A primeira rodada da Quaest depois do fechamento das alianças em Pernambuco indica que a governadora Raquel Lyra (PSD) inicia a campanha com 43% das intenções de voto, seis pontos à frente do ex-prefeito do Recife João Campos (PSB), que aparece com 37%. A distância, contudo, continua em faixa de empate técnico, já que a margem de erro do estudo é de três pontos percentuais.
Encomendado pela Genial Investimentos, o levantamento ouviu 900 eleitores entre 22 e 26 de julho, registrou nível de confiança de 95% e foi protocolado na Justiça Eleitoral sob o número PE-09649/2026. Camila Falcão (UP), Ivan Moraes (PSOL) e Renan Hallais (Missão) somam, juntos, 3%, enquanto indecisos, brancos e nulos representam 13% do eleitorado.
Disputa permanece apertada
A sondagem reforça o clima de polarização que se formou no estado desde as eleições passadas. No recorte geral para um eventual segundo turno, Raquel marca 45% e Campos, 39%, diferença idêntica à observada no primeiro turno e igualmente englobada pela margem de erro.
O desenho da corrida revela que a governadora consegue ampliar sua força em segmentos historicamente ligados à centro-direita, enquanto o socialista mantém vantagem entre grupos afinados com o lulismo. Ainda assim, a volatilidade aparece no alto índice de indecisos em determinadas faixas etárias e econômicas.
Diferenças por gênero
Raquel conserva leve supremacia entre homens (46% a 34%), mas vê o quadro ficar mais apertado entre mulheres (42% a 39%). Em ambos os casos, a parcela que ainda não sabe em quem votar ou pretende anular gira perto de 15%, sinalizando espaço para movimentações de campanha.
Correlação com a idade
O maior colchão de votos da governadora situa-se na juventude de 16 a 34 anos, onde atinge 52%, abrindo 22 pontos. Já entre os eleitores com mais de 60 anos ocorre o inverso: Campos empata tecnicamente ao anotar 38%, contra 39% dela no primeiro turno e chega a 44% no segundo. Na faixa intermediária, de 35 a 59 anos, o cenário é totalmente nivelado, com 41% para cada lado.
Escolaridade e renda
Quando o filtro é escolaridade, Raquel sobe a 51% entre diplomados de nível superior e permanece perto de 44% no ensino médio e fundamental. A variação, porém, aparece no grau de indecisão: apenas 5% dos formados ainda não escolheram candidato. No estrato de menor renda (até dois salários mínimos) há empate técnico — 40% a 39% —, mas a governadora descola vantagem de 16 pontos entre quem recebe de dois a cinco salários e 6 entre quem ganha acima desse teto.
Peso da religião
O eleitorado evangélico entrega seu maior percentual à candidata do PSD: 54% contra 27% do concorrente, diferença de 27 pontos. Já entre católicos o duelo fica no limite da margem, 43% a 40% para Raquel. A Quaest aponta que, juntos, esses dois grupos representam quase 90% do universo pesquisado, o que explica o esforço das campanhas para garantir agendas em templos e paróquias.
Mapa ideológico
A autodeclaração política dos entrevistados deixa claro onde estão os redutos de cada nome:

Imagem: Internet
- Lulistas: João Campos lidera com 54%, dez pontos à frente da rival.
- Esquerda não lulista: equilíbrio, com vantagem mínima de quatro pontos para o socialista.
- Independentes: Raquel cresce a 47%, 16 pontos sobre Campos.
- Direita não bolsonarista: PSD chega a 61% e transforma o segmento em bastião.
- Bolsonaristas: disparada de Raquel a 73%, ante 13% de Campos.
Os dados evidenciam que o ex-prefeito recorre ao capital eleitoral do presidente Lula para ampliar suas bases, enquanto a governadora herda parte considerável do voto conservador de 2022, inclusive o simpático ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Metodologia e margens de erro específicas
Além do erro global de três pontos, a Quaest aplica margens diferentes conforme o tamanho de cada estrato. Entre homens, por exemplo, a variação estatística chega a cinco pontos; entre mulheres, a quatro. Nos recortes por escolaridade e renda, o intervalo oscila de cinco a oito pontos; já na divisão por religião, vai de quatro a sete.
Por ser a primeira pesquisa estadual a estratificar também o “posicionamento político”, o instituto optou por tornar pública a amplitude de incerteza: seis pontos para lulistas, não bolsonaristas de direita e independentes; nove pontos à esquerda não lulista; e dez entre bolsonaristas.
Como interpretar os números
Especialistas lembram que vantagens dentro da margem pedem cautela. Na prática, Raquel e Campos mantêm empate técnico em praticamente todos os cenários, com exceção dos segmentos evangélico e bolsonarista, onde a diferença arrebata o limite máximo do erro. A cinco meses da eleição, o percentual de eleitores que admitem rever a escolha ou ainda não têm nome definido é suficientemente alto para provocar viradas.
Próximos passos da corrida
Os comitês partidários aguardam a liberação da propaganda obrigatória para testar a resistência desses índices. O PSB aposta na exposição da gestão de João Campos no Recife e na imagem de Lula para romper a barreira entre evangélicos e eleitores de renda média. Já o PSD trabalha a entrega de obras estaduais — sobretudo estradas e hospitais regionais — e tenta consolidar a governadora como opção de continuidade.
Novos levantamentos da Quaest e de outros institutos devem ser divulgados nas próximas semanas. Até lá, a ordem nas duas campanhas é simples: intensificar agendas pelo interior, onde cerca de 40% dos entrevistados da sondagem disseram ainda não acompanhar a disputa de forma regular.
