Idoso desaparece após colisão na BR-342 e é encontrado morto dois dias depois no norte do ES

    0

    Uma busca que mobilizou familiares, vizinhos e moradores de duas cidades do norte capixaba terminou em tragédia. O agricultor Adão Pinto Sousa, de 70 anos, foi localizado sem vida na tarde desta segunda-feira (24), dois dias depois de se envolver em um acidente na rodovia que liga Nova Venécia a Boa Esperança. O paradeiro do idoso era desconhecido desde o sábado (22), quando ele saiu do carro logo após a batida para, segundo testemunhas, procurar socorro.

    A ausência de informações concretas sobre o que ocorreu nas 48 horas entre o choque dos veículos e a localização do corpo mantém a família em estado de choque e levanta questionamentos sobre a dinâmica do atendimento no local do sinistro. A Polícia Civil foi acionada, mas, até o momento, não divulgou laudo nem detalhes técnicos da ocorrência.

    Como o acidente aconteceu

    Imagens de câmeras de segurança instaladas em propriedades rurais próximas à BR-342 (nome informal do trecho estadual) mostram o Fiat Uno vermelho conduzido por Adão atravessando a pista quando é atingido na lateral por uma picape. O impacto ocorre a poucos quilômetros do Assentamento Zumbi dos Palmares, comunidade agrícola onde a vítima residia há cerca de duas décadas.

    De acordo com parentes, Adão havia saído de casa para buscar uma pessoa em uma igreja de Nova Venécia. O horário exato da colisão não foi informado, mas pelas gravações é possível notar boa luminosidade, sugerindo que ocorreu ainda durante a tarde de sábado. Logo após a pancada, o idoso teria deixado o automóvel em aparente condição de locomoção, caminhando pela beira da estrada.

    Hipertensão e problemas cardíacos

    A família conta que o agricultor era hipertenso e sofria de complicações cardíacas. O histórico médico faz os parentes acreditarem que o esforço para buscar ajuda — somado ao abalo físico do impacto — possa ter contribuído para o desfecho fatal, hipótese que ainda precisa ser confirmada por exame cadavérico.

    Celular atendeu nas mãos de terceiros

    A angústia da família ganhou contornos ainda mais dramáticos no início da noite de sábado. Ao ligar para o telefone de Adão, um parente foi surpreendido pela voz de um dos ocupantes da picape. Do outro lado da linha, o homem relatou que o idoso “saiu caminhando para procurar socorro” e que, depois disso, ninguém o viu novamente. Questionado sobre documentos, carteira e o próprio aparelho, o interlocutor respondeu que “tudo ficou no carro” e encerrou a conversa.

    Desde então, os parentes passaram a percorrer hospitais, postos de saúde, delegacias e até mesmo igrejas da região de forma autônoma. A falta de notícias levou ao registro oficial do desaparecimento no domingo (23), procedimento que possibilitou a entrada da Polícia Militar nas buscas. Mesmo assim, não houve pista concreta até a manhã de segunda-feira, quando um morador local encontrou o corpo em área de vegetação rala, a pouco mais de um quilômetro do ponto da colisão.

    Buscas improvisadas e tensão crescente

    Sem acesso a informações oficiais no primeiro dia de procura, a família contou com a ajuda de vizinhos do assentamento e de integrantes de uma congregação evangélica frequentada pela vítima. Motociclistas varreram trechos de estrada de terra paralelos à rodovia principal, enquanto grupos a pé entraram em plantações de eucalipto e cafezais que margeiam a BR-342.

    Redes sociais e aplicativos de mensagens se tornaram centrais na tentativa de localização. Fotografias do idoso circularam em dezenas de grupos regionais, e voluntários chegaram a imprimir panfletos que seriam distribuídos em feiras livres das duas cidades. A mobilização durou pouco mais de 36 horas, até o momento em que a morte foi confirmada.

    Perguntas sem resposta

    O corpo de Adão foi recolhido pelo Serviço Médico Legal de Linhares para necropsia. Laudo preliminar deve apontar se ele morreu em decorrência de ferimentos internos causados pelo impacto, por um eventual mal súbito ou por fatores ambientais, já que passou duas noites ao relento. Por enquanto, a principal dúvida da família diz respeito ao que motivou a saída do veículo sem esperar o resgate.

    Outra questão envolve pertences pessoais que ainda não foram devolvidos. Parentes afirmam que nem o aparelho celular nem a carteira com documentos chegaram às mãos da esposa do idoso. A Polícia Civil não confirmou se esses itens foram recolhidos para perícia ou se continuam com terceiros.

    Condutores liberados

    Segundo relatos de testemunhas que permaneceram no local logo após o choque, o motorista da picape e um passageiro não sofreram ferimentos graves e foram liberados após atendimento ambulatorial. Ainda não se sabe se algum exame toxicológico foi realizado ou se as imagens de segurança já foram oficialmente anexadas ao inquérito.

    Repercussão em Nova Venécia e Boa Esperança

    No Assentamento Zumbi dos Palmares, onde vivia da agricultura familiar e ajudava na coordenação de pequenos cultivos, Adão era conhecido pelo envolvimento em ações comunitárias. A notícia da morte provocou comoção, e a associação local decretou luto de três dias. Moradores relataram indignação com o fato de a busca inicial ter ficado restrita à própria família.

    Em Boa Esperança, para onde parte dos filhos do idoso se mudou na juventude, o velório deve reunir parentes de vários municípios vizinhos. O sepultamento está previsto para ocorrer ainda nesta terça-feira (25) no cemitério municipal veneciano, em cerimônia restrita à família.

    Próximos passos da investigação

    A Delegacia Regional de Nova Venécia ficará responsável por consolidar o inquérito. Entre as diligências previstas estão a perícia completa nos dois veículos, a análise das gravações de segurança e o depoimento de todos os envolvidos. Somente após a entrega desses relatórios será possível determinar se houve negligência de algum dos condutores ou falha no acionamento de socorro.

    Ainda que o caso envolva circunstâncias particulares, moradores da região afirmam que colisões em cruzamentos não sinalizados da BR-342 são frequentes. A prefeitura de Nova Venécia informou que solicitará ao governo estadual estudo para instalação de redutores de velocidade no trecho.

    Família cobra celeridade

    Para os parentes, a prioridade agora é entender a cronologia dos fatos e recuperar os pertences do agricultor. “Só queremos explicações honestas sobre o que houve e por que ele não foi encontrado antes”, disse um dos filhos, que preferiu não se identificar.

    Enquanto a investigação não avança, a lembrança de Adão permanece na memória de quem conviveu com ele no cotidiano simples do campo. A tragédia expõe não apenas a vulnerabilidade de motoristas em vias rurais, mas também o vazio institucional que muitas vezes recai sobre famílias que perdem entes queridos em acidentes aparentemente banais, mas de consequências irreversíveis.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.