Vendaval afunda barco que servia de casa a pescador em Ilhabela e mobiliza moradores

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    Uma rajada violenta atingiu o canal entre Ilhabela e São Sebastião na tarde de quarta-feira (29) e, em menos de cinco minutos, transformou a vida do pescador artesanal Joel dos Santos, de 55 anos. O vendaval virou e afundou a embarcação que lhe servia de moradia e principal fonte de renda, deixando-o à deriva até o resgate e sem um único bem pessoal.

    Imagens registradas por moradores mostram o momento em que Joel, ainda agarrado ao casco, tenta cortar a corda enroscada na hélice enquanto a água invade o porão. Horas depois, o barco já estava no fundo do mar, a poucos metros da Praia do Barreiro. A cena desencadeou uma corrente de solidariedade: vizinhos abriram as portas, criaram uma vaquinha on-line e a prefeitura se mobilizou para garantir abrigo e alimentação ao pescador.

    Ventania repentina transforma rotina em drama

    Joel navegava pelo canal para entregar pescado quando percebeu nuvens carregadas avançando sobre o litoral. Sem tempo para procurar abrigo, foi surpreendido por rajadas estimadas em 90 km/h. O motor permanecia ligado quando uma corda de amarração se enroscou na hélice. “Tentei cortar na faca, mas o barco virou de lado; a onda entrou inteira”, relembra.

    Barco era casa e ferramenta de trabalho

    Morador de Ilhabela há duas décadas, Joel adotara a embarcação como residência fixa nos últimos anos para reduzir custos e ficar próximo aos pontos de pesca. Dentro do porão guardava roupas, alimentos, redes e o combustível necessário para as viagens diárias. “Perdi tudo: documentos, celular, ferramentas. Só saí com a roupa do corpo”, relata.

    Resgate sob forte maré e solidariedade imediata

    Assim que percebeu que o barco não resistiria, o pescador subiu no teto da cabine e acenou por socorro. O chamamento foi atendido por uma embarcação de apoio de colegas pescadores, que o levaram até a Praia do Barreiro. Ali, funcionários de um condomínio vizinho prestaram os primeiros cuidados. Ainda abalado e com a pressão arterial baixa, Joel foi encaminhado a uma unidade de saúde e liberado em seguida.

    Noite sem sono e ansiedade pelo dia seguinte

    Na madrugada de quinta-feira (30), Joel mal conseguiu dormir. “Ficava imaginando o barco descendo cada vez mais e o motor estragando de vez”, confidenciou em vídeo gravado pelo morador Walmir Batista da Silva Junior, que tem acompanhado o caso desde o primeiro instante. Segundo relatos de testemunhas, pequenas manchas de óleo e parte da rede de pesca flutuavam perto do local do naufrágio, indício de vazamento de combustível.

    Mobilização popular e apoio oficial

    Comovidos, moradores de Ilhabela iniciaram uma vaquinha virtual para financiar a reflutuação da embarcação ou, se necessário, a compra de um novo barco. Nas redes sociais, vídeos com o drama do pescador foram compartilhados centenas de vezes, acompanhados de pedidos de doação de cordas, bombas d’água, alimentos e materiais de pesca.

    Prefeitura aciona rede de assistência

    A Secretaria de Desenvolvimento e Inclusão Social de Ilhabela informou que realiza um levantamento completo da situação do pescador para conceder todos os benefícios previstos na política municipal de assistência. Na noite do naufrágio, Joel foi acolhido na Casa do Caiçara, onde recebeu jantar, banho e dormitório. Técnicos sociais avaliam agora a viabilidade de auxílio-moradia emergencial e a inscrição em programas de geração de renda enquanto a embarcação permanece inoperante.

    Barco localizado no fundo do canal

    Na tarde de quinta-feira, mergulhadores amadores identificaram o casco a cerca de 12 metros de profundidade, preso a um cabo rompido. As demais embarcações que haviam encalhado durante o vendaval já foram removidas, o que permite concentrar esforços no reflutuamento do barco de Joel. Segundo especialistas consultados por moradores, o procedimento inclui a instalação de bolsas de ar sob o casco e a sucção da água interna por bombas de alta potência.

    Desempenho do motor definirá futuro

    A possibilidade de salvar o motor de popa, principal bem de valor da embarcação, ainda é incerta. Se a água salobra tiver invadido todo o bloco, o conserto pode ultrapassar o preço de um equipamento novo. Na avaliação de colegas pescadores, caso o motor seja recuperável, o próprio Joel ficará encarregado de limpá-lo peça por peça, prática comum entre profissionais da pesca artesanal.

    Próximos passos para a reconstrução

    Enquanto aguarda a retirada do barco, Joel tenta reorganizar a vida em terra firme. Amigos garantiram colchão e roupas de uso imediato, e comerciantes locais doaram cestas básicas. O pescador pretende, assim que possível, retomar a emissão da carteira de pescador profissional e reaver documentos perdidos no fundo do mar. “O mar tirou tudo, mas não tirou minha vontade de trabalhar”, afirma.

    Ainda não há data definida para a operação de reflutuação, que depende de condições de mar favoráveis e da disponibilidade de equipamentos. Até lá, a comunidade de Ilhabela segue mobilizada, ciente de que, para um pescador caiçara, perder o barco equivale a perder casa e sustento ao mesmo tempo. A solidariedade, por ora, é a âncora que mantém Joel dos Santos de pé.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.