São Paulo e Rio concentram avaliação mais negativa sobre avanço da educação, indica levantamento nacional

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    As escolas estaduais de São Paulo e do Rio de Janeiro aparecem na lanterna quando o assunto é sensação de progresso na educação. Levantamento nacional ouviu 20 mil brasileiros e revela que, nos dois maiores centros do país, um quarto da população percebe retrocesso na rede pública nos últimos quatro anos, enquanto pouco mais de um terço enxerga avanço — os índices mais baixos do Brasil.

    O contraste fica ainda mais evidente diante da média nacional: em todo o país, 49% disseram notar melhora na qualidade do ensino, contra 17% que falam em piora. A pesquisa, realizada pelo Instituto Ideia a pedido de seis organizações do terceiro setor ligadas ao tema, foi aplicada entre maio e julho deste ano e tem margem de erro de um ponto percentual.

    Desempenho regional e ranking dos estados

    Sudeste puxa percepção negativa

    Na divisão por macrorregião, o Sudeste apresenta a leitura mais crítica sobre o período recente. Apenas 43% afirmam que a escola do estado onde vivem evoluiu, porcentual inferior às demais regiões. Dentro desse quadro, São Paulo e Rio concentram a pior avaliação: 25% apontam deterioração da rede, enquanto 33% dos paulistas e 38% dos fluminenses enxergam melhoria.

    Nordeste lidera satisfação

    Na ponta oposta, o Nordeste exibe o maior otimismo. Lá, 56% dos entrevistados veem avanço na educação pública. Alagoas desponta com 66% de respostas positivas, seguido de Ceará e Sergipe, ambos com 65%. Segundo especialistas ouvidos pelos institutos, o resultado reforça a correlação entre desempenho acadêmico — medido por indicadores como o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) — e percepção social.

    Qualidade atual também divide opiniões

    Quando a pesquisa abandona o recorte temporal e pergunta apenas como cada um enxerga hoje a escola de seu estado, o Rio volta a figurar na parte de baixo da tabela: 31% classificam a rede fluminense como ótima ou boa e 28% a taxam de ruim ou péssima. Em São Paulo, 38% dão notas altas e 26% notas baixas. Santa Catarina (60% de avaliações positivas), Ceará (59%) e Paraná (57%) conduzem o ranking de melhor conceito.

    Fatores determinantes para uma “boa escola”

    Professores no centro do debate

    Indagados sobre quais ações deveriam ganhar prioridade imediata, a maioria (53%) apontou a valorização do professor — que inclui aumento salarial e melhores condições de trabalho. A formação inicial e continuada dos docentes aparece logo depois, citada por 37% dos respondentes, evidenciando a centralidade da carreira no imaginário popular.

    Alfabetização e ensino técnico lado a lado

    Dois temas empatam tecnicamente na sequência: 48% querem ampliar o acesso a cursos técnicos no ensino médio e 47% defendem garantir que todas as crianças estejam alfabetizadas até os oito anos. Há diferenças regionais: no Norte e no Nordeste, a alfabetização ocupa o segundo lugar na lista; já no Centro-Oeste, Sul e Sudeste, prevalece o apelo pelo ensino profissionalizante.

    O que significa “escola de qualidade”

    Na menção espontânea — quando não eram oferecidas opções de resposta —, 17,8% associaram qualidade ao “bom ensino” de forma genérica, enquanto 13,1% citaram diretamente a presença de professores qualificados e comprometidos. As menções seguintes se dispersam entre infraestrutura, material didático e segurança escolar.

    São Paulo e Rio concentram avaliação mais negativa sobre avanço da educação, indica levantamento nacional - Imagem do artigo original

    Imagem: Internet

    Ensino técnico, mercado de trabalho e tempo integral

    Cursos profissionalizantes ganham apoio maciço

    Oito em cada dez brasileiros defendem a expansão do ensino técnico como caminho para mais oportunidades de emprego. Esse entusiasmo contrasta com a percepção sobre a preparação que a escola pública oferece hoje: apenas 25% consideram que a rede forma adequadamente para o mercado de trabalho e 27% enxergam boa preparação para o ensino superior; 40% e 38%, respectivamente, discordam.

    Escola em tempo integral: conhecimento e adesão

    Sete em cada dez entrevistados já ouviram falar em tempo integral — jornada de pelo menos sete horas. Entre pais ou responsáveis, o índice sobe a 90%. Dentre os que conhecem o modelo, 52% já matriculariam ou mantêm filhos na modalidade. A receptividade cresce nas classes C (59%) e D/E (58%) e cai para 38% nas classes A/B, sinal de que a escola em tempo integral é vista também como política de proteção social.

    Mais do que horas extras

    A pesquisa indica que a população não quer apenas prolongar o período em sala. Para 43% dos entrevistados, o tempo adicional deveria ser ocupado com atividades diversas, como projetos de vida, artes e esportes, indo além da repetição de conteúdos curriculares.

    Educação como pauta eleitoral

    O estudo mostra ainda que a escola pública é tema decisivo nas urnas. Para 83% dos brasileiros, a área deve figurar entre as três principais prioridades do governador eleito. Além disso, 71% dizem que a atuação do atual governo estadual na educação influencia diretamente o voto.

    Especialistas do Todos Pela Educação, Itaú Social e Instituto Sonho Grande lembram que transformar essa expectativa em avanço concreto exige estratégias que combinem remuneração atrativa, planejamento pedagógico e colaboração entre governos. A opinião pública, conclui o levantamento, já captou a diferença entre estados onde essas políticas caminham e aqueles que ficaram para trás — caso de São Paulo e Rio de Janeiro segundo a percepção dos próprios moradores.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.