Piloto holandês abandona prova e salva colega de carro em chamas no China GT

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    Um ato de coragem interrompeu a terceira etapa do China GT, disputada no último sábado (5) no Circuito Internacional de Xangai. Logo na primeira volta, o britânico Ollie Millroy ficou preso em seu carro, envolto por chamas, depois de uma colisão múltipla. Enquanto fiscais ainda corriam para o local, o holandês Loek Hartog deixou o próprio carro na área de escape, atravessou a pista e retirou o adversário consciente, mas visivelmente ferido.

    A manobra dramática foi registrada pelas câmeras oficiais e por celulares de mecânicos nos boxes. Nas redes sociais, Millroy reconheceu que só sobreviveu graças à rapidez do colega. Com cinco costelas quebradas, clavícula fraturada, mão e dedo lesionados e uma contusão pulmonar, ele segue em recuperação. Hartog, por sua vez, tornou-se o herói improvável de um campeonato que costuma ficar fora do noticiário ocidental.

    Choque em alta velocidade e incêndio imediato

    A largada no traçado chinês foi tumultuada. Na aproximação da curva 2, três carros se tocaram; o Porsche 911 GT3 R de Millroy rodou, bateu no muro interno e foi coletado por outro competidor, perfurando o tanque de combustível. As chamas tomaram a parte traseira quase instantaneamente. O sistema de extinção embarcado foi acionado, mas não conteve o fogo que avançava para o habitáculo.

    Hartog vinha logo atrás, pilotando um Mercedes-AMG GT3. Ao ver o impacto, reduziu, estacionou na área de escape e, sem esperar autorização da direção de prova, correu até o carro em chamas. Ele destravou o cinto do britânico e o puxou para fora em menos de 20 segundos, segundo a cronometragem interna da equipe.

    Depoimentos emocionados após o resgate

    Millroy: “Vou lembrar desse gesto para sempre”

    Ainda no hospital de Xangai, o britânico publicou uma foto ao lado de Hartog. No texto, escreveu que não se recorda dos instantes que antecederam o acidente nem da primeira hora depois, mas garante que jamais esquecerá “a ousadia de quem se arriscou sem hesitar”.

    Hartog: “Não havia tempo para pensar”

    O holandês de 22 anos minimizou o protagonismo. Em vídeo postado no próprio box, relatou que percebeu “muita chama dentro do cockpit” e concluiu que Millroy poderia não ter força para abrir a porta. “Eu só fiz o que qualquer pessoa decente faria”, declarou, antes de agradecer as mensagens de apoio recebidas de fãs e de outros pilotos.

    Ausência inicial de fiscais levanta questionamentos

    A diretoria do China GT abriu investigação interna para explicar a demora de cerca de 30 segundos até a chegada do carro de resgate. Por regulamento, cada posto de sinalização deve dispor de extintores manuais, mas as imagens mostram que nenhum fiscal se aproximou até Hartog completar o salvamento. O chefe de segurança do campeonato, Li Ming, disse que aguarda relatórios individuais para determinar se houve quebra de protocolo.

    Nas redes sociais chinesas, fãs do automobilismo criticaram a organização e compararam o episódio ao incêndio envolvendo Romain Grosjean na Fórmula 1 em 2020, quando a equipe de resgate levou menos de 20 segundos para intervir. Especialistas lembram que, em categorias de Gran Turismo, a estrutura costuma ser menor, mas insistem que os padrões da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) valem para todos.

    Lesões e prognóstico médico

    De acordo com boletim divulgado pela equipe de Millroy, o britânico passou por exames de tomografia que confirmaram:

    • Fratura em cinco costelas do lado esquerdo;
    • Clavícula direita quebrada;
    • Fratura na mão e em um dedo;
    • Contusão no pulmão esquerdo, sem necessidade de drenagem.

    Os médicos estimam seis a oito semanas de recuperação antes da liberação para exercícios leves. A participação do piloto no restante da temporada está descartada.

    Repercussão no paddock e na internet

    Equipes rivais, patrocinadores e ex-pilotos da Fórmula 1 escreveram mensagens elogiando Hartog. O vídeo do resgate ultrapassou três milhões de visualizações em menos de 24 horas em plataformas ocidentais e foi destacado por grandes veículos europeus.

    Piloto holandês abandona prova e salva colega de carro em chamas no China GT - Imagem do artigo original

    Imagem: Internet

    Dentro do paddock, a atitude reacendeu a discussão sobre a obrigatoriedade de painéis luminosos de aviso a cada 200 metros e sobre a colocação de extintores fixos em partes externas da carenagem, medidas já adotadas em alguns campeonatos de resistência.

    O que é o China GT

    Criado em 2016, o China GT é o principal certame de Gran Turismo no país. As corridas reúnem modelos GT3 e GT4 de marcas como Ferrari, Lamborghini, Porsche, Mercedes-AMG e Audi, adaptados para a pista, mas baseados em carros de rua de alto desempenho.

    A temporada atual conta com oito etapas distribuídas entre circuitos tradicionais — Xangai, Zhuhai, Ningbo e Macau — e autódromos inaugurados nos últimos anos. Cada prova tem duas horas de duração, com troca obrigatória de pilotos, e distribui pontos para os campeonatos de equipes e de construtores.

    Próximos passos da investigação

    A organização prometeu divulgar até o fim da semana:

    1. Relatório de tempo de resposta dos fiscais;
    2. Análise das causas do vazamento de combustível no Porsche de Millroy;
    3. Eventuais punições ou recomendações de segurança para as equipes.

    Representantes da FIA acompanharão o inquérito e poderão impor novas exigências ao autódromo de Xangai, palco que deve receber a final da temporada em novembro.

    Carreira de Hartog ganha novo capítulo

    Formado na escola do automobilismo holandês, Loek Hartog despontou na Porsche Carrera Cup da Alemanha antes de migrar para protótipos e, nesta temporada, para o China GT. Aos 22 anos, soma duas vitórias e era quarto no campeonato antes de abandonar a prova em Xangai para salvar Millroy. A direção da categoria estuda conceder pontos especiais em reconhecimento à atitude, medida prevista no regulamento esportivo em casos de “força maior”.

    Palavras de Hartog ao deixar o autódromo

    “Fiquei sem pódio e sem pontos, mas volto para casa com algo maior. Se amanhã o Ollie puder respirar sem dor, valerá cada segundo.”

    Impacto para patrocinadores e para a imagem da categoria

    Empresas de tecnologia e montadoras que apoiam a série planejam campanha conjunta de conscientização sobre segurança nos boxes e nas arquibancadas, aproveitando a visibilidade inesperada do acidente. Consultores de marketing esportivo avaliam que a narrativa do “ato heroico” pode aumentar o engajamento digital da competição, mas alertam para a necessidade de investimentos concretos em infraestrutura para que a história não se transforme em crise de reputação.

    No curto prazo, o China GT ganha manchetes internacionais, mas os organizadores sabem que o escrutínio será maior a cada nova largada. Na memória dos fãs, entretanto, o sábado em Xangai já entrou para a história como a prova em que um rival decidiu que a vida humana valia mais do que qualquer troféu.

    Rafael Oliveira é criador de conteúdo digital e editor com foco em entretenimento, reality shows e notícias do mundo dos famosos. Seu trabalho é voltado para levar informações rápidas, atualizadas e relevantes sobre os principais acontecimentos da TV e das redes sociais.