A ex-prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), e o deputado federal Aécio Neves (PSDB) aparecem tecnicamente empatados no topo da disputa pelas duas vagas de Minas Gerais no Senado, segundo pesquisa Quaest divulgada nesta terça-feira (28). O estudo, encomendado pela Genial Investimentos, indica ainda que quase dois terços do eleitorado mineiro admitem rever a escolha até outubro de 2026, mantendo o cenário em aberto.
Nos quatro cenários estimulados testados, Marília oscila de 18% a 20%, enquanto Aécio se mantém em 16%. Atrás deles surgem Carlos Viana (PSD), Marcelo Aro (PP) e Domingos Sávio (PL), todos reunidos em uma faixa de 8% a 11%, o que reforça a fragmentação da disputa e o peso do voto ainda indefinido.
Retrato dos cenários estimulados
No primeiro cenário apresentado aos 1.482 entrevistados, Marília lidera com 18%, seguida por Aécio (16%). Carlos Viana marca 11%, Marcelo Aro 10% e Domingos Sávio 9%. A lista traz ainda Eros Biondini (8%), Áurea Carolina (3%) e outros nomes que não ultrapassam 1%. Indecisos somam 10% e outros 12% declaram voto branco, nulo ou intenção de se abster.
Quando o nome do pastor Edésio de Oliveira (PL) substitui o do também bolsonarista Eros Biondini, Marília sobe para 20% e Aécio mantém 16%. O desempenho de Viana e Aro continua em 11%, enquanto Domingos Sávio recua para 8% e Edésio estreia com 5%. A taxa de indecisos aumenta para 12%, e brancos e nulos chegam a 13%.
Nos outros dois cenários – um sem Viana e outro sem o tucano Aécio Neves – a petista conserva a primeira posição, mas o bloco intermediário se embaralha. Com Aécio fora da disputa, Marília registra 19%, e três candidatos (Viana, Aro e Sávio) empatam em 11%. Nessa simulação, o grupo que não sabe ou não responde atinge 17%, o maior registrado no estudo.
Margem de erro e confiabilidade
A margem de erro do levantamento é de três pontos percentuais para mais ou para menos, e o nível de confiança declarado pela Quaest é de 95%. A pesquisa foi realizada entre 22 e 26 de julho e consta no Tribunal Regional Eleitoral sob o protocolo MG-034/90/2026.
Conhecimento e rejeição dos nomes
O instituto mensurou também o grau de exposição e antipatia dos pré-candidatos. Aécio Neves se mostra o rosto mais conhecido: 37% dos mineiros afirmam “conhecer e votar” nele, mas 52% dizem conhecer e não votar de maneira alguma. Ele ainda conta com apenas 11% de desconhecimento, o menor percentual entre os listados.
Marília Campos, por sua vez, é apontada como opção por 25% dos eleitores que a conhecem, e apenas 19% a rejeitam. O índice de desconhecimento da petista, porém, é alto: 56%. Essa combinação sugere espaço para crescimento caso a ex-prefeita amplie a própria exposição durante a campanha.
Entre os demais concorrentes, Carlos Viana tem 24% de “conhece e vota” e 18% de rejeição, mas 58% dos eleitores ainda não sabem quem ele é. Marcelo Aro apresenta 19% de aceitação, 8% de rejeição e 73% de desconhecimento. Domingos Sávio, Biondini e as candidatas da esquerda Áurea Carolina e Vanessa Portugal registram níveis semelhantes de baixa visibilidade, com patamares de desconhecimento acima de 70%.
Eleições seguem em aberto
A pesquisa reforça a percepção de que a corrida ao Senado em Minas Gerais ainda está longe de consolidada. Questionados sobre a firmeza da escolha, 64% dos participantes admitiram que podem mudar de voto, contra 35% que se dizem decididos. O indicador permanece praticamente estável em relação ao mês de abril, quando era de 62% e 37%, respectivamente.
O elevado número de indecisos e de eleitores propensos a rever a preferência sugere que o desempenho nos debates e a capilaridade partidária terão peso decisivo. Além disso, a indefinição sobre a eventual candidatura de Aécio Neves pode alterar de forma significativa a configuração, sobretudo porque parte do eleitorado antipetista ainda busca um nome competitivo.
Impacto de eventual recuo de Aécio
Apesar de figurar sempre na segunda posição, o ex-governador mineiro não confirmou se entrará na disputa. Caso decida permanecer na Câmara dos Deputados, sua fatia de 16% tende a se redistribuir entre postulantes do mesmo campo ideológico. Cenários internos do PSDB apontam para a possibilidade de o partido apoiar Carlos Viana, recentemente afastado da base do governo Romeu Zema, ou até mesmo lançar um nome novo, mas sem a mesma projeção do ex-senador.
Perfis dos principais postulantes
- Marília Campos (PT) – Duas vezes prefeita de Contagem, tem trajetória ligada aos movimentos sindicais e à defesa de políticas urbanas. Apresenta baixa rejeição e aposta na popularidade na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
- Aécio Neves (PSDB) – Ex-governador, ex-senador e figura histórica do PSDB, tenta reconstruir imagem após denúncias da Lava Jato. Carrega alto índice de conhecimento, mas também de rejeição.
- Carlos Viana (PSD) – Atual senador, ganhou visibilidade ao presidir comissões no Congresso. Busca apoio entre evangélicos e aposta no voto conservador do interior.
- Marcelo Aro (PP) – Deputado federal ligado ao setor de esportes e à juventude, fortalece base em Belo Horizonte e na Zona da Mata.
- Domingos Sávio (PL) – Aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro, defende pautas econômicas liberais e mira o eleitorado rural.
Como foi realizada a sondagem
Segundo a Quaest, as entrevistas ocorreram de forma presencial em 96 municípios mineiros, contemplando cotas de gênero, faixa etária, escolaridade, renda familiar e localização geográfica. O questionário incluiu perguntas sobre intenção de voto para senador, presidente e governador, além de medir humor econômico e avaliação de governos estadual e federal.
O instituto ponderou os resultados pelo peso do eleitorado de cada região para garantir representatividade. A amostra de 1.482 entrevistas confere ao estudo margem de erro de ±3 p.p., padrão utilizado em sondagens eleitorais desse porte.
Próximos passos da corrida eleitoral
Com o calendário partidário prevendo convenções apenas no segundo semestre de 2026, os pré-candidatos concentram agora esforços na costura de apoios e no aumento do reconhecimento junto ao eleitorado. O PT confia no avanço de Marília no interior a partir de campanhas temáticas voltadas a mulheres e políticas sociais. Já no campo da direita, PSD, PP e PL disputam espaço para unificar o eleitorado conservador caso Aécio abra mão da vaga.
Até lá, a fotografia revelada pela Quaest serve mais como termômetro de largada do que como projeção definitiva. Com alta taxa de desconhecimento dos nomes e baixa consolidação do voto, o pleito mineiro tende a ser decidido nos detalhes, em especial na reta final de campanha e nos debates televisionados.