Uma nova pesquisa Quaest, contratada pela Genial Investimentos, coloca Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) em empate técnico na corrida presidencial de 2026 em Minas Gerais. O petista soma 30% das intenções de voto, enquanto o parlamentar aparece com 29%. Como a margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos, o resultado é considerado matematicamente igual.
A importância do levantamento vai além dos números: desde 1989, o candidato que vence em Minas acaba eleito para o Palácio do Planalto. Em 2022, por uma diferença de pouco mais de 0,4 ponto, Lula superou o então presidente Jair Bolsonaro no estado — e repetiu a vitória no agregado nacional. O termômetro mineiro, portanto, segue decisivo.
Cenário do primeiro turno
O retrato atual do eleitorado mineiro indica concentração de votos em dois polos, mas também abre espaço para nomes regionais e outsiders:
- Lula (PT): 30%
- Flávio Bolsonaro (PL): 29%
- Romeu Zema (Novo): 12%
- Ronaldo Caiado (PSD): 4%
- Renan Santos (Missão): 2%
- Cabo Daciolo (Mobiliza): 1%
- Augusto Cury (Avante): 1%
- Samara Martins (UP): 1%
- Hertz Dias (PSTU): 0%
- Leonardo Avalanche (PRTB): 0%
- Indecisos: 11%
- Branco/Nulo/Não vai votar: 9%
Possíveis confrontos de segundo turno
A Quaest testou quatro disputas diretas envolvendo o atual presidente. Enquanto Lula leva vantagem sobre Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Renan Santos, Romeu Zema aparece numericamente à frente do petista — ainda que também dentro da margem estatística.
Lula x Flávio Bolsonaro
- Lula: 38%
- Flávio Bolsonaro: 35%
- Indecisos: 9%
- Branco/Nulo/Abstenção: 18%
Lula x Romeu Zema
- Romeu Zema: 39%
- Lula: 37%
- Indecisos: 9%
- Branco/Nulo/Abstenção: 15%
Lula x Ronaldo Caiado
- Lula: 38%
- Ronaldo Caiado: 30%
- Indecisos: 10%
- Branco/Nulo/Abstenção: 22%
Lula x Renan Santos
- Lula: 39%
- Renan Santos: 24%
- Indecisos: 12%
- Branco/Nulo/Abstenção: 25%
Termômetro mineiro e o peso de Romeu Zema
Minas Gerais é o segundo maior colégio eleitoral do país, com mais de 16 milhões de votantes, e historicamente espelha o resultado nacional. A presença do governador Romeu Zema na disputa contribui para embaralhar o cenário: com 12% na largada e chance real de desbancar Lula num hipotético segundo turno, o empresário do Novo transforma a eleição em um jogo de três forças — PT, bolsonarismo e um vetor liberal-conservador de origem mineira.
Ainda que Zema seja menos conhecido fora das fronteiras estaduais, sua gestão focada em ajuste fiscal rendeu aprovação relativamente alta entre os mineiros. O desafio está em ampliar essa base para além da terra natal, condição considerada indispensável para quebrar o ciclo que faz de Minas um reflexo do resultado nacional.
Aprovação do governo Lula no estado
O levantamento também aferiu o humor do eleitorado em relação ao Palácio do Planalto:

Imagem: Internet
- Aprovam a administração federal: 42% (eram 44% em abril)
- Desaprovam: 51% (eram 54% em abril)
- Não sabem/não responderam: 7% (eram 2% em abril)
Quando a pergunta se refere à qualidade do governo, o quadro se mantém estável:
- Avaliação positiva: 31% (30% em abril)
- Regular: 24% (26% em abril)
- Negativa: 44% (42% em abril)
- Não sabem/não responderam: 1% (2% em abril)
Apesar do empate na corrida presidencial, 60% dos entrevistados declararam que Lula não merece um novo mandato — ante 36% que gostariam de vê-lo reeleito em 2026. O dado revela um eleitorado dividido, mas com viés de desgaste do governo federal.
Metodologia do levantamento
A Quaest ouviu 1.482 pessoas com 16 anos ou mais em 189 municípios mineiros entre 22 e 26 de julho. As entrevistas foram presenciais, selecionadas por cotas de sexo, idade, escolaridade, renda e distribuição geográfica. A margem de erro é de até três pontos percentuais em qualquer direção, e o nível de confiança estatística atinge 95%, ou seja, há 5% de probabilidade de o resultado estar fora da faixa indicada.
O estudo foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-O9333/2026, requisito legal para divulgação de pesquisas eleitorais no país.
Com pouco menos de dois anos para as urnas, o xadrez mineiro já indica uma disputa apertada, na qual cada ponto percentual pode decidir não apenas o futuro político do estado, mas também o desfecho da eleição presidencial.
