Governo reserva até R$ 1,3 bilhão para reagir a secas, chuvas extremas e incêndios ligados ao El Niño

    0

    O Palácio do Planalto definiu que até R$ 1,3 bilhão serão liberados para mitigar os efeitos de um El Niño considerado potencialmente “muito forte” por agências meteorológicas internacionais. A estratégia, apresentada em reunião ministerial conduzida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, prioriza combate a secas no Norte e Nordeste, prevenção a chuvas intensas no Sul e reforço contra incêndios florestais em diferentes biomas.

    O dinheiro financiará desde a compra emergencial de grãos até a criação de um centro de vigilância sanitária voltado ao clima. No total, 24 ministérios, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e demais órgãos técnicos integram o grupo que monitorará o fenômeno, cuja anomalia de temperatura no Pacífico já supera 2 °C — patamar associado a eventos extremos no Brasil.

    Investimento federal e distribuição de recursos

    Do montante previsto, cerca de R$ 438 milhões ficarão sob a responsabilidade do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social para ações de segurança alimentar, enquanto R$ 350 milhões deverão reforçar a estrutura de combate a incêndios coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente. Outros R$ 200 milhões irão para obras emergenciais de abastecimento de água em municípios ameaçados de estiagem prolongada.

    Na área da Saúde, o Ministério estabelecerá o Centro de Informação em Saúde e Clima do Sistema Único de Saúde (SUS), com dotação inicial de R$ 120 milhões. O objetivo é rastrear surtos de doenças que tendem a aumentar com variações abruptas de temperatura e umidade, como dengue e infecções respiratórias.

    Por que o El Niño deste ano preocupa

    El Niño é o nome dado ao aquecimento anormal das águas do Pacífico tropical, capaz de alterar a circulação de ventos e, por consequência, o regime de chuvas em todo o planeta. Segundo o Inmet, os modelos climáticos indicam que o episódio de 2026/2027 deve atingir intensidade forte a muito forte, com altas probabilidades de:

    • Chuva acima da média no Sul, elevando o risco de enchentes e deslizamentos;
    • Seca acentuada na Amazônia, no Nordeste e em parte do Centro-Oeste, reduzindo reservatórios e afligindo a agricultura familiar;
    • Temperaturas máximas mais elevadas em todo o território, favorecendo queimadas e exigindo ações adicionais de saúde pública.

    O Ministério da Agricultura alerta que a combinação entre El Niño e preços altos de fertilizantes pode encarecer alimentos básicos, pressionando ainda mais o orçamento das famílias.

    Principais ações anunciadas

    Segurança alimentar

    Para frear oscilações de preço e garantir estoque, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) comprará 180 mil toneladas de milho para alimentação animal e 310 mil toneladas de arroz para consumo humano. Além disso, 350 mil cestas básicas serão disponibilizadas a populações isoladas ou em áreas de calamidade.

    Combate a incêndios florestais

    O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) contarão com reforço de brigadistas temporários, aeronaves e sistemas de detecção via satélite. A meta é reduzir a janela entre o primeiro foco identificado e a chegada das equipes no terreno.

    Assistência ao pequeno produtor

    O Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) ganhará um eixo específico para a Região Norte, assegurando escoamento da produção local e renda durante a estiagem. Técnicos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) prestarão orientação sobre manejo de cultivos com menor demanda hídrica.

    Governo reserva até R$ 1,3 bilhão para reagir a secas, chuvas extremas e incêndios ligados ao El Niño - Imagem do artigo original

    Imagem: Internet

    Cooperação com estados e municípios

    Lula solicitou que ministros promovam encontros temáticos com governadores e prefeitos, alegando que “a chance de evitar desgraça é maior porque o prefeito está no território”. A Defesa Civil Nacional elaborará protocolos padronizados de evacuação e distribuição de suprimentos, a serem acionados tão logo alertas meteorológicos de risco elevado sejam emitidos.

    Também está prevista a liberação de linhas de crédito emergencial via Banco do Brasil e Caixa Econômica para cidades que decretarem situação de emergência reconhecida pelo governo federal.

    Monitoramento e resposta rápida

    Satélites do Inpe fornecerão imagens atualizadas a cada 15 minutos para registrar pontos de calor e variação do nível de rios. No caso do Rio Amazonas, estações hidrológicas serão modernizadas para envio automático de dados ao Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).

    O Inmet, por sua vez, multiplicará o número de alertas de curto prazo via SMS e aplicativos, permitindo que moradores de regiões vulneráveis recebam informações em tempo real sobre tempestades ou ondas de calor.

    Impactos socioeconômicos em jogo

    Relatórios internos do Ministério da Fazenda apontam que uma seca prolongada no Norte e Nordeste pode reduzir a geração hidrelétrica, elevando o custo da energia. Já no Sul, prejuízos com enchentes costumam recair sobre lavouras de soja e milho, com reflexo direto no Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio.

    A Confederação Nacional dos Municípios (CNM) calcula que cada R$ 1 aplicado em prevenção economiza até R$ 7 em reconstrução pós-desastre. A expectativa do Planalto é que a liberação antecipada de recursos, aliada ao planejamento multissetorial, diminua mortes, perdas econômicas e conflitos por água durante o pico do fenômeno, previsto para o fim deste ano e início de 2027.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.