Quase 4 em cada 10 eleitores veem crise no STF como obstáculo para Lula; Flávio Bolsonaro é citado por 31%

    0

    O embate envolvendo o Supremo Tribunal Federal e o escândalo do Banco Master já respinga diretamente na corrida presidencial de 2026. Segundo novo recorte do Datafolha, 38% dos eleitores apontam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como o pré-candidato mais prejudicado pelo episódio, enquanto 31% citam o senador Flávio Bolsonaro (PL). O restante dos entrevistados divide-se entre a percepção de que todos os nomes sairão chamuscados (5%), de que nenhum será afetado (25%) ou não opinou (14%).

    O levantamento, encomendado pela Folha e pela Globo, ouviu 2.001 pessoas em 15 estados de terça (15) a quinta-feira (17). A sondagem foi realizada sob forte repercussão das trocas de acusações e decisões conflitantes entre ministros da corte, que têm exposto fissuras sobre a investigação do banco e a relação do magistrado Alexandre de Moraes com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

    Números detalhados da pesquisa

    Na primeira etapa, o instituto questionou se a crise poderia complicar a campanha presidencial. Entre os que responderam “sim”, a indicação de nomes foi espontânea e múltipla. Nessa lista, Lula aparece no topo, citado por 38% dos eleitores; Flávio Bolsonaro surge logo depois, com 31%.

    Apesar da vantagem numérica do petista, o intervalo de erro reduz a distância estatística entre ambos. Já a percepção de impacto generalizado — quando o entrevistado não diferencia concorrentes — soma 5%. Outros 25% descartam qualquer consequência eleitoral e 14% não se arriscaram a palpitar.

    Registro e metodologia

    • Amostra presencial em 162 municípios.
    • Nível de confiança de 95%.
    • Código TSE: BR-04029/2026.

    Rompimentos dentro da corte expõem disputa interna

    O pano de fundo para a pesquisa é a escalada de desentendimentos entre os próprios ministros do Supremo. Nas últimas semanas, a investigação do Banco Master gerou ofícios atravessados, liminares publicadas em sequência e comunicados que destoam do habitual tom de unidade da corte. A situação alcançou novo patamar quando vazaram suspeitas de proximidade entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, ex-controlador do banco investigado.

    Esse cabo de guerra ganhou contornos políticos imediatos: integrantes do tribunal passaram a trocar indiretas sobre possível interferência no processo eleitoral, alimentando críticas vindas tanto do Palácio do Planalto quanto do campo bolsonarista.

    A estratégia dos principais pré-candidatos

    Com o cenário ainda indefinido, Lula e Flávio Bolsonaro adotaram movimentos calculados — e antagônicos — para tentar limitar danos:

    1. Lula busca se distanciar de Moraes. Aliados do presidente enfatizam publicamente que a relação institucional com o STF não deve ser confundida com suposto alinhamento pessoal. O petista tenta reforçar que seu governo não interfere em inquéritos e que qualquer responsabilização no caso Master cabe exclusivamente à Justiça.
    2. Flávio associa o episódio ao Planalto. Em discursos no Senado e nas redes sociais, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro relembra encontros entre Lula e Moraes, insinuando que a proximidade poderia ter facilitado “interferências” no andamento da investigação.

    Esse movimento duplo explica por que ambos lideram a lembrança negativa dos eleitores: cada lado tenta jogar a crise no colo do rival, fomentando a percepção de que apenas o outro teria algo a perder.

    Consequências para o debate eleitoral

    Embora a pesquisa não funcione como previsão de voto, o resultado serve de termômetro sobre a narrativa dominante no eleitorado. O Datafolha mostra que o conflito STF–Banco Master entrou definitivamente no radar da população e já afeta a imagem dos pré-candidatos mais competitivos.

    Eleitores que se declaram indecisos ou alheios à crise representam um quarto da amostra (25%). Esse contingente pode ser decisivo à medida que novos capítulos se desenrolem. Caso o impasse se prolongue, a tendência é que tanto Lula quanto Flávio intensifiquem a troca de acusações, disputando quem carrega a marca de maior prejudicado — e, por consequência, quem se coloca como vítima de interferência.

    Quase 4 em cada 10 eleitores veem crise no STF como obstáculo para Lula; Flávio Bolsonaro é citado por 31% - Imagem do artigo original

    Imagem: Internet

    Margem de manobra

    Para especialistas em marketing político, citados em bastidores, o principal desafio é evitar a cristalização de imagem negativa. Se a opinião pública fixar a ideia de que a crise atingiu de forma mais contundente determinado candidato, o adversário ganhará terreno para apresentar-se como opção “menos contaminada”.

    Embora não haja unanimidade sobre o tamanho real desse desgaste, a pesquisa indica que a disputa narrativa ainda está aberta. Com 14% dos entrevistados confessando ignorar o tema, a batalha pela interpretação dos fatos segue em curso, e qualquer movimentação na corte — como novas liminares ou revelações sobre o Banco Master — pode alterar o humor do eleitorado.

    Crise, campanha e institucionalidade

    Além da dimensão eleitoral, o impasse gera preocupação no mundo jurídico e econômico. A troca de ofícios entre ministros, algo inédito em intensidade, coloca em xeque a coesão interna do STF em ano pré-eleitoral. Para analistas consultados pelo Datafolha, quanto mais tempo a corte demorar a pacificar a investigação, maior será o risco de a pauta jurídica ser engolida pelo discurso político.

    Internamente, ministros buscam amortecer o conflito para não comprometer a credibilidade do tribunal. Publicamente, porém, declarações e contra-ordens ainda surgem em ritmo acelerado, alimentando a narrativa de ingerência sobre o pleito de 2026.

    Próximos passos do inquérito e reflexo nas urnas

    O desenlace das investigações sobre o Banco Master e o papel de Alexandre de Moraes devem servir de barômetro para avaliar se o prejuízo apontado pelo Datafolha ganhará corpo ou ficará restrito a percepções momentâneas. Caso surjam provas robustas de irregularidades, tanto Lula quanto Flávio podem reajustar estratégias, com foco em blindagem institucional ou ataque frontal, dependendo de quem for mais associado ao caso.

    Embora 5% dos entrevistados acreditem que a crise atinge todos os presidenciáveis, o fato de a maioria enxergar danos concentrados em dois nomes mostra que o pleito tende a repetir a polarização de 2022, agora turbinada pelo desgaste do Supremo. Se nada mudar até o início oficial da campanha, a justiça eleitoral e o próprio STF podem tornar-se palcos constantes de disputas, não apenas árbitros do processo.

    Olhar atento até 2026

    Com pouco menos de dois anos para o primeiro turno, cada novo dado, vazamento ou decisão judicial será esmiuçado por marqueteiros e correligionários. Ao Datafolha caberá acompanhar, em rodadas futuras, se a percepção de prejuízo se consolidará ou migrará para outros nomes que porventura entrem na disputa.

    Por ora, Lula e Flávio seguem no centro da tempestade. E, pelo visto, a nuvem que paira sobre o Supremo ainda tem muita água para cair.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.