que investigou a articulação para fraudar o resultado da eleição presidencial de 2022 e sustentar a tentativa de golpe ocorrida em 8 de janeiro de 2025. A pena de quatro anos e dois meses em regime semiaberto veio acompanhada da perda dos direitos políticos por oito anos, contados a partir da condenação.
O julgamento enquadrou o deputado nos crimes previstos na Lei de Segurança Nacional e no Código Eleitoral. A acusação apontou que ele atuou para intimidar autoridades e incentivar protestos violentos que culminaram na invasão das sedes dos Três Poderes, em Brasília. A defesa alega que as manifestações de Eduardo foram “exercício legítimo da liberdade de expressão”.
Cassação na Câmara
A condenação soma-se à cassação de seu mandato, decidida pela Mesa Diretora da Câmara em dezembro de 2025. O colegiado considerou que o parlamentar faltou a mais de um terço das sessões deliberativas de forma injustificada, violando o regimento interno. Desde então, ele perdeu o foro privilegiado e a remuneração, mas mantém a residência funcional nos Estados Unidos.
Impacto na chapa paulista ao Senado
Substituições de suplentes
Com a saída de Eduardo, o PL precisou reformular a composição da chapa. O ex-prefeito de Holambra, Fernando Fiori de Godoy, tornou-se o primeiro suplente, enquanto a vereadora paulistana Rute Costa assumiu a segunda suplência. André do Prado mantém a cabeça da coligação, que reúne ainda o deputado federal Guilherme Derrite (PP) como segundo candidato ao Senado e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que busca a reeleição.

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Em nota, Do Prado afirmou ter recebido “com respeito” a decisão de Eduardo e destacou que o grupo segue “unido, fortalecido e focado” em representar os valores conservadores do eleitorado paulista. Dirigentes do PL avaliam que a saída do filho “03” de Bolsonaro evita impugnações, mas pode diminuir o potencial de mobilização de militantes bolsonaristas na campanha de 2026.
Vida nos Estados Unidos e obtenção de green card
Relação com governo Trump
Eduardo Bolsonaro mudou-se para os Estados Unidos em março de 2025, logo após as primeiras operações da Polícia Federal contra aliados do pai. Em solo norte-americano, manteve interlocução com integrantes do governo Donald Trump e trabalhou para angariar apoio político e jurídico à defesa de Jair Bolsonaro, posteriormente condenado a 27 anos de prisão pelo STF.
Em julho de 2026, o Serviço de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos concedeu a Eduardo o status de residente permanente. O green card permite que ele viva e trabalhe no país por tempo indeterminado, mas não interfere na tramitação das ações penais que responde no Brasil. Caso decida retornar, o deputado cassado precisará cumprir a pena fixada pelo Supremo, salvo eventual acordo de cooperação internacional que modifique a execução.
Repercussão política
A desistência de Eduardo Bolsonaro reverberou em grupos bolsonaristas nas redes sociais, onde parte da militância lamentou a saída da disputa e atribuiu o recuo à “judicialização” da política. Já opositores classificaram a decisão como reconhecimento de que a chapa teria poucas chances de se manter válida perante a Justiça Eleitoral.
Líderes de partidos de centro e esquerda enxergam a mudança como oportunidade de enfraquecer o palanque bolsonarista em São Paulo, maior colégio eleitoral do país. Ao mesmo tempo, analisam que a movimentação abre espaço para novas alianças do PL, que tenta costurar apoios no interior paulista para compensar a ausência do sobrenome Bolsonaro na urna.
Sem mandato e residindo no exterior, Eduardo Bolsonaro passa a se dedicar à defesa de Jair Bolsonaro nos tribunais e ao fortalecimento de organizações conservadoras internacionais ligadas ao ex-estrategista da Casa Branca, Steve Bannon. Dentro do PL, a avaliação é de que ele continuará atuando nos bastidores como elo entre a família Bolsonaro e a base militante, ainda que fora da disputa formal em 2026.
