Voo de Flávio Bolsonaro em jato ligado a Daniel Vorcaro reforça elo entre senador e financiador do filme sobre Jair Bolsonaro

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    Um dia antes da posse de Donald Trump nos Estados Unidos, em 19 de janeiro de 2025, o senador e então presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) deixou a Flórida rumo a Brasília a bordo de um Legacy 650 de prefixo PP-NLR. A aeronave integrava uma cota societária administrada pela Prime You, empresa da qual o ex-banqueiro Daniel Vorcaro era sócio naquele momento. O mesmo jato apareceria meses depois em vídeo que mostrava o ministro do STF Alexandre de Moraes desembarcando, episódio que levou Flávio a atacar o magistrado nas redes sociais.

    O trajeto, agora detalhado pela revista piauí com base em registros de tráfego aéreo e no Registro Aeronáutico Brasileiro, ocorre no epicentro de negociações para que Vorcaro custeasse Dark Horse – produção sobre a eleição de 2018 que favoreceu Jair Bolsonaro, pai do senador. Documentos revelam a previsão de um primeiro repasse de US$ 2 milhões em 20 de janeiro, um dia depois do voo, valor que só foi efetivamente liberado em 13 de fevereiro.

    Viagem, passageiros e rota

    A Polícia Federal identificou a decolagem de Fort Lauderdale e o pouso em Brasília ao investigar fraudes no INSS que envolveriam o advogado e empresário Willer Tomaz, também a bordo. Além de Flávio e Tomaz, viajaram Fernanda Bolsonaro e as duas filhas do casal. O deslocamento utilizou serviço da Prime You, especializada em compartilhamento de jatos executivos.

    Aeronave usada por Moraes meses depois

    O Legacy 650 PP-NLR ganhou visibilidade nacional em agosto de 2025, quando Alexandre de Moraes foi filmado deixando o avião. Na ocasião, Flávio Bolsonaro ironizou o ministro: “Moraes é o principal responsável por Lula voltar à cena do crime”, escreveu no X (ex-Twitter). À época, o senador não mencionou ter viajado no mesmo jato poucos meses antes.

    Estrutura societária do jato

    O avião era formalmente controlado pela Fraction 024, constituída em três cotas iguais. Uma delas pertencia justamente a Willer Tomaz; a segunda, a Laércio Cosentino, fundador da Totvs; e a terceira, adquirida pela Prime You no fim de 2024 – antes, portanto, do deslocamento de Flávio. Segundo a piauí, Vorcaro integrava o quadro societário da Prime You entre 2021 e setembro de 2025, o que o ligava indiretamente ao jato.

    Administração e oferta de assentos

    Em nota, Tomaz confirmou deter um terço da Fraction 024 e disse que a Prime You era responsável por escalar a tripulação e organizar a agenda da aeronave. Declarou ainda que oferecia assentos vagos a “amigos que fossem ao mesmo destino”, sem cobrança ou contrapartida financeira. Ele não esclareceu se Flávio e família voaram a convite. O advogado afirma só ter descoberto, em abril de 2026, que Vorcaro também possuía participação, motivo que o levou a rescindir o contrato e abrir disputa judicial contra a empresa.

    Conexão com o financiamento de “Dark Horse”

    Paralelamente ao voo, Flávio pressionava intermediários para agilizar pareceres jurídicos que liberariam o aporte de Vorcaro ao documentário sobre Jair Bolsonaro. O cronograma previa o primeiro pagamento de US$ 2 milhões em 20 de janeiro, exatamente um dia após o trajeto Fort Lauderdale-Brasília. O dinheiro, porém, só foi remetido em 13 de fevereiro. Investigações apontam que, no total, Vorcaro desembolsou pelo menos R$ 65 milhões no projeto, hoje alvo de inquérito no STF que inclui Flávio entre os investigados.

    Investigação em curso no Supremo

    O inquérito apura se houve lavagem de dinheiro e financiamento eleitoral irregular por meio da produção do filme. A participação de Vorcaro como investidor e a interlocução direta do senador são peças-chave na apuração. A defesa de Flávio e representantes de Vorcaro não comentaram o conteúdo da reportagem até o momento.

    Ofensiva judicial contra Lula

    No mesmo dia em que vieram à tona novos dados sobre o voo, a campanha de Flávio protocolou petição ao ministro André Mendonça, do STF, pedindo apuração contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O senador alega que o chefe do Executivo teria atuado em favor de Vorcaro em questões pendentes nos órgãos de controle. O Palácio do Planalto nega qualquer ingerência, refuta recebimento de presentes do ex-banqueiro e afirma que Lula não enviou recados ou intermediou contatos.

    Voo de Flávio Bolsonaro em jato ligado a Daniel Vorcaro reforça elo entre senador e financiador do filme sobre Jair Bolsonaro - Imagem do artigo original

    Imagem: Internet

    Contexto político e repercussões

    A viagem reforça a narrativa da oposição sobre suposta proximidade entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, personagem cujos negócios chamam atenção de investigadores desde 2023. O episódio também expõe a prática de cotizar aeronaves de alto padrão entre empresários e políticos, modelo que dificulta rastrear a presença de convidados e os custos reais para cada passageiro.

    Questionamentos sem resposta

    • Quanto Flávio pagou, se pagou, pelo deslocamento?
    • Qual foi a participação efetiva de Vorcaro na disponibilização do jato?
    • Houve contraprestação ao investidor em troca do apoio financeiro ao filme?

    Até agora, nenhuma dessas perguntas foi esclarecida publicamente. A ausência de contratos ou comprovantes de quitação alimenta suspeitas de vantagem indevida e financiamento de campanha por vias paralelas.

    Atuação da Polícia Federal

    As informações sobre a rota Fort Lauderdale-Brasília surgiram a partir de inquérito da PF que mira fraudes previdenciárias envolvendo Willer Tomaz. As planilhas de voo localizadas pelos investigadores indicam que a Prime You operou a aeronave naquele dia e registrou Flávio como passageiro principal. Os autos foram compartilhados com o STF, onde tramitam apurações sobre o financiamento de Dark Horse.

    Litígio entre cotistas

    Depois de descobrir a entrada de Vorcaro na Fraction 024, Tomaz diz ter rescindido o contrato e iniciado disputa judicial para reaver valores investidos na cota. A briga contribuiu para a circulação de documentos que, agora, ajudam a mapear o uso do PP-NLR por figuras públicas.

    Perspectivas

    Com o caso no radar da Justiça Eleitoral e do STF, advogados avaliam que a comprovação de transporte gratuito ou subsidiado em benefício de candidato pode configurar doação irregular. Já a vinculação direta entre o voo e o aporte ao filme sobre Jair Bolsonaro ganha relevância na tese de que o projeto audiovisual funcionaria como meio de canalizar recursos de origem privada para a campanha de 2026.

    Enquanto as investigações avançam, Flávio Bolsonaro mantém agenda de pré-campanha e segue atacando adversários, inclusive o ministro Alexandre de Moraes, personagem involuntário que põe o PP-NLR novamente no centro da crise política.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.