Subiu para oito o total de estudantes que procuraram a Polícia Civil depois de terem suas imagens divulgadas em um “ranking” sexual criado por alunos da Universidade do Oeste Paulista (Unoeste), em Presidente Prudente (SP). As fotos foram retiradas das redes sociais sem autorização e acompanhadas de avaliações ofensivas e notas sobre a aparência das jovens.
A divulgação do material desencadeou protestos na porta do campus, crises de ansiedade entre as vítimas e uma investigação criminal que já tem cinco suspeitos identificados. A universidade abriu sindicância prioritária e promete punições que podem chegar à expulsão.
Como funcionava o “ranking”
Imagens coletadas sem permissão
De acordo com o inquérito, as fotografias eram capturadas de perfis públicos das alunas e, em seguida, compartilhadas em um grupo de mensagens usado por estudantes. Sem qualquer consentimento, as jovens eram listadas, recebiam notas e eram rotuladas com expressões de cunho sexual. Além de expor a intimidade, o material ofendia diretamente a dignidade das universitárias.
Linguagem depreciativa e traços de misoginia
No chat, os autores usavam apelidos como “deliciosíssima” ou “comível” para classificar as estudantes. Algumas participantes foram retiradas da lista por “não se enquadrarem” no padrão desejado, revelando discurso de ódio direcionado a mulheres gordas ou lésbicas, segundo descrevem prints anexados à investigação. Movimentos feministas locais relacionam a prática à ideologia conhecida como “red pill”, que reduz o corpo feminino a mercadoria.
Avanço das investigações
Suspeitos serão intimados
O caso está registrado na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) desde sexta-feira (21). Cinco alunos já foram apontados como administradores ou participantes ativos do grupo e devem prestar depoimento nos próximos dias. A delegada responsável estuda pedir quebra de sigilo dos celulares para rastrear a criação e o compartilhamento da lista.
Crimes em análise e possíveis penas
Especialistas ouvidos pela reportagem apontam três frentes criminais. A importunação sexual — crime que pune atos libidinosos sem consentimento — prevê de um a cinco anos de prisão. Já contra a honra, podem ser enquadrados injúria e difamação, com penas de três meses a três anos, dependendo da forma e se houve edição das imagens. Caso se comprove manipulação de foto para degradar a vítima, a sanção é mais rigorosa.
Impacto sobre as vítimas
Acolhimento psicológico e abalo emocional
Alunas relatam sensação de “perda de chão” e dificuldade para frequentar aulas após o vazamento. Crises de ansiedade e medo de novas exposições levaram parte delas a buscar atendimento psicológico. A universidade informou que oferece suporte clínico gratuito e articula parceria com o Centro de Referência da Mulher do município para amplificar o acolhimento.
Posicionamento da Unoeste
Em nota oficial, a instituição classificou o episódio como “inadmissível” e comunicou a abertura de procedimento disciplinar emergencial. Dependendo do grau de participação, os envolvidos podem receber advertência, suspensão ou expulsão, conforme o regimento interno. A Unoeste orientou a comunidade acadêmica a não compartilhar o conteúdo e disponibilizou um canal exclusivo para denúncias anônimas.

Imagem: Internet
Ação cível e responsabilidade administrativa
Além do processo criminal, as vítimas podem buscar indenização por danos morais e à imagem. Caso sejam condenados, os autores poderão arcar com valores fixados pela Justiça, além de registro negativo que pode afetar vínculos profissionais futuros. Órgãos de classe também têm autonomia para aplicar sanções a graduandos já inscritos em conselhos, como advertências ou impedimento de registro.
Orientações para quem sofre exposição
Preservar provas digitais
Advogados recomendam guardar capturas de tela, links e dados de servidores onde o material foi publicado. A orientação é não apagar mensagens, pois elas podem comprovar autoria e tempo de exposição, facilitando a concessão de medidas protetivas e de indenizações judiciais. Conforme o Marco Civil da Internet, plataformas podem ser obrigadas a remover rapidamente o conteúdo quando notificados.
Buscar apoio especializado
Delegacias especializadas, Núcleos de Defesa da Mulher e Centros de Referência oferecem atendimento psicológico e jurídico gratuito. Em casos de risco à integridade física, o Tribunal de Justiça prevê medidas protetivas de urgência, garantindo distância mínima dos agressores e resguardo das vítimas no ambiente universitário.
Manifestações e mobilização estudantil
Na noite de quinta-feira (20), coletivos feministas e estudantes promoveram ato em frente ao Campus II da Unoeste, às margens da Rodovia Raposo Tavares. Com cartazes e palavras de ordem, os manifestantes exigiram punição exemplar aos responsáveis e o reforço de ações educativas sobre violência de gênero dentro da universidade.
A Frente pela Vida das Mulheres, coletivo que organiza a mobilização, avalia que a repercussão do caso pode servir de alerta a outras instituições de ensino superior. O grupo planeja uma série de rodas de conversa sobre assédio virtual e direitos das mulheres ao longo do semestre letivo.
