O Rock in Rio abriu investigação interna para esclarecer o episódio de racismo relatado por Milena Moreira, a Tia Milena do BBB 26. A vice-campeã do reality afirmou ter sido destratada por uma segurança quando tentava entrar no estande de uma marca, no sábado (5/9), dentro da Cidade do Rock, no Rio de Janeiro. O caso não foi registrado oficialmente pela ex-participante, mas a direção do festival declarou tolerância zero a qualquer forma de discriminação e deu início à apuração.
Tia Milena contou a seus seguidores que a funcionária, também mulher negra, teria impedido sua entrada de maneira hostil, o que interpretou como atitude racista. “Se fosse uma pessoa branca, famosona, eu queria ver se teria acontecido”, lamentou. O episódio gerou repercussão imediata nas redes sociais, levando o evento a divulgar nota em que reforça protocolos de acolhimento para quem se sentir ofendido ou alvo de preconceito.
Relato da ex-BBB nas redes sociais
Nas postagens, Milena disse ter se aproximado do estande “por curiosidade” e por gostar de ser reconhecida no festival, mas relatou que não recebeu tratamento cordial. “Independente de a pessoa ser branca, preta, famosa ou não, todo mundo tem que ser bem-recebido”, afirmou. Sem revelar o nome da empresa instalada no espaço, ela frisou que a marca “não teve nenhuma relação” com o comportamento da funcionária, concentrando a crítica na forma como foi abordada.
A ex-participante sublinhou ainda que o racismo pode partir de qualquer pessoa, inclusive de membros da própria comunidade negra. “Racismo acontece em qualquer lugar e também pela nossa própria raça”, pontuou. O desabafo mobilizou fãs e outros influenciadores, que pediram posicionamento oficial do festival.
Tolerância zero e investigação em curso
Em resposta, a organização do Rock in Rio afirmou adotar política de “tolerância zero” a atos de discriminação, assédio ou violência. Mesmo sem boletim de ocorrência ou relato formal nos postos de atendimento do evento, a direção disse estar recolhendo depoimentos e imagens para compreender o contexto e, se necessário, adotar medidas disciplinares.
No comunicado, o festival reforçou a existência de equipes especializadas de acolhimento espalhadas pela Cidade do Rock. Os grupos, segundo o texto, estão preparados para oferecer “escuta qualificada, atendimento humanizado e encaminhamento adequado” a quem se declare vítima de preconceito. O procedimento inclui registrar a queixa, acionar responsáveis pelo espaço envolvido e, se solicitado, auxiliar a vítima a procurar autoridades policiais.
Ausência de registro formal
Um ponto ressaltado pela produção é que Milena não procurou os postos de acolhimento nem registrou ocorrência junto à polícia ainda durante o festival. A ausência desse passo, de acordo com o Rock in Rio, prolonga o processo de verificação, pois obriga a organização a buscar câmeras de segurança, testemunhas e colaboradores presentes no momento da suposta ofensa.
Mesmo sem esse registro, o evento disse considerar o relato grave e declarou que qualquer comprovada violação ao código interno pode levar a desligamento de funcionários terceirizados e até ao banimento de visitantes que pratiquem atos discriminatórios.
Repercussão entre fãs e influenciadores
A fala de Tia Milena gerou debate intenso nas redes. Seguidores cobraram transparência do Rock in Rio e de possíveis patrocinadores envolvidos. Influenciadores ligados ao universo do Big Brother Brasil também se manifestaram, defendendo investigação célere e punição exemplar se houver comprovação.
Para parte do público, o caso expõe desafios permanentes na luta contra o racismo estrutural em grandes eventos. Muitos usuários relembraram episódios anteriores de discriminação em festivais e destacaram a importância de espaços de denúncia acessíveis, especialmente para pessoas negras que ainda se sentem inseguras ao procurar autoridades.

Imagem: Internet
Próximos passos da apuração
O Rock in Rio informou que a averiguação inclui:
- coleta de imagens das câmeras internas do estande e das áreas comuns;
- entrevistas com a equipe de segurança terceirizada que atuava no local;
- contato com a marca instalada no espaço para identificar funcionários escalados no turno;
- análise de relatos de visitantes que possam ter presenciado o momento;
- oferta de apoio psicológico e jurídico à participante, caso ela deseje formalizar queixa.
A organização acrescentou que divulgará os resultados assim que a verificação for concluída. Até lá, mantém o compromisso público de “garantir ambiente seguro, diverso e respeitoso para todos”.
Posicionamento de Milena Moreira
Procurada por veículos de imprensa, Milena reiterou que seu objetivo ao expor o episódio não é prejudicar a marca, mas alertar para a necessidade de acolhimento imediato em situações de preconceito. Ela disse estar aberta a dialogar com a produção do festival, caso seja contatada oficialmente.
A ex-BBB também agradeceu o apoio recebido e afirmou esperar que o caso incentive outras vítimas a denunciarem. “Nem todo mundo tem visibilidade para falar. Se eu puder usar a minha para que não aconteça de novo, já valeu”, declarou em vídeo publicado na tarde de domingo (6/9).
Orientações para denúncias dentro do evento
Embora não exista queixa formal, o Rock in Rio reforçou canais permanentes de suporte:
- Equipes identificadas com coletes laranja, distribuídas em todos os setores, preparadas para abordar situações de racismo, assédio ou violência.
- Pontos fixos de atendimento psicológico e jurídico, indicados no mapa do festival e no aplicativo oficial.
- Possibilidade de acionar a central de segurança pelo aplicativo, que direciona agentes ao local da ocorrência.
- Encaminhamento à Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) em casos que requeiram registro policial.
O festival destacou que os mecanismos existem justamente para evitar que incidentes fiquem sem registro e para garantir resposta rápida — algo que, no episódio envolvendo Tia Milena, acabou não ocorrendo.
Contexto recente da participante
Desde o fim do BBB 26, Milena Moreira investe em carreira de repórter e aulas de teatro, como costuma compartilhar nas redes. A passagem pelo Rock in Rio era mais uma aparição pública após o reality. O constrangimento relatado, porém, transformou a visita em pauta de discussão sobre racismo em espaços de entretenimento.
Até o momento, nem a segurança apontada nem a empresa responsável pelo estande se pronunciaram. A partir das informações reunidas, o Rock in Rio deverá decidir se o caso será encaminhado a órgãos externos ou solucionado dentro do próprio protocolo disciplinar.
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