Uma nova rodada de levantamentos da Quaest reforça a polarização entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial de 2026. Nos seis estados testados — Alagoas, Maranhão, Rio Grande do Norte, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina — o petista lidera amplamente no Nordeste, enquanto o deputado fluminense abre vantagem confortável nos estados do Sul.
As entrevistas foram realizadas de 20 a 23 de agosto. Em todos os estados, a margem de erro é de três pontos percentuais e o nível de confiança, de 95%. Dois cenários foram medidos: um que considera a presença de Pablo Marçal (PRTB), que tenta reverter a inelegibilidade, e outro sem o coach na disputa.
Como a Quaest ouviu o eleitorado
Foram entrevistados eleitores com 16 anos ou mais: 804 pessoas em Alagoas, Rio Grande do Norte e Santa Catarina; 900 no Maranhão e no Rio Grande do Sul; e 1 000 no Paraná. Todos os questionários foram registrados no Tribunal Superior Eleitoral com numeração específica para cada estado e sob cadastro nacional BR-09091/2026.
Nordeste: vantagem folgada de Lula
Alagoas
O ex-presidente mantém distância de 15 pontos à frente de Flávio Bolsonaro quando Marçal fica de fora. Nesse quadro, Lula soma 44%, ante 29% do liberal. Brancos, nulos ou quem declara que não irá votar representam 10%, e 11% não souberam responder.
Com Marçal incluído, o petista oscila para 45%, enquanto Bolsonaro vai a 30%. O coach aparece com 1%. A taxa de brancos e nulos permanece em 10%, e os indecisos, em 11%.
Maranhão
Entre os seis estados analisados, o Maranhão é onde Lula obtém seu melhor desempenho: 58% contra 20% de Bolsonaro sem Marçal no cartão de respostas — diferença de 38 pontos. Indecisos somam 11% e brancos/nulos, 5%.
Quando o nome do PRTB é apresentado, o petista mantém 57%, Bolsonaro repete 20% e Marçal surge com 1%. Os eleitores sem candidato passam a 12%, e 5% continuam propensos a anular ou votar em branco.
Rio Grande do Norte
O cenário potiguar também é confortável para Lula: 54% a 20% sobre o adversário do PL na simulação sem Marçal. Brancos e nulos formam 11%, outros 9% não decidiram.
Com a presença do coach, o petista sobe para 56%, e Bolsonaro recua um ponto, para 19%. Marçal registra 1%, mantendo estáveis os percentuais de brancos/nulos (11%) e dos que não opinam (10%).
Sul: Bolsonaro lidera, mas com nuances
Paraná
Flávio Bolsonaro abre a maior distância no Sul exatamente no Paraná. Sem Marçal, ele chega a 41%, enquanto Lula aparece com 23%. O governador goiano Ronaldo Caiado (PSD) fica em 5%, e Romeu Zema (Novo), em 3%. Os indecisos são 17%; brancos e nulos, 7%.

Imagem: Internet
Quando Marçal é inserido, Bolsonaro avança para 42%, Lula vai a 24% e o coach obtém 4%, deslocando Caiado (3%) e Zema (2%). A fatia dos que não responderam cai para 16%, e 6% pretendem anular ou votar em branco.
Rio Grande do Sul
O gaúcho apresenta a disputa mais apertada entre os três estados do Sul. Na ausência de Marçal, Bolsonaro marca 34%, e Lula, 28%. Caiado registra 3%, Zema e Renan Santos (Missão) alcançam 2% cada. O percentual de eleitores sem escolha chega a 18%, o mais alto do estudo; 10% planejam votar em branco ou anular.
Com Marçal, Bolsonaro mantém 34% e Lula sobe um ponto, a 29%. O empresário do PRTB e Renan Santos aparecem empatados em 2%. Os indecisos ficam em 19%, e 9% pretendem votar branco ou nulo.
Santa Catarina
A maior vantagem do liberal se confirma em Santa Catarina. Sem Marçal, Bolsonaro atinge 45%; Lula soma 20%, enquanto Renan Santos chega a 4%. Outros nomes, como Zema, Caiado e Augusto Cury, têm 3% cada. Há ainda 13% de indecisos e 8% de brancos/nulos.
No cenário com Marçal, nada muda no topo: Bolsonaro permanece com 45% e Lula, com 20%. O coach estreia com 2%, Renan Santos segue em 4% e Zema mantém 3%. Indecisos ficam em 13%, e 7% optam por branco ou nulo.
Polarização persiste, mas indefinição regional é alta
Os números da Quaest confirmam que, a pouco mais de um ano da votação marcada para 4 de outubro de 2026, o cenário continua dominado pela disputa entre o petista e o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ainda assim, o espaço para mudança permanece considerável, principalmente no Sul, onde quase um quinto do eleitorado gaúcho e catarinense segue sem candidato definido.
No Nordeste, a distância confortável de Lula reforça a importância da região em sua estratégia de reeleição. No Sul, Bolsonaro tenta consolidar a vantagem ampliada por uma rejeição menor ao seu nome, enquanto a candidatura de centro, representada por Caiado ou Zema, ainda não rompe a barreira de um dígito na maioria dos estados, sugerindo dificuldade de viabilizar uma terceira via.
