Derrite descarta saída da corrida ao Senado em SP e chama rumores de “fofoca de desesperados”

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    O deputado federal Guilherme Derrite (PP) avisou que permanece candidato ao Senado por São Paulo, apesar de pressões internas e do avanço de Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) nas últimas pesquisas. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o ex-secretário de Segurança Pública classificou os boatos sobre sua retirada como “fofoca de desesperados” e garantiu que seu nome já foi homologado na convenção estadual.

    A reação veio depois de levantamentos Quaest e Datafolha mostrarem as duas ex-ministras liderando a disputa pelas duas cadeiras paulistas, enquanto Derrite aparece em posição intermediária e com o eleitorado de direita pulverizado entre ele, André do Prado (PL) e Ricardo Salles (Novo). A leitura de parte da direção do PP é que, nesse cenário, só uma vaga tende a ficar com o campo conservador, o que estimulou conversas para que o deputado buscasse a reeleição e ajudasse a sigla a puxar votos à Câmara.

    Bastidores de uma candidatura contestada

    No PP, a defesa pela troca de planos não é nova. Dirigentes ouvidos reservadamente argumentam que Derrite seria um “puxador de legenda” mais valioso na Câmara do que em uma chapa formada por três nomes do mesmo espectro ideológico. Além disso, avaliam que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) dedica-se prioritariamente à eleição de André do Prado, presidente da Assembleia Legislativa, considerado mais articulado com prefeitos do interior.

    O descompasso entre Tarcísio e Derrite ganhou corpo quando o deputado deixou, em dezembro passado, o comando da Segurança Pública após uma sequência de operações policiais marcadas por denúncias de violência. Desde então, interlocutores relatam raros encontros entre os dois. Nas últimas inaugurações de obras – entre elas a Linha 6-Laranja do Metrô e intervenções na antiga Cracolândia – o governador dividiu palanque com Ricardo Nunes (MDB) e André do Prado, sem sequer citar o ex-secretário.

    Olho em 2030

    Parlamentares progressistas acreditam que a frieza tem relação com a sucessão estadual. “Todo mundo sabe que o Derrite quer disputar o Palácio dos Bandeirantes em 2030”, disse um dirigente pepista. Para esse grupo, virar senador fortaleceria o projeto do ex-oficial da Rota, enquanto a permanência na Câmara manteria sua visibilidade, mas sem o peso institucional de oito anos no Senado.

    Nesse xadrez, Tarcísio busca consolidar sua própria hegemonia no campo bolsonarista paulista e avalia que um aliado menos ambicioso poderia facilitar a transição de poder, caso seja reeleito governador.

    Números que alimentam a disputa

    O estopim dos rumores foi a pesquisa Quaest, divulgada nesta quarta-feira (29), cujo cenário 1 aponta:

    • Marina Silva (Rede): 14%
    • Simone Tebet (PSB): 12%
    • Pablo Marçal (União Brasil): 9%
    • Guilherme Derrite (PP): 7%
    • André do Prado (PL): 5%
    • Paulinho da Força (Solidariedade): 4%
    • Ricardo Salles (Novo): 4%
    • Robson Tuma (Republicanos): 3%
    • Indecisos: 21% | Branco/Nulo: 20%

    Num segundo cenário, sem a presença do tucano José Aníbal, Derrite vai a 8% e Salles sobe para 5%, mas Marina e Tebet seguem na dianteira. A sondagem ouviu 1.650 eleitores entre 23 e 27 de julho, tem margem de erro de dois pontos percentuais e está registrada sob o número SP-04846/2026.

    Voto ainda volátil

    Dados da mesma Quaest indicam que 54% do eleitorado admite mudar de escolha até outubro, enquanto 44% se dizem convictos. Para analistas, o alto índice de indefinição mantém a disputa aberta e reforça a importância de palanques estaduais robustos – ponto que, hoje, favorece Marina e Tebet por contarem, respectivamente, com o apoio de Guilherme Boulos (PSOL) e do ex-governador Geraldo Alckmin (PSB).

    A resposta de Derrite

    Em sua gravação de pouco mais de dois minutos, o deputado lembrou que lidera as intenções de voto “dentro do campo da direita” e ironizou o que chamou de “indústria de fake news”: “Isso só acontece porque o pessoal do outro lado está com medo. Vão inventar todo dia alguma coisa até 3 de outubro”. Ele encerrou a mensagem conclamando eleitores a “garantir um defensor para São Paulo no Senado”.

    Embora tente demonstrar confiança, a campanha terá de superar a competição direta com aliados. André do Prado, por exemplo, conta com a máquina do PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, e com o corpo a corpo em mais de 300 prefeituras interioranas. Já Ricardo Salles mobiliza o eleitor conservador da capital e da Grande São Paulo.

    Estratégia em revisão

    Assessores de Derrite admitem, nos bastidores, que o comitê estuda intensificar agendas regionais e investir em peças publicitárias que reforcem a imagem de “senador da segurança”, tema caro ao eleitorado bolsonarista. A equipe também monitora a situação jurídica de Pablo Marçal, que tenta reverter a inelegibilidade no TSE; caso o influenciador fique fora da disputa, seus 9% podem redesenhar o tabuleiro.

    Próximos passos

    As conversas internas no PP devem continuar até o prazo final para registro de candidaturas, mas, publicamente, a direção afirma que o assunto está encerrado. Se nada mudar, a chapa governista terá três nomes do campo de direita disputando os mesmos votos, enquanto Marina e Tebet buscam ampliar a fatia do eleitorado de centro e esquerda.

    Com o relógio eleitoral correndo e um eleitor ainda pouco decidido, os rumos de Derrite – e do bloco conservador – seguem indefinidos. A única certeza, por enquanto, é que o deputado continuará na pista, tentando transformar o rótulo de “puxador de votos” em mandato de oito anos no Senado Federal.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.